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Dever de fundamentar

Decisão judicial deve dar respostas a todas as questões levantadas pelo autor

A decisão judicial deve dar respostas a todas as questões levantadas pelo autor. Com esse entendimento, os ministros da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça anularam decisão que havia imposto multa a um terceiro (não integrante da causa principal em litígio), uma vez que não houve manifestação a respeito de argumentos relevantes levantados pelos recorrentes.

As partes envolvidas diretamente na disputa mantinham um contrato de parceria agrícola que foi dissolvido porque o imóvel rural onde exerciam essa parceria, de propriedade dos recorrentes, foi vendido a um terceiro.

Na parceria rural há partilha dos lucros, rendimentos e riscos da atividade agropecuária entre os envolvidos, segundo o que for previamente estipulado no contrato. É diferente do arrendamento rural, porque neste último o proprietário cede para outro a terra para exploração agropecuária mediante o pagamento de aluguel.

Após a dissolução da parceria, os parceiros outorgados, produtores, ajuizaram ação declaratória de dissolução cumulada com cobrança e pedido de indenização por danos moral e material alegando que sofreram prejuízos no valor aproximado de R$ 15 milhões.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a decisão liminar que fixou multa diária para a empresa adquirente, caso descumprisse a ordem e não procedesse ao depósito da última parcela relativa à aquisição do imóvel em juízo. Todavia, reduziu o valor fixado de R$ 1 milhão para R$ 50 mil.

Omissão da Justiça
O relator do recurso, Ministro Villas Bôas Cueva, aceitou o argumento da empresa parceira e seus sócios de que o tribunal de origem se omitiu a respeito de duas questões importantes para o desfecho do caso.

Os autores do recurso sustentam que a decisão do tribunal mato-grossense desconsiderou as alegações de que a multa teria sido fixada em relação ao terceiro adquirente do imóvel rural e de que a última parcela já teria sido depositada, mesmo antes de determinação judicial, conforme previa o contrato de compra e venda.

Foi ressaltado que, embora se trate de aparente direito de terceiros, o interesse em recorrer dos vendedores do imóvel estaria configurado pelo fato de a decisão liminar ter impedido provisoriamente o recebimento da última parcela.

Em seu voto, acompanhado pelos demais ministros da turma, ministro Villas Bôas Cueva anulou o acórdão do TJ-MT e devolveu o processo ao tribunal estadual para que sejam apreciadas as questões omitidas. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

REsp 1.541.729

Revista Consultor Jurídico, 9 de julho de 2016, 15h02

Comentários de leitores

2 comentários

Até que em fim

Corradi (Advogado Autônomo - Civil)

Tomara que tenhamos chegado ao fim da "saída estratégica" de que "o juiz não está obrigado a se pronunciar sobre todos os pontos arguidos pelas partes". O novo CPC, neste ponto, veio em excelente momento para sanar esse absurdo. Já chega de perdermos ações só porque o juiz não quer fundamentar as decisões que decidem contra a lei, jurisprudência e precedentes muitas vezes dele mesmo. Embora isso esteja incomodando muito a magistratura, é alvissareiro que o STJ já esteja cumprindo tal exigência de fundamentação na sentença. Tomara que isso se firme e não vire letra morta no novo CPC.

Perfeicao Juridica

Antonio Bento de Arruda (Advogado Autônomo - Civil)

Com certeza apenas sobre fatos importantes inerentes a lide. Como sempre ocorre, este e mais um engessamento de normas juridicas processuais. Pais absolutamente imperfeito em todos os setores, mas soberano em perfeicao juridica.

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