Consultor Jurídico

Notícias

Eleições 2020

Candidato socialista dispara nas primárias dos democratas nos EUA

Por 

Os dirigentes do Partido Democrata dos EUA estão assustados. O candidato Bernie Sanders, que se autoproclama socialista-democrata, está disparando nas eleições primárias do partido. A maioria dos parlamentares democratas, que é capitalista, não acredita que os EUA estejam preparados para um presidente socialista. E, portanto, Sanders não deverá vencer o republicano Donald Trump, que concorre à reeleição em novembro.

Sanders, em convenção democrata de 2019
Gage Skidmore

Até agora, foram apenas três eleições primárias, das 58 que serão realizadas nos próximos meses (50 estados, Distrito de Colúmbia, territórios e eleitores no exterior).

Nas primárias no estado de Nevada, neste sábado (22/2), Sanders conquistou cerca de 47% dos delegados para a convenção do partido, que será realizada em julho. Isto é, mais que o dobro do candidato preferido do partido, o ex-vice presidente Joe Baden, que conquistou cerca de 23% dos delegados — e ficou em segundo lugar.

Sanders já havia vencido em New Hampshire, a segunda rodada das primárias, e terminado praticamente empatado com o candidato Pete Buttigieg (também capitalista), nas primárias de Iowa, a primeira do ano. Biden, por sua vez, não se saiu bem em nenhuma das duas primeiras rodadas.

Ainda tem muita água para correr. A quarta rodada será realizada na Carolina do Sul, em 29 de fevereiro. No entanto, a quinta rodada é a que vai fixar definitivamente a tendência. Em 3 de março, os democratas terão sua "Super Tuesday" (super terça-feira), em que haverá eleições primárias em 15 estados — incluindo as de dois dos estados que elegem o maior número de delegados: Califórnia (415 delegados) e Texas (228).

Sanders vem tendo sucesso principalmente entre eleitores jovens, porque promete educação gratuita, do primeiro ano à universidade, e perdão da dívida dos estudantes que já se formaram.

Ele agrada também os eleitores de baixa renda e parte dos eleitores de média renda, com a promessa de instituir "seguro saúde universal" — isto é, tratamento de saúde gratuito, a toda a população. Essa é uma proposta considerada radical, porque ela inclui a ideia de acabar com o seguro-saúde privado. Isso significa implantar nos EUA uma espécie de SUS, como única opção de seguro-saúde no país.

Apesar de instigado a apresentar um plano em que prevê como o governo vai pagar pela educação e seguro-saúde gratuitos para todos, sem aumentar muito os impostos, Sanders ainda não tem uma proposta. Ele diz apenas que vai fazer os milionários, bilionários, grandes empresas e os investidores no mercado financeiro pagar mais impostos.

Essa proposta lhe rende uma briga com o poder econômico do país. Trump já levantou mais dinheiro para sua campanha eleitoral do que todos os candidatos democratas juntos. No ano passado, Trump reduziu significativamente as alíquotas de imposto de renda dessas classes de contribuintes.

De um grupo inicial de 26 candidatos democratas, apenas seis se mantêm no páreo, na disputa pela vaga de candidato do partido nas eleições de novembro. São dois socialistas-democratas (o senador Bernie Sanders e a senadora Elizabeth Warren) e quatro capitalistas (Joe Biden, o ex-prefeito de uma pequena cidade de Illinois Pete Buttigieg, a senadora Amy Klobuchar e o bilionário Mike Bloomberg).

A preocupação dos capitalistas do partido é a de que a maioria dos americanos não diferencia socialismo democrático de comunismo ou do modelo socialista da antiga União Soviética e de Cuba. Durante muitos anos, a população dos EUA foi educada a odiar o comunismo ou o socialismo. E a preferir o capitalismo. Isso ainda está bem sedimentado na mente dos eleitores em geral — com exceção dos mais novos.

Por essa razão, Trump está torcendo para o candidato do Partido Democrata ser Bernie Sanders. Ele já pediu em comícios que seus seguidores mais fiéis fossem às primárias do Partido Democrata e votassem no "candidato mais fraco" — isto é, em Sanders, porque seria o candidato que ele poderia bater mais facilmente.

Trump costumava criticar os candidatos "socialistas", dizendo que eles iriam transformar os EUA em uma Venezuela. Mas mudou de atitude e, agora, estimula a candidatura de Sanders.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 23 de fevereiro de 2020, 16h05

Comentários de leitores

1 comentário

Elizabeth warren

O IDEÓLOGO (Cartorário)

Elizabeth Ann Warren (née Herring; Oklahoma City, 22 de junho de 1949) é uma política e jurista norte-americana. Filiada ao Partido Democrata, é senadora dos Estados Unidos pelo estado de Massachusetts desde janeiro de 2013, bem como pré-candidata a presidente dos Estados Unidos para a eleição de 2020. Politicamente progressista, como senadora se concentrou em temas relacionados com a proteção do consumidor, oportunidades econômicas e a segurança social. Anteriormente, foi professora de Direito, especializada em Direito falimentar.
Warren concluiu um bacharelado em ciência pela Universidade de Houston e em seguida gradou-se em Direito pela Universidade Rutgers, lecionando em diversas universidades, incluindo a Universidade de Houston, a Universidade do Texas em Austin, a Universidade da Pensilvânia e a Universidade de Harvard. Autora de três livros e co-autora de seis, foi uma das professoras mais influentes no campo do Direito comercial antes de iniciar sua carreira política.
A incursão inicial de Warren nas políticas públicas começou em 1995, quando se opôs ao que acabou se tornando uma lei de 2005 que restringiu o acesso das pessoas ao instituto da falência. Se tornou mais conhecida nacionalmente durante o final dos anos 2000, após suas fortes posições públicas em favor de regulações bancárias mais rigorosas após a crise financeira de 2007-2008. Foi presidente do Painel de Supervisão do Congresso e foi fundamental para a criação do Departamento de Proteção Financeira do Consumidor, do qual atuou como sua primeira assessora especial durante o governo do presidente Barack Obama.
Em 2012, Warren venceu a eleição para o Senado por Massachusetts, derrotando o republicano Scott Brown e se tornando a primeira senadora pelo Estado (Fonte Wikipédia).

Responder

Comentários encerrados em 02/03/2020.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.