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Saiba quem foram os ganhadores do Prêmio Vladmir Herzog

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Saíram os resultados dos vencedores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos de 2011. A premiação foi criado em 1977, dois anos após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, com o objetivo de estimular os jornalistas a divulgar os abusos que eram então cometidos. Hoje, o prêmio é voltado para reportagens que estimulam a luta pela cidadania e divulgam todo o tipo de violação aos Direitos Humanos.

Saiba quem levou o prêmio em 2011:

Fotografia: O trabalho vencedor, de autoria do jornalista Weber Sian, foi chamado de Expulsão. O fotógrafo acompanhou o cumprimento do mandado de reintegração de posse de uma favela, instalada em uma área particular de Ribeirão Preto.

Segundo o autor, as famílias se recusaram a sair do local e colocaram fogo em pneus e pedaços de madeira. Carros foram incendiados. Após duas horas de negociação, sem sucesso, a Tropa de Choque da PM invadiu o local. Sian relata a cena como um cenário de guerra. Policiais atiraram com balas de borracha e usaram bombas de efeito moral. A cavalaria e cães treinados invadiram a favela. Tais imagens compõem o ensaio vencedor.

TV-Reportagem: Guerrilha do Araguaia, partes 1 e 2, foram as reportagens vencedoras, veiculadas pela ESPN Brasil, de autoria do repórter Marcelo Gomes, que trabalhou com Roberto Salim e Maria Pustiglione.

O programa da ESPN “Histórias do Esporte” contou variadas histórias sobre os guerrilheiros do Araguaia, como a de Osvaldão que partiu para comandar um agrupamento, foi morto, e seu corpo foi mostrado ao povo, pendurado num helicóptero pelo Exército brasileiro. Sua história foi contada por parentes que nunca desistiram de encontrar a sua ossada. Osvaldão foi boxeador, engenheiro formado na Tchecoslováquia, um mártir na Guerrilha do Araguaia. A reportagem apresenta também outras personagens que fizeram história e que poderiam perfeitamente participar de uma Olimpíada — atletas do basquete, boxe, hipismo, futebol e natação, entre outros esportes.

TV-Documentário: Também veiculado na ESPN, o documentário “Haiti, o país dos Rest Avec”, do jornalista Lúcio de Castro, mergulha no quadro daquele país, um ano depois do terremoto, privilegiando a investigação sobre alguns aspectos não abordados quando o assunto é o Haiti, como o real papel da participação das tropas brasileiras, assim como a verdade sobre a ação das ONGs, muitas delas envolvidas em desvio de verba.

No documentário, representantes da sociedade civil haitiana têm voz para falar sobre o papel desempenhado pelo Exército brasileiro e forças da ONU.

Jornal: Foi vencedora a reportagem “Guerras desconhecidas do Brasil” dos jornalistas do Estadão, Leonencio Nossa e Celso Silva Sarmento Jr. Trata-se de uma investigação que reconstituiu a história de 32 revoltas ocorridas nos últimos 110 anos, em que morreram 556 civis e cem agentes, a partir de documentos e da memória coletiva de pessoas simples.

Os jornalistas recorreram ao acervo dos arquivos nacionais e identificaram revoltas "perdidas" em pastas classificadas por criminalidade e terra. Depois visitaram 41 cidades, num percurso total de 13.500 quilômetros, fizeram 335 entrevistas e analisaram 105 processos de terra e 22 criminais de cartórios e 460 papéis de famílias, cemitérios, igrejas e hospitais.

Por meio de um caderno de 24 páginas e site com áudios e imagens (http://migre.me/5kWcV), mostraram como a máquina da do Estado foi usada na ditadura e na democracia.

Especial: O prêmio de especial ficou para Saneamento básico: um direito de todos, de Joelmir Tavares, do jornal O Tempo. A série de cinco reportagens sobre o saneamento básico na região metropolitana de Belo Horizonte surgiu da constatação de que cidades no entorno da capital mineira (e até mesmo a própria capital) ainda têm locais onde as condições sanitárias são precárias. Por meio de contatos com líderes comunitários, as visitas da reportagem foram agendadas. Durante duas semanas, a equipe percorreu os locais para ver as situações enfrentadas pelos moradores. Como o objetivo era mostrar o drama humano ligado à falta de saneamento, foram colhidos depoimentos de vários personagens e líderes comunitários, que lutam há anos por melhorias.

Rádio: A reportagem vencedora foi Racismo expulsa baiano do Rio Grande do Sul, da autoria de Marjuliê Martini, veiculada pela Radio Guaíba. A primeira reportagem começou a ser feita às 7h do dia 24 de março, após ligação do advogado do estudante baiano Helder Santos, Onir Araújo, a respeito da necessidade urgente de que ele deixasse a cidade de Jaguarão (RS). Ele estava sendo ameaçado de morte por policiais militares, após procurar a Polícia Civil para denunciar que havia sido alvo de agressões e racismo por PMs na saída de uma festa.

Em uma das reportagens, Helder conta que é filho de uma lavadeira de Feira de Santana e o único da família a conseguir terminar o Ensino Médio e ingressar no Ensino Superior. Ele passou no Exame Nacional do Ensino Médio para cursar História na Unipampa. Já estava trabalhando como estagiário em um projeto de ensino a jovens de comunidades quilombolas. A violência policial fez com que largasse tudo.

Menções Honrosas

Fotografia: Menção honrosa – Tragédia, ganância do poder público – Friolin – Zerohora.com
TV Reportagem: Menção honrosa – Guerra na selva – Gilberto Nascimento, Rodrigo de Luiz Brito Vianna e Gilson Pedro Dias – TV Record – São Paulo
TV Documentário: Menção honrosa – Raio-x da saúde no Brasil – Marislei Dalmaz, Rogério Rocha, Graziela Ferreira de Azevedo e Maria Cristina Angelini – TV Globo – São Paulo
Especial: Menção Honrosa – Tragédia no Rio dos Sinos: quatro anos depois, pouca coisa mudou – Eduardo Matos – Radio Gaucha 93.7 FM – Porto Alegre
Rádio: Menção honrosa – O povo cigano no Brasil – Rodrigo Resende, Larissa Bortoni Dias, Pedro Henrique Costa e Lima, George Rodrigues Cardim, Mauricio Ribeiro de Santi e Celso Cavalcanti de Melo Jr. – Radio Senado 91.7 FM – Brasília

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 23 de outubro de 2011, 9h29

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