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Rejeitado pela universidade

Após 133 anos de sua morte, Luiz Gama recebe título de advogado

Pelos serviços prestados junto aos tribunais na libertação dos escravos, Luiz Gonzaga de Pinto Gama foi reconhecido como advogado, 133 anos após sua morte, pela Ordem dos Advogados do Brasil. O título foi concedido pelo Conselho Federal da Ordem e pela OAB-SP em cerimônia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, na noite desta terça-feira (3/11).

Wikimedia Commons

Baiano, Luiz Gama (foto) nasceu em 1830, filho de um português com Luiza Mahin, negra livre que participou de insurreições de escravos. Gama foi para o Rio de Janeiro aos dez anos de idade após ser vendido pelo pai para pagar uma dívida. Sete anos mais tarde, conseguiu a libertação e se transformou em um dos maiores líderes abolicionistas. Em 1869, ao lado de Rui Barbosa, fundou o jornal Radical Paulistano.

Em 1850, Gama tentou frequentar o curso da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, mas foi impedido por ser negro. Ainda assim, participou das aulas como ouvinte, e o conhecimento adquirido lhe permitiu atuar na defesa jurídica de negros escravos.

Seu tataraneto, Benemar França, 68, recebeu a homenagem em nome de Luiz Gama. “Trata-se de uma reparação histórica e do reconhecimento da sua atuação jurídica para a qual foi proibido de se graduar. Trata-se de uma justíssima homenagem a quem tanto lutou pela liberdade, igualdade e respeito”, disse o presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.

Professor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e presidente do Instituto Luiz Gama, Silvio Luiz de Almeida disse que a homenagem é inédita “para alguém que recebe o título de advogado pós-morte não sendo formado em Direito”.

“Luiz Gama não é apenas importante para a história da comunidade negra brasileira, é também para que entendamos dois movimentos fundamentais para a formação social brasileira e entender para onde caminha o país. Ele está ligado tanto ao movimento abolicionista, ou seja, a luta contra a escravidão, como à formação da República”, explicou o professor. “Neste momento, resgatar a figura de Luiz Gama é resgatar também a esperança na construção de um país melhor, de um mundo mais justo e também da luta antirracista”, acrescentou.

Para seu tataraneto, a homenagem “é um resgate ao trabalho que Luiz Gama fez em sua luta para libertar escravos”. Apesar de ser rejeitado pela Faculdade de Direito, segundo Benemar, Luiz Gama “conseguiu ser rábula, ou seja, tinha um documento que o liberava para trabalhar como advogado, só que sem diploma” e, nessa condição, ele libertou mais de 500 escravos. Com informações da Agência Brasil.

Revista Consultor Jurídico, 4 de novembro de 2015, 17h36

Comentários de leitores

15 comentários

Conhecimento é primordial

Diogo Veloso (Bacharel - Civil)

O artigo publicado, trata de uma homenagem a um grande homem, mas o interessante é como os comentários desviam do tema. Fico pensando que espécie de profissional podemos esperar, quando o mesmo, passa por cinco anos frente aos banco academicos, e não aceita submeter seus conhecimentos a um exame, creio que, este mesmo, ou não adquiriu conhecimentos, ou o fez de maneira precária. Venho de uma instituição no interior do Estado de São Paulo, onde um considerável número de alunos/candidatos ao exame da OAB, são aprovados mesmo antes da conclusão do curso. Penso que, em tempos de acessibilidade e tudo a um click de distancia, a informação está mais próximo do que antes. "Data maxima venia" aos contrários, isso é pretexto para falta de estudo.
A respeito do exame da OAB, na minha opinião, toda profissão deveria ter algo semelhante, evitaria uma serie de profissionais limitadamente capacitados, em areas que o conhecimento é primordial.

Luiz Gama recebe homenagens

ACUSO (Advogado Autônomo - Dano Moral)

Luiz Gama, foi apenas um rábula.

A propósito ...

João B. G. dos Santos (Advogado Autônomo - Criminal)

Li e reli o artigo e comentários. Homenagens tardias são como desagravo: existem mas nada mudam.
O exame de ordem é necessário para joeirar os formados em Direito.
No latim não existe acento gráfico.

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