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Município é condenado a pagar "salário-esposa" a servidora, decide TRT-15

A 10ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP) condenou o município de São Carlos a pagar a uma servidora a parcela "salário-esposa".

O benefício criado pela Lei Municipal 7.508/1975 equivale a 5% do salário mínimo e era pago até então aos funcionários públicos casados do sexo masculino. 

Na ação, a trabalhadora alegou que o fato de o benefício ser concedido apenas aos empregados que possuem esposa "viola o princípio da isonomia", pois há "a discriminação vedada pelo caput do artigo 5º da Constituição da República". 

Ao analisar o pedido, o relator, desembargador Ricardo Regis Laraia, apontou que a questão já foi analisada por outra turma. Usando o julgado como base, o magistrado afirmou que o "salário-esposa" é regra que "deve ser compreendida no contexto histórico e social em que foi criada".

Laraia aponta que a lei é de 1975, época em que, "notoriamente, o quadro de servidores públicos era composto basicamente por homens, cujas esposas, ademais, não tinham ocupações remuneradas e suas próprias profissões". 

Segundo o desembargador, naquele momento até faria sentido acolher a tese de que o benefício era concedido apenas aos homens para "para auxiliar na renda mensal da família, pois as mulheres se ocupavam de cuidar exclusivamente do lar e da família".

Entretanto, o magistrado considerou que é inadmissível e inconstitucional o "pagamento de determinada parcela, de cunho salarial, apenas aos homens, exclusivamente em razão do fato de que são homens, negando-se a parcela às servidoras do Município".

"Uma vez que a norma jurídica deve ser interpretada não apenas conforme a sua literalidade, mas considerando também o contexto histórico e social em que foi criada, o cenário social e jurídico do momento em que é aplicada, bem como o sistema jurídico em que se encontra inserida, e, com fulcro no princípio da isonomia, assegurado pela Magna Carta, a sentença merece reforma para o fim de que seja acolhida a pretensão, condenando-se o reclamado ao pagamento da parcela denominada 'salário-esposa' à demandante", afirmou. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRT-15.

Processo: 0010540-85.2016.5.15.0008

Revista Consultor Jurídico, 3 de julho de 2019, 7h45

Comentários de leitores

3 comentários

data vênia...

Neli (Procurador do Município)

Em 1975 eu já trabalhava e estava em meu quinto emprego.
E à época, não conhecia mulher que ficava em casa tendo como profissão :dona de casa.
E deve ter o princípio da igualdade: salário esposo...
Ou, eliminar essa lei, anacrônica, do mundo jurídico da linda cidade.

Apagando o passado

O IDEÓLOGO (Outros)

A decisão judicial desconstitui o passado, modifica unilateralmente uma lei regularmente feita pelo Poder Legislativo e ocasiona instabilidade jurídica.
A revogação da lei é mais atraente, mas para os futuros e futuras servidoras. Os que recebem têm direito adquirido.

Brasil...

J. Henrique (Funcionário público)

Pelo argumento do juiz, melhor seria revogar a lei!

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