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Imunidade parlamentar

STF extingue processo de Aécio contra deputada por comentário em rede social

A imunidade parlamentar não se restringe à atuação no Congresso, sendo resguardado o direito do deputado de emitir opiniões por qualquer meio. Com esse entendimento, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, extinguiu procedimento criminal formalizado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) contra a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), no qual a acusa da prática de crime contra sua honra em manifestação publicada no Twitter.

Senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi ao STF contra a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) após comentários em rede social.

O relator lembrou que a atividade parlamentar não se restringe ao âmbito físico do Congresso Nacional e que a prática de atos em função do mandato, ainda que fora das casas legislativas, está igualmente protegida pela garantia prevista no artigo 53, caput, da Constituição Federal. Ele destacou que o instituto da imunidade parlamentar deve ser interpretado em consonância com a exigência de preservação da independência do congressista. No caso, observou que o comportamento da deputada Jandira mostrou estreita conexão com o desempenho do mandato legislativo.

Em sua decisão, o ministro registrou que o exercício do mandato legitima a invocação dessa prerrogativa jurídica, “destinada a proteger opiniões, palavras e votos do membro do Poder Legislativo, independentemente do lugar em que proferidas as expressões eventualmente ofensivas”. Segundo ele, a imunidade parlamentar representa importante prerrogativa de ordem institucional, porém, a Constituição “somente legitima a sua invocação quando o membro do Congresso Nacional, no exercício do mandato — ou em razão deste —, proferir palavras ou expender opiniões que possam assumir qualificação jurídico-penal no plano dos denominados ‘delitos de opinião’”.

Ainda de acordo com o ministro, a jurisprudência do Supremo tem sempre enfatizado que “a proteção resultante da garantia da imunidade em sentido material somente alcança o parlamentar nas hipóteses em que as palavras e opiniões tenham sido por ele expendidas no exercício do mandato ou em razão deste”.

Segundo o ministro do Supremo Celso de Mello, a imunidade parlamentar vale também para opiniões emitidas fora do Congresso Nacional.

O ministro Celso de Mello destacou, também, que a garantia constitucional protege as entrevistas jornalísticas; a transmissão, para a imprensa, do conteúdo de pronunciamentos ou de relatórios produzidos nas casas legislativas; bem como as declarações veiculadas por intermédio de mass media (meios de comunicação de massa) ou social media (mídias sociais). Isso porque o Supremo tem reafirmado a importância do debate, pela mídia, das questões políticas protagonizadas pelos detentores de mandato, “além de haver corretamente enfatizado a ideia de que as declarações à imprensa constituem o prolongamento natural do exercício das funções parlamentares, desde que se relacionem com estas”.

O ministro destacou ainda que o parecer da Procuradoria-Geral da República no caso foi no sentido do arquivamento do processo.

A queixa-crime apresentada pelo senador refere-se a declaração da deputada federal que faz referência a episódio ocorrido em 2013, em que um helicóptero foi apreendido com drogas e seus tripulantes foram presos em Afonso Cláudio (ES). Com informações da Assessoria de Imprensa do STF. 

Clique aqui para ler a decisão. 

Revista Consultor Jurídico, 20 de junho de 2016, 20h42

Comentários de leitores

1 comentário

Excelente!

Karlos Lima (Oficial de Justiça)

Só porque é senador acha-se no direito de falar o que pensa e não receber a replica. De vez em quando encontrará Homens honrados e dignos como o Ministro Celso de Melo pra colocar esse senador no lugar que ele deve ficar.

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