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Galápagos política

Trama-se um golpe contra a democracia no Maranhão

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Arma-se um golpe no Maranhão. Trama-se, nos bastidores, um golpe contra a democracia. O objetivo é a reintegração de posse de um feudo político, o usucapião vitalício e hereditário do Maranhão. Melhor seria decretar o território maranhense a nossa galápagos política. Lá, fica revogada a alternância de poder.

Proíba-se a imprensa nacional de perscrutar nossa história. Na galápagos só entram os cientistas políticos, curiosos para estudar algumas espécies raras, extintas no território nacional e que ainda vicejam no Maranhão. O velho oligarca, a filha do oligarca, onde mais no país, senão na nossa galápagos, podemos estudar com darwiniana curiosidade tão raros exemplares da evolução política brasileira?

Arma-se um golpe no Maranhão, como se não houvesse juízes em Brasília. Alega-se desequilíbrio na disputa, por conta de convênios legalmente firmados entre o governo do estado e municípios. Imputa-se a mim – candidato sem mandato, sem cargo público, sem tempo no horário eleitoral – imputa-se a mim esse desequilíbrio. Mas na nossa galápagos, não é desequilíbrio que o grupo familiar de uma candidata seja proprietária de 90% de toda a mídia do estado. Não desequilibra o pleito que o fórum da capital tenha o nome do pai, e o Tribunal de Contas do estado ostente o nome da filha. Em nome do pai e da filha e do santo espírito da democracia, nada perturba nossa galápagos.

Nomeiam hospitais, escolas, pontes, centros administrativos, ginásios de esporte, vilas e até municípios. Criou-se até o gentílico sarneyense, para quem nasce no município de Presidente Sarney. Contra a lei, contra a moral, contra tudo.

Constrange-se o próprio presidente da República, que em seis anos de mandato nunca pisou em nossa capital e jamais inaugurou uma obra no Maranhão. Não, isso não desequilibra nenhuma disputa. É assim mesmo na nossa galápagos.

Dediquei 40 anos de lutas enfrentando a mais formidável máquina de desinformação. Fundei um partido, o PDT, no qual estou até hoje. Estive no seu nascedouro, signatário da Carta de Lisboa, juntamente com Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Francisco Julião e Neiva Moreira. Combati o golpe militar em defesa das liberdades democráticas.

Na política estadual, concorri a vários cargos públicos para o Legislativo estadual e federal. Denunciei a situação de miséria do camponês maranhense, sonhei e lutei pela Anistia, disputei várias eleições com derrotas e vitórias. Por três vezes nossa capital me fez o seu prefeito. Saí de todos os mandatos com o patrimônio de médico e funcionário público. Não me fiz sócio de qualquer empreendimento, em busca de vantagens.

Em 1994, disputei o governo estadual e obtive 21% dos votos. Contava, na ocasião, com o apoio de dois dos 217 prefeitos do estado. Em 2002, ainda na oposição ao governo do estado, obtive 42% dos votos para governador. Finalmente, em 2006, com o lema Trabalho, Saúde e Educação para Libertar o Maranhão, obtive 34,36% dos votos no primeiro turno, o que permitiu unir os demais candidatos na Frente de Libertação do Maranhão que finalmente liberou nosso estado sofrido e exausto do domínio oligárquico de mais de 40 anos.

O Maranhão deu seu grito de liberdade! Seguimos o nosso objetivo de criar melhores condições de vida para o nosso povo. Construí em dois anos 160 escolas públicas, afrontando as três escolas que Roseana Sarney fez em sete anos e quatro meses de mandato. Pavimentei mais de dois mil quilômetros de asfalto. Vamos inaugurar em breve o primeiro hospital de emergência/urgência no interior do estado. Nas últimas eleições, o estado confirmou o ocaso oligárquico, elegendo 70% dos prefeitos dos partidos da Frente de Libertação.

Essa votação expressa o natural repúdio do povo maranhense a tantos anos de atraso. No entanto, sou acusado, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de abuso de poder econômico e de mídia. Pasmem, sou acusado, pelo grupo Sarney, de abuso de poder econômico e de mídia!

Fabricam provas, corrompem testemunhas, pregam verdadeiro terrorismo no estado, jactando prestígios, antecipando decisões judiciais. Quousque tandem? Tenho um olho na Justiça, na qual confio, e outro no povo maranhense, fiador do meu destino. Em contrição, soletro os versos gonçalvinos “a vida é combate, que aos fracos abate, aos fortes, aos bravos, só pode exaltar”.

Jackson Lago é governador do Maranhão.

Revista Consultor Jurídico, 9 de dezembro de 2008, 0h00

Comentários de leitores

3 comentários

Muito me admira os comentarios do SOBRAL. Até p...

Walibr (Contabilista)

Muito me admira os comentarios do SOBRAL. Até parece que não mora "nesse combalido Estado do Maranhão". Será que o sr. não observa que a decisão já é certa - a cassação ? Pelo simples fato de ser uma decisão politica e não juridica. Basta observar que contra os mesmos que pedem a cassação tambem correm processos, todos devidamente engavetados para, sabe Deus quando, serem "julgados" pela nossa "isenta" Justiça. Que Deus dê força para nós maranhenses aguentarmos os 2 proximos anos nas garras da familia que se acha dona desse chão.

Pretendo um dia conhecer a 'terra' em que ouvi ...

futuka (Consultor)

Pretendo um dia conhecer a 'terra' em que ouvi ser comentado através da mídia haver o melhor portugues 'falado' no Brasil. Não tenho absolutamente nenhum conhecimento real dos comentários e declarações aqui colocadas pelo senhor governador do Maranhão, no entanto gostaria de dizer que conheci o senhor José Sarney (candidato a vice-presidencia) em Sampa ao lado do então na época candidato ao cargo de Presidente senhor Tancredo Neves, ELEITOS foram. Logo após a morte de Tancredo assumiu então a Presidencia e ao meu ver se mostrou muito patriota e reitero que entre outros atos e demonstrações de grande aprêço ao povo brasileiro em geral (ou seja o povão)'ele' criou 'o FISCAL DO SARNEY' - no qual foi atendido e houve muitos benefícios para a população a época. O êrro é humano, todos erramos alguma vez, é preciso avaliar de fato onde é que o povo maranhense errou quando permitiu a presença de tão ilustre cidadão e qualquer outro seu no quadro governamental. Quanto ao senhor governador atual é preciso estar atento a justiça ela tarda mais chega. Assim penso.

Emocionante discurso...certamente não foi redig...

Dr. Sobral (Bacharel - Trabalhista)

Emocionante discurso...certamente não foi redigido pelo signatário. Mas isso não é o mais importante. Destaco que o processo judicial eleitoral não se analisa a partir de premissas infladas de "paixonite política". Valem as provas dos autos. Estas são robustas no caso ora tratado. Portanto, deixemos os ministros da Corte Superior Eleitoral deliberar se houve ou não uso abusivo do poder econômico e político de modo a desequilibrar a disputa para o governo estadual no certame de 2006. Esse combalido Estado do Maranhão, que apresenta indicadores sócio-econômicos comparáveis ao HAITI, não tem mesmo sorte com seus governantes. Duas perguntas ficam no ar: ou o povo desta unidade federativa não sabe realmente escolher seus representantes, ou falta mesmo é gente decente para se aventurar na atividade política por aqui. Votei no governador que divulgou esta nota ora publicada na Conjur, mas me decepcionei com suas práticas governamentais: corrupção (vide Operação Navalha), incompetência administrativa, caos no sistema de segurança, ausência de saúde pública, terror instalado nos pequenos municípios do interior no pós-eleições 2008, nepotismo escancarado e uma série de outras coisas mais. Os brasileiros dos diversos lugares da Nação também precisam saber disso. Vamos, pois, esperar a decisão final do TSE...

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