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Direito no divã

Obra de Jacob Goldberg é exceção no Direito

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No dia 1º de junho último ocorreu o lançamento em São Paulo do livro O direito no divã – Ética da emoção, coletânea de textos, manifestações e intervenções do advogado e notório doutor em psicologia Jacob Pinheiro Goldberg, organizado por Flavio Goldberg, e prefaciado pelo Excelentíssimo vice-presidente da República Michel Temer.

Não se trata de uma obra linear, que pretenda defender alguma tese ou chegar a uma conclusão, mas sim, nas palavras do próprio organizador, apresentar um mosaico, a ser montado e preenchido pelo próprio leitor.

Jacob Goldberg, dotado de cultura e inteligência ímpares, é, também, e antes de mais nada, um poeta. E, como tal, capaz de enxergar, e antes, o que poucos poderiam ver. Por isso mesmo, suas palavras, ao contrário de pretenderem querer nos demostrar algo, nos fazem descobrir novos caminhos. Não nos mostra, faz-nos ver. E sentir. E pensar.

Nota-se no Brasil nos últimos anos uma forte expansão nos estudos de pós-graduação na área jurídica, com ênfase na formação de mestres e doutores. Nenhuma dúvida do valor e importância do aprofundamento do estudo da ciência do Direito.

Porém, por outro lado, não poucas vezes, percebe-se que tal aprofundamento científico leva alguns operadores do Direito a imergirem numa espécie de mundo virtual. Desconectam-se da realidade, afastam-se do objetivo maior de qualquer organização social, que é o bem comum, e começam a gerar entendimentos e decisões que, embora dotadas de toda a lógica formal jurídica, ficam alheias ao mundo real.

Seriam como médicos que, por tanto se aprofundarem no estudo de determinado campo específico de sua profissão, passassem a ministrar os medicamentos e tratamentos tendo como única realidade a teoria de suas ciências, mas sem se preocuparem se, para o caso específico daquele paciente, estão efetivamente o levando à cura ou não.

Por isso a atualidade e importância desta obra que vem lembrar, ao Direito, seu caráter antes de tudo humano. Vem propor a todos os que lidam com o Direito deitarem-se naquele divã e o, e se, (re)pensarem.

Jacob Goldberg, como ele mesmo afirma, reconhecendo ser algo já quase anedótico, praticamente não passa um dia de sua vida sem mencionar sua origem em Juiz de Fora. Talvez nessa mesma origem já se possa enxergar a profecia de sua vida. Desde o nome de sua cidade natal já traz consigo o Direito. Mas não o Direito sozinho, em si mesmo, e sim com a visão de fora, do psicólogo, do assistente social, que também é, do poeta, do intelectual.

Representa, portanto, uma obra de integração e enriquecimento da cultura jurídica, voltada não apenas aos operadores do Direito, mas sim a todos aqueles que vislumbram a riqueza do humano, e que não querem simplesmente chegar ao destino de uma conclusão, e sim saborear o caminho do pensar.

Carlos Eduardo Lora Franco é juiz de Direito do Fórum Criminal Central de São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 7 de junho de 2011, 10h14

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