Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Tiros de fuzil

Juiz baleado por policiais pretende processar Estado

O juiz trabalhista Marcelo Alexandrino da Costa Santos, baleado por policiais civis durante uma blitz no dia 2 de outubro, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, informou que tem a intenção de entrar com um processo contra o governo estadual. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Santos teve alta às 10 horas desta segunda-feira (11/10) do hospital Pasteur, no Méier, zona norte do Rio, mas terá de fazer acompanhamento ambulatorial de equipes de cirurgia. Ele levou um tiro no abdômen e está com dores e restrições de movimento, mas a parte emocional é a mais abalada. “Quando vejo um policial dá até sensação de desmaio. Deixei de dirigir e estou com medo de andar na rua”, informou à Folha.

O juiz destacou que o governo estadual ainda não ofereceu tratamento psicológico para sua família. “Vou ter gastos, prejuízos financeiros a partir de agora”.

Além dele, também foram baleados seu filho, de 11 anos, e sua enteada, de 8. O menino teve os dois pulmões e o fígado perfurados por um tiro de fuzil e a menina teve um pulmão, o estômago e o pâncreas perfurados. O juiz classificou a recuperação dele e de sua família como um “milagre” e informou que as crianças não estão em estado grave, mas estão apavoradas e têm sintomas semelhantes aos da síndrome do pânico. Ele informou ainda que sua mulher, Sunny Lucas Mariano, deixou de dirigir depois do ataque. “Tenho pavor de sair de casa agora”

Blitz
Em 2 de outubro, o juiz trafegava em seu Kia Cerato pela estrada do Pau Ferro, em Jacarepaguá, quando se deparou com uma fiscalização. Supôs se tratar de uma falsa blitz e decidiu voltar. Enquanto manobrava, foi baleado. Segundo perícia policial, os tiros partiram da arma de Bruno Rocha Andrade. Ele e Bruno Souza da Cruz estão presos temporariamente. Os seis policiais civis que participavam da blitz foram afastados de suas funções. O delegado Fábio da Costa Ferreira foi exonerado do cargo de titular da 41ª DP do Rio (Tanque), onde trabalhavam policiais.

Na entrevista, o juiz afirmou que ainda não tem condições de pensar se o fato de terem atirado contra ele e sua família é perdoável ou não e que “foi uma decepção e uma tristeza muito grande os tiros terem partido de policiais”. O juiz voltou a destacar que na hora estava escuro e não foi possível identificar os policiais porque eles estavam à paisana, sem nenhum distintivo. Ele disse que achava que era uma blitz de bandidos.

Revista Consultor Jurídico, 11 de outubro de 2010, 15h58

Comentários de leitores

3 comentários

Caça às bruxas.

rogc ()

Isso! Juiz não pode mais nem ser baleado, que é malhado pelos estúpidos de plantão, apenas pelo fato de ser Juiz. Estilo conjur!

Se fosse outro qualquer

andreluizg (Advogado Autônomo - Tributária)

Vejam que todas as reportagens se referem a "juiz", não de um cidadão, fulano de tal.
E a prisão preventiva dos policiais acusados foi baseada no quê? Clamor público? Parece é resultado de puro corporativismo...
Claro, coitado do magistrado e de sua família. Mas isso acontece todo dia no Brasil. Polícia mal preparada, mal paga, mal qualificada. Daí que o Capitão Nascimento disse em tropa de elite: "só pode dar merda parceiro".
E vendo isso, lembro também do Joaquim Barbosa, quando disse: "Saia às ruas M. Gilmar". Tem muito magistrado que desconhece completamente a realidade das situações que julgam. Muito juiz criminalista que nunca visitou uma prisão, e digo o mesmo do MP.

O dano pelo inesperado

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Esse pessoal deve estar muito apavorado mesmo. Juízes e seus familiares acham que estão acima de tudo e de todos, e que isso nunca vai acontecer com eles. Com a agressão (que todos nós brasileiros estamos sujeitos) foram atingidos de duas formas: a) pelo fato de terem sido baleados; b) pelo fato de acharem que isso nunca iria acontecer. Fosse o cidadão comum iria ficar abalado apenas pelo item "a", mas nesse caso acabaram sendo atingidos também, no aspecto psicológico pelo item "b". De qualquer forma, acho importante que o Juiz de fato ingresse com uma ação contra o Estado, embora caso a indenização seja fixada como ocorre quando o cidadãos comum leva um tiro sequer vai dar para cobrir os custos do processo.

Comentários encerrados em 19/10/2010.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.