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Dinheiro de operações

Ex-assessor do juiz Odilon é condenado por desvios na Justiça Federal

Acusado de desviar R$ 11 milhões da Justiça Federal, Jedeão de Oliveira, primo e ex-chefe de gabinete do juiz federal Odilon de Oliveira, foi condenado a 41 anos, 3 meses e 8 dias de prisão pelo juiz Dalton Igor Kita Conrado, da 5ª Vara Federal de Campo Grande. 

Além de cumprir a pena em regime fechado, ele deverá pagar multa de R$ 6,2 mil pelo desvio de dinheiro da 3ª Vara Federal Especializada em Crimes do Sistema Financeiro e Lavagem de Dinheiro.

Em 2017, a 3ª Vara Criminal Federal de Campo Grande passou por uma correição extraordinária depois de Jedeão ser exonerado sob a acusação de desviar parte do dinheiro apreendido em operações policiais. Diretor de Secretaria por mais de duas décadas, ele foi acusado pelo Ministério Público Federal de ter, por 26 vezes, desviado valores apreendidos que eram guardados na vara. 

Delação fracassada
Durante a campanha eleitoral, em julho deste ano, Jedeão de Oliveira procurou a Procuradoria da República em Campo Grande e propôs acordo de delação contra o ex-chefe. No entanto, o MPF não viu provas das acusações e rejeitou a colaboração premiada.

Em suas acusações, ele afirmou que trabalhou durante 22 anos como diretor de Secretaria e chegou à função porque Odilon era grato ao seu pai, tendo em vista que este fez o magistrado estudar, acompanhando sua trajetória até se formar em Direito, em Campo Grande. 

Em decorrência da acusação feita com base na denúncia de Jedeão, de que Odilon vendia sentenças para traficantes, o governador foi acionado no Superior Tribunal de Justiça.

Durante os debates, o juiz disse que não promoveu o primo, mas encaminhou o caso para a Polícia Federal e o demitiu da 3ª Vara Federal. Odilon sempre enfatizou que o ex-assessor enganou a PF, o MPF, os demais colegas e até o TRF-3, que fez as correições e nunca desconfiou do desvio de dinheiro.

Revista Consultor Jurídico, 2 de dezembro de 2018, 12h57

Comentários de leitores

3 comentários

Parece uma praga brasileira

Modestino (Advogado Assalariado - Administrativa)

Eticamente estamos muito mal. Péssimo exemplo de quem teve a honra e a oportunidade de ocupar um cargo de relevo dentro da Justiça Federal. E é Bacharel em Direito.

O jovem karl marx

O IDEÓLOGO (Outros)

A estrutura social percorre os caminhos do capitalismo, com valorização excessiva e importância do "money". Em qualquer setor da vida social o fim vai ser sempre o dinheiro, a questão relevante é sempre se há suficiente dinheiro e, se não houver, onde conseguir mais. As relações sociais e instituições como a família e a igreja, são dominadas pelo dinheiro.
Nada mais parece ser como verdadeiramente é, somos capazes de sofrer, viver e lutar por algo que poderíamos resumir como um pedaço de papel ou metal. Tentar entender o desmembramento do homem nesta corrida pelo dinheiro é o eixo principal deste estudo, tendo como suporte e bases os escritos do “Jovem Marx”.
O parente do notável Juiz Odilon foi envolvido pela áurea do metal misterioso.

É mais um alerta

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

O que temos visto, desde o início da Lava Jato, são pessoas envolvidas na investigação e no processo sucumbirem à tentação da corrupção. E isso é muito sério e deveria ser avaliado por especialistas, até na área da Psiquiatria. Já vimos o caso daquele Procurador do MPF, que se exonerou do cargo para atuar como Advogado de defesa mediante elevados honorários. Vimos outros casos de recebimento de propinas.E por tudo o que tenho visto, o assunto é muito sério, pois envolve os altos escalões do Poder, que, obviamente, não serão éticos no tocante a abster-se de usar dos recursos da máquina administrativa para impedir uma investigação. E o Poder, assim, vai acabar tornando-se uma "ditadura do crime", quando chegarmos no limite.

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