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Ações protelatórias

PEC dos Recursos está pronta para ser votada na CCJ

Pronta para a pauta na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, a proposta de Emenda à Constituição 15/2011, a chamada PEC dos Recursos, que tem como objetivo acelerar ações no Judiciário, deve ser apreciada neste segundo semestre.

A proposta, de autoria do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), transforma o recurso extraordinário perante o Supremo Tribunal Federal e o recurso especial junto ao Superior Tribunal de Justiça em ações rescisórias. Desse modo, as sentenças começariam a ser executadas depois de duas instâncias de decisão, a do juiz de primeiro grau e a do tribunal que reexaminou o processo.

O objetivo é evitar que recursos sejam usados como instrumentos para protelar decisões judiciais definitivas em ações que sobem ao exame dos tribunais superiores. Tais recursos respondem por cerca de 70% da atividade dessas Cortes.

Para debater o tema, já foram feitas diversas audiências públicas. A primeira, em junho de 2011, o ministro Cezar Peluso, então presidente do Supremo Tribunal Federal, que pregou o combate à "indústria dos recursos". Em outubro do mesmo ano, a segunda audiência pública sobre o tema reuniu, entre outros, o presidente e ministros do Superior Tribunal de Justiça, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação Nacional dos Procuradores da República.

Em julho deste ano, a CCJ aprovou requerimento, de iniciativa do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), para um debate, ainda sem data definida, com a presença do presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coêlho. Esta nova audiência atende a um pedido feito pela OAB. Furtado Coêlho afirmou que “não se pode tentar resolver o problema da morosidade da Justiça com ferimento à cláusula pétrea constitucional que assegura o direito à ampla defesa e aos recursos”.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), relator da matéria, rebateu a afirmação argumentando no seu texto que não há qualquer impacto na garantia constitucional da ampla defesa. A proposta não limita o direito das partes de produzir provas em seu favor, pois, segundo o relator, elas só são produzidas, e somente podem ser analisadas, pelo juiz e pelos tribunais de segunda instância, em grau de apelação, cujas competências não serão alteradas.

O relatório aponta o caso do jornalista Pimenta Neves, réu confesso, como o maior símbolo do “exotismo” do sistema processual brasileiro, tendo conseguido sua defesa postergar por 11 anos o início do cumprimento da pena. O senador ressaltou que “neste caso emblemático e em muitos outros de menor repercussão, por pouco o abuso nos recursos não levou à prescrição dos crimes”.

Em substitutivo, Aloysio preferiu manter os recursos, mas retirou o efeito suspensivo em relação ao início da execução das sentenças. Além de produzir resultado semelhante, o substitutivo abrange, argumenta o relator, o chamado "recurso de revista", utilizado junto ao Tribunal Superior do Trabalho nas causas trabalhistas. Na esfera criminal, as situações mais graves, relativas à liberdade pessoal, continuariam a ser apreciadas pelos tribunais superiores pela via do Habeas Corpus, com alcance e amplitude inalterados. Com informações da Agência Câmara.

Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2013, 13h33

Comentários de leitores

4 comentários

PEC dos recursos é atestado de incompetência da Justiça

J. Ribeiro (Advogado Autônomo - Empresarial)

A Torre de Babel que ainda permanece em nosso precário sistema judiciário, com essa PEC, dificultará ainda mais a efetividade da Justiça.
Justiça formal, infelizmente, ainda é a prática de nosso sistema Judiciário, que precisa ser abolida.
As instâncias ordinárias ainda não têm maturidade e mentalidade suficientes para a aplicação dessa sistemática processual. A subjetividade exacerbada das decisões e a chamada "carta marcada", dentre outros vícios próprio do serviço público deste país, certamente provocará um efeito inverso da "pretensiosa" mudança. Se as decisões nas ADI e RE, súmula vinculante e os recursos repetitivos não estão resolvendo, não será a lei (uma EC) que propiciará melhorias no sistema.
O ilustre Ministro Peluzo deixou uma péssima herança de sua gestão no STF.
A PEC dos Recursos é um atestado da incompetência, improdutividade e da má gestão do Judiciário.

A desnecessária PEC 15/2011 (PEC dos recursos)

Candido Lobo (Advogado Assalariado)

Os Recursos Extraordinário (RE) e Especial (REsp) não possuem efeito suspensivo (art. 497 do CPC). Para se atribuir efeito suspensivo à decisão objeto de REsp e RE, somente por meio de cautelar, o que igualmente ocorre na ação rescisória. Com o devido respeito, tudo leva a crer que, pelo menos no âmbito do Direito Processual Civil, desnecessária e ineficaz se mostra a mudança que se pretende implementar com a proposta de Emenda Consticional (PEC) 15/2011 (PEC dos recursos). Ass.: Candido Lobo, advogado.

Omissão da OAB

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

É aterrador ver a OAB omissa em uma questão de tamanha repercussão não só para a advocacia, mas para todos os cidadãos brasileiros. Faz-se necessária uma mobilização nacional dos advogados contra esse golpe ao Estado de Direito, que dificultará ainda mais o sonho por Justiça, mas o que vemos é omissão por parte da Ordem, e nada mais do que isso.

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