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Encontro ocasional

A foto de Rodas, Celso de Mello e Teixeirinha

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A comunidade jurídica vibrou nesta quinta-feira (12/11) ao saber que o professor João Grandino Rodas irá ocupar a cadeira de reitor na Universidade de São Paulo, uma das mais conceituadas escolas do país. O comunicado oficial será feito ainda nesta sexta-feira (13/11) pelo governador paulista José Serra.

Para chegar ao posto de reitor, Rodas contou com o apoio de vários amigos, entre eles o ministro aposentado do Superior Tribunal Militar Flavio Bierrenbach, que cultiva amizade há anos com Rodas, e o seu amigo de graduação, o decano do Supremo, ministro Celso de Mello. Na mesma turma, se formaram também outros nomes conhecidos, como Antonio Magalhães Gomes Filho, Sílvio Venosa, Antonio de Souza Correa Meyer, Ayrton Soares, Sérgio Barbour, Sérgio Marques da Cruz, Breno de Freitas, Cleuza Dallari, José Roberto Maluf, Luiz Inácio Homem de Mello, Márcio Camarosano, Raquel Maria Sarno Pranto e Rui Silva Prado.

Ao ConJur, o ministro Celso de Mello já falou sobre o privilégio de ter sido colega de Grandino Rodas na Faculdade de Direito da USP. “Vejo, na pessoa de João Grandino Rodas um conceituado mestre e professor eminente, que, como poucos, sabe aliar o rigor científico de suas reflexões teóricas à exposição clara e consistente de suas ideias”, disse Celso.

Rodas, até então diretor da Faculdade de Direito pela qual se formou, protagonizou com Celso de Mello uma história folclórica. Em 1967, os dois amigos de turma queriam viajar para os Estados Unidos, mas não tinham dinheiro. Arquitetaram, então, um plano: “Fomos a uma agência de turismo na avenida São João e perguntamos quantas passagens teríamos que ajudá-los a vender para conseguir mais duas”, lembra, saudoso, o ministro Celso de Mello. Com 15 passageiros, os dois ganhariam as passagens grátis. O plano foi contado aos colegas. Celso de Mello prometeu conseguir hospedagem para as primeiras duas semanas nas casas de família que conheceu quando morou por lá. E escreveu para cada família. O plano deu certo.

Rodas e Celso cursavam o terceiro ano. Conseguiram 20 colegas e ganharam as passagens. “Embarcamos em Viracopos. No mesmo vôo, por coincidência, embarcavam também a miss Brasil e a miss Universo”, contou o decano do Supremo em seu perfil para o ConJur (clique aqui para ler mais).

João Grandino Roda, Teixeirinha e Celso de Mello no viaduto do Chá - 1967 - interna - Manoel Costa

“Nunca esqueço que, quando íamos para a agência de turismo, demos com o Teixeirinha na calçada da Avenida São João. Vimos o fotógrafo que nos apontava a câmera. Não era para nós, claro. Uma semana depois, na revista O Cruzeiro, publicavam uma reportagem sobre o Teixeirinha, com as fotos tiradas no centro de São Paulo, Rodas e eu ao fundo”, conta Celso de Mello (veja foto ao lado — à esquerda de Teixeirinha, Grandino Rodas, e às direita, Celso de Mello — e clique aqui para ver a imagem ampliada). Os dois papagaios de pirata inovluntários de 1967 se formaram, cresceram e ocupam, hoje, lugar central no cenário nacional.

A história de Teixeirinha
A reportagem citada por Celso de Mello foi publicada há 40 anos, no dia 1º de julho de 1967, para contar a trajetória de Teixeirinha, que ganhou fama de maneira despretensiosa. De acordo com o texto, Teixeirinha nem sonhava em se tornar o maior vendedor de discos do Brasil, trabalhava como operador de máquinas no DER, abrindo estradas pelo Rio Grande. Já tinha seis anos de firma. Viola e violão eram divertimento dos domingos.

Nunca havia faltado ao serviço, de modo que até estranhou quando recebeu a notícia de que havia sido despedido. Aconteceu que a mocinha do escritório confundiu o seu nome com o de Victor Silveira, um operário meio folgado. Quando deram com o engano, mandaram chamá-lo de volta, aí ele não quis. A dupla Teixeirinha e Antoninho da Rosa já era sucesso em Erechim, Passo Fundo, Lajeado.

A dupla não ficou muito tempo junta. Antoninho da Rosa, sanfoneiro, ficou louco assim de repente, contam. Quando os enfermeiros do hospício foram buscá-lo, ele exigiu um carro da Radiopatrulha porque, sendo de rádio, não viajaria em qualquer carro comum. Tinha de ser um da Radiopatrulha. Sozinho de novo, Teixeirinha resolveu percorrer o Rio Grande do SUl. Recebia muitas cartas, todas pedindo para que gravasse suas músicas.

“Era 1959, eu nunca tinha gravado e também não tinha coragem. E depois, nenhuma gravadora queria saber do meu gênero de música. Até que o Palmeira da Chantecler arrumou para eu gravar um 78. Só foi no terceiro disco que gravei o Coração de Luto. Hoje tenho gravadas quase 200 composições, 25 compactos e 17 LPs. E agora vou voltar a gravar o Coração de Luto. Desta vez com orquestra. E também em castelhano. Estão me pedindo”, disse em entrevista à já extinta revista O Cruzeiro.

Teixeirinha morreu em 1985. Gravou 700 músicas em 49 discos e vendeu mais de 25 milhões de cópias. Vitor Mateus Teixeira, seu nome de batismo, nasceu em 3 de março de 1927, no interior do município de Rolante (RS). Teve uma infância dramática: aos seis anos, perdeu o pai, vitima de um ataque cardíaco. Aos nove, morreu sua mãe que, durante uma crise de epilepsia, caiu sobre o fogo que ateava em folhas secas. Sozinho, mudou-se para Porto Alegre, onde vendeu balas, entregou viandas e trabalhou em pensões de estudantes, antes de se tomar conhecido como Teixeirinha, um dos maiores fenômenos da indústria fonográfica do país e um dos principais nomes do regionalismo.

Com informações do portal Página do Gaúcho e do blog Revivendo Teixeirinha.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 13 de novembro de 2009, 14h18

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