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De saída

Ministra Ellen Gracie deixa o Supremo em agosto

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Ministra Ellen Gracie - U.Dettmar/SCO/STF

A ministra Ellen Gracie deixará o Supremo Tribunal Federal no dia 8 de agosto. O ofício que formaliza a comunicação da aposentadoria já chegou ao Ministério da Justiça. O comunicado à presidente Dilma Rousseff foi feito em maio. A ministra ainda participará de algumas sessões da Corte na volta do recesso de julho, mas a decisão de sair já está tomada. A ministra tem 63 anos. Pela compulsória, se aposentaria em fevereiro de 2018.

Por conta da saída de Ellen, a pauta de julgamentos do plenário do Supremo na primeira semana de agosto está recheada de processos nos quais ela é relatora ou em que pediu vista. Na próxima segunda-feira, 1º de agosto, quando o STF abre o segundo semestre do ano judiciário, as cinco primeiras ações pautadas estão nas mãos de Ellen Gracie.

No dia 4 de agosto, os 13 primeiros processos na pauta do plenário também são da ministra. Ao todo, para três sessões de julgamento, foram pautadas 25 ações que estão no gabinete de Ellen Gracie. A ideia é enfrentar alguns temas que ela considera importantes antes de deixar o tribunal.

A sucessão da ministra já é discutida com vigor em Brasília. O único nome masculino a figurar na lista de possíveis sucessores é o ministro Teori Zavascki, que fez carreira no Rio Grande do Sul como a ministra. Entre as mulheres, está a juíza brasileira do Tribunal Penal Internacional (TPI), Sylvia Steiner. O mandato de Sylvia no TPI terminaria no começo de 2012. Sua ida para o STF abriria uma vaga no tribunal internacional, que poderia ser ocupada por Ellen Gracie.

Há pelo menos três anos Ellen Gracie emite sinais de que gostaria de deixar a Corte. Em 2008, tentou ocupar uma das vagas de juiz na Corte Internacional de Justiça, em Haia. Mas perdeu a disputa para o brasileiro Antônio Cançado Trindade, que foi nomeado em novembro de 2008.

Depois da derrota, a ministra apostou todas as fichas no cargo de juiz do Órgão de Apelação da Organização Mundial de Comércio. Mas também perdeu a vaga para o mexicano Ricardo Ramirez. Ministros reclamaram, na ocasião, que Ellen Gracie diminuía a importância do Supremo ao trabalhar com a determinação que trabalhou para deixá-lo. A indicação de Ramirez também foi uma derrota significativa para o Itamaraty.

Outro nome cogitado para substituir Ellen é o da procuradora do estado de São Paulo e professora da PUC de São Paulo e do Paraná, Flávia Piovesan. O trabalho consistente da professora na área de Direitos Humanos, alinhado com a jurisprudência contemporânea do Supremo, é seu principal certificado de habilitação para a vaga.

Especula-se também em torno da ministra Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar. A ministra assessorou a presidente da República, Dilma Rousseff, quando ela chefiou a Casa Civil, durante parte do governo Lula. Há ainda outras ministras lembradas para o cargo: Maria Thereza de Assis Moura e Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça, e Maria Cristina Peduzzi, do Tribunal Superior do Trabalho. A desembargadora federal Neuza Maria Alves da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região também foi citada.

Há um mês, foi lançado do STF o livro Repercussão Geral no Recurso Extraordinário — Estudos em homenagem à Ministra Ellen Gracie. O livro foi organizado pelo juiz federal Leandro Paulsen, que auxilia a ministra no Supremo. Ministros do STF viram no lançamento da obra um registro de despedida do trabalho da ministra.

Em recente jantar que contou com a presença da ministra Ellen Gracie em São Paulo, em comemoração aos 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente, responsável pela indicação dela ao Supremo, teria tentado dissuadi-la da ideia de se aposentar. O pedido não surtiu efeito. Recentemente, a ministra comprou um apartamento no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro e o reformou. É para lá que deve se mudar até decidir seus novos rumos.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 29 de julho de 2011, 10h25

Comentários de leitores

26 comentários

Indicação a Tribunal Internacional

Francisco Nobre (Economista)

Como não sou advogado, e nem comprometido com qualquer peça jurídica brilhante do ponto de vista do sistema legal, mas catastrófica em uma linha puramente ético-moral, posso opinar com a pureza de um leigo.
Dessa forma, para mim, soa estranho um juiz brasileiro ser recomendado para um dito "Tribunal Penal Internacional". Fico pensando: Como um profissional acostumado a julgar e a ter em mente e a dar como justo a realidade das leis penais e processuais brasileiras, pode, de repente, julgar questões penais internacionais?
Pelo prisma de nosso emaranhado de recursos e possibilidades processuais que nosso sistema dá aos criminosos, até Hitler estaria esperando em liberdade a sua condenação até hoje (morreria de causas naturais aguardando cumprir a pena), desde que tivesse um advogado que se usasse de todos recursos especiais, agravos e embargos de toda cor e intensidade que existe no Brasil.
Acho até temerário a comunidade internacional escolher alguém viciado em nosso caótico sistema para julgar criminosos internacionais. Alguém acostumado a deixar livre por década assassino confesso somente por alegações burocráticas. Quem cogitou isso não deve conhecer como se pratica a "justiça" no Brasil.

Indicação a Tribunal Internacional

Francisco Nobre (Economista)

Como não sou advogado, e nem comprometido com qualquer peça jurídica brilhante do ponto de vista do sistema legal, mas catastrófica em uma linha puramente ético-moral, posso opinar com a pureza de um leigo.
Dessa forma, para mim, soa estranho um juiz brasileiro ser recomendado para um dito "Tribunal Penal Internacional". Fico pensando: Como um profissional acostumado a julgar e a ter em mente e a dar como justo a realidade das leis penais e processuais brasileiras, pode, de repente, julgar questões penais internacionais?
Pelo prisma de nosso emaranhado de recursos e possibilidades processuais que nosso sistema dá aos criminosos, até Hitler estaria esperando em liberdade a sua condenação até hoje (morreria de causas naturais aguardando cumprir a pena), desde que tivesse um advogado que se usasse de todos recursos especiais, agravos e embargos de toda cor e intensidade que existe no Brasil.
Acho até temerário a comunidade internacional escolher alguém viciado em nosso caótico sistema para julgar criminosos internacionais. Alguém acostumado a deixar livre por década assassino confesso somente por alegações burocráticas. Quem cogitou isso não deve conhecer como se pratica a "justiça" no Brasil.

Para Tribunal Penal Internacional?!

Francisco Nobre (Economista)

Como não sou advogado, e nem comprometido com qualquer peça jurídica brilhante do ponto de vista do sistema legal, mas catastrófica em uma linha puramente ético-moral, posso opinar com a pureza de um leigo.
Dessa forma, para mim, soa estranho um juiz brasileiro ser recomendado para um dito "Tribunal Penal Internacional". Fico pensando: Como um profissional acostumado a julgar e a ter em mente e a dar como justo a realidade das leis penais e processuais brasileiras, pode, de repente, julgar questões penais internacionais?
Pelo prisma de nosso emaranhado de recursos e possibilidades processuais que nosso sistema dá aos criminosos, até Hitler estaria esperando em liberdade a sua condenação até hoje (morreria de causas naturais aguardando cumprir a pena), desde que tivesse um advogado que se usasse de todos recursos especiais, agravos e embargos de toda cor e intensidade que existe no Brasil.
Acho até temerário a comunidade internacional escolher alguém viciado em nosso caótico sistema para julgar criminosos internacionais. Alguém acostumado a deixar livre por década assassino confesso somente por alegações burocráticas. Quem cogitou isso não deve conhecer como se pratica a "justiça" no Brasil.

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