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Direito de briga

Advogados se unem e destroem hospital no Paquistão para vingar colega

O corporativismo de algumas classes no Brasil é ferrenho e apontado como causa de grandes entraves para a sociedade. Mas os advogados do Paquistão levaram o sentimento de tribalismo entre colegas de profissão para um novo patamar. A história, contada em reportagem do The New York Times, acaba com cem deles destruindo um hospital e batendo em médicos, o que resultou na morte de três pacientes. 

Advogados em frente ao hospital Lahore, momentos antes da invasão ao hospitalReprodução/The New York Times 

Começa com um advogado indo visitar uma familiar no hospital de cardiologia Lahore e discutindo com os médicos. O profissional do Direito chamou alguns colegas, que compraram a briga.

Mas no primeiro round os médicos e funcionários do hospital levaram a melhor. Resultado: três advogados foram feridos. 

Os advogados tentaram uma primeira resposta mais na sua expertise. Buscaram com que os médicos respondessem por terrorismo. Mas ninguém foi indiciado. Isso levou a uma greve de advogados. Não contentes, marcaram um protesto na frente do hospital na quarta-feira (11/12). Foi aí que tudo saiu do controle. 

Cem advogados de terno e gravata foram para a frente do hospital, até que o ímpeto de balbúrdia que a multidão dá ao indivíduo tomou conta. Invadiram o hospital, quebraram tudo que encontraram e agrediram os médicos.

A polícia respondeu com força: bombas de gás lacrimogênio e cassetetes. 

O hospital informa que três pacientes morreram devido ao episódio. Cerca de 80 advogados foram presos após o ataque. O primeiro-ministro Imran Khan determinou a abertura de uma investigação.  

Terno, gravata e cassetete 
O embate de Lahore é o auge do tribalismo que tomou conta dos advogados no Paquistão.

Começou quando a classe liderou um protesto contra o então ditador militar Pervez Musharraf.  As imagens dos profissionais de terno e gravata lutando contra a polícia ficaram icônicas e intimamente associadas à deposição do ditador. 

Desde então a classe se uniu. Já atacaram juízes e é comum entrarem em confronto contra a polícia.

Revista Consultor Jurídico, 13 de dezembro de 2019, 17h56

Comentários de leitores

5 comentários

Eu acredito na advocacia !!!

Antonio Sodre (Advogado Autônomo - Civil)

Comungo do seguinte comentário: "Notável como se vê advogados rindo de colegas quando esses têm suas prerrogativas violadas. Quando um colega aciona a OAB, e a Ordem responde, aparece outro dizendo que é "peixinho", é "apadrinhado" da Ordem, e que a OAB não o representa. Esse discurso de que a "a OAB não me representa" é justificativa para muitos não pagarem anuidade e tentarem a sorte na Justiça Federal contra a suspensão..."
Não obstante a massificação do ensino jurídico no país, sim, ainda existem advogados de elevada estatura moral e jurídica, dignas de respeito e admiração, restando claro que essa "massificação", permitiu um amplo acesso dos mais necessitados ao judiciário e não somente para pessoas especiais. Imperioso é a necessidade da classe se unir e perceber à sua real importância para a sociedade !!!

Advogados

O IDEÓLOGO (Outros)

Existem advogados de elevado estatura moral e jurídica. Aqui, mesmo na Revista Eletrônica Conjur.
O causídico Marcos Alves Pintar, o próprio Doutor Ramiro, o Dr. José R, o Dr. Carlos (Advogado sócio de escritório), o Doutor Sérgio Niemeyer (Mestre em Direito pela USP, sempre com bons comentários), a advogada, Bia, o próprio Doutor Eduardo (advogado autônomo), o Marcelo (Adv) e outros.
Antigamente a advocacia era uma arte para poucos. Hoje é meio de sobrevivência para muitos.
A partir da massificação do ensino jurídico (leia-se democratização), a advocacia perdeu aquela aura de constituir estudos especiais para gente especial.
O advogado Roberto A. R. de Aguiar escreveu: As estratégias, os conhecimentos e as "alquimias" dos advogados estavam adequados às demandas e características da sociedade brasileira, até a época de Juscelino. A partir desse momento vamos perceber um crescente declínio da influência social do bacharel e, em especial, do advogado. Outras profissões mais ligadas ao salto de modernização que o capitalismo pretendeu dar no Brasil possam a exercer papel preponderante. A própria complexificação burocrática e técnica do Estado brasileiro, advinda da modernização autoritária, cria uma nova realidade, que não cabe nos modelos tradicionais que fundam conhecimento cotidiano dos advogados. Na época militar, os advogados exerciam três papéis fundamentais na ordem social: o de justificadores normativos do autoritarismo, o de defensores dos atingidos pelas demandas das ditaduras e o de resolutores de problemas de pouca significação no dia a dia" (A CRISE DA ADVOCACIA NO BRASIL. SÃO PAULO: EDITORA ALFA ÔMEGA, 1991, p. 131).
Ou o advogado se renova abraçando a moralidade, a legalidade e a transformação social, ou ele definha.

No Brasil de hoje...

Ramiro. (Advogado Autônomo - Criminal)

Fosse no Brasil de hoje haveriam aqueles "adervogados" ou "dvogados" que se acham querendo detonar os colegas, num pensando curto de que um colega sendo derrubado vai facilitar para o outro, fazendo coro para polícia prender e bater e arrebentar...

Notável como se vê advogados rindo de colegas quando esses têm suas prerrogativas violadas. Quando um colega aciona a OAB, e a Ordem responde, aparece outro dizendo que é "peixinho", é "apadrinhado" da Ordem, e que a OAB não o representa. Esse discurso de que a "a OAB não me representa" é justificativa para muitos não pagarem anuidade e tentarem a sorte na Justiça Federal contra a suspensão...

Não defendendo a truculência como método de resolução de coisa alguma. Mas aqui no Brasil só existe uma categoria profissional mais desunida que a advocacia, os motoristas de ônibus. Por enquanto ainda não conheço caso de advogado que saia de seu escritório para ir trocar socos no escritório do outro por causa de processo, mas se continuarmos ladeira abaixo...

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