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Sob pressão

Crise em escritório deve ser vista como oportunidade

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As crises nos escritórios de advocacia podem ser mais positivas do que negativas. A afirmação é do advogado Luís Guilherme Migliora, sócio do Veirano Advogados. Ele participou da palestra Gerenciamento de Crises nos Escritórios de Advocacia, promovida pela Fenalaw, que acontece até quinta-feira (17/5), em São Paulo.

Migliora ressalta que a crise faz parte do negócio e, por esse motivo, deve ser vista como uma oportunidade de crescimento. Ele conta que seu escritório teve vários momentos conturbados. Um deles foi em 1993, quando seu principal sócio decidiu se aposentar. A preocupação dos demais advogados era com a sobrevivência do escritório, já que não tinham planejado nenhuma sucessão.

Segundo ele, a crise fez com que amadurecessem. “Criou-se um grupo muito coeso para enfrentar as demais crises e a anterior foi superada”, acrescentou o advogado. Ele relatou também que a segunda e maior crise do Veirano aconteceu quando decidiram se desligar da sociedade que tinham há 25 anos com o escritório internacional Baker & Mackenzie, para virar 100% nacional.

Com a separação, o escritório começou a ter micro-crises. Alguns advogados se desligaram para representar a banca americana no Brasil e outros permaneceram no Veirano. Anos mais tarde o grupo teve um crescimento acelerado. Em 1996, tinham 10 sócios e dez anos depois (2006) já tinham 280 advogados em oito escritórios espalhados pelo país.

Migliora explicou que a agregação de novos escritórios com outras culturas e políticas diferentes gerou mais uma crise. Assim começaram a repensar na estrutura do Veirano. Nesta reestruturação, criaram um comitê para administrar o escritório. De acordo com ele, a administração ficou centralizada e eficaz.

Ele defende a tese de que todo escritório precisa de um pouco de crise. Acredita que assim os advogados levantarão da cadeira para ir atrás de soluções diferentes. Ressalta que os profissionais devem chamar para si a administração desse conflito. “É preciso tomar as rédeas para que nada mais saia do controle”, destacou.

A comunicação, segundo ele, é um canal eficiente dentro dos escritórios e essa é a maior ferramenta para se evitar esses tipos de surpresa. Migliora assegurou também que é preciso ter uma liderança clara e exercida com muito empenho para que as decisões sejam tomadas rapidamente.

Dicas internacionais

Participaram também da palestra os advogados Richard Nigon, direitor da Robins, Kaplan, Miller & Ceresi LLP e Patrícia Groff, diretora administrativa do escritório Butz Dunn DeSants & Bingham nos Estado Unidos.

Para a diretora, uma das formas de evitar a crise é planejar a sucessão dos escritórios e escolher profissionais com capacidade para liderar. Ressaltou que não é preciso esperar o sócio do escritório morrer para começar a planejar o futuro.

A comunicação também é algo essencial na sua opinião. “Um escritório bem sucedido tem de se preocupar com o relacionamento que leva com o seu cliente”. A advogada disse também que é preciso ter um plano de comunicação antes da crise para que quando ela acontecer os advogados não se tornem menos pró-ativo na ânsia de buscar uma solução.

Explicou que nos EUA toda crise vai parar na mídia. Por isso, há uma grande necessidade de traçar mensagens chaves e contratar uma assessoria para cuidar da imagem do escritório. Disse que é preciso ser honesto com os seus funcionários para evitar boatos. Com essas dicas, segundo ela, a crise pode ser facilmente superada e esquecida pelas pessoas.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 16 de maio de 2007, 20h40

Comentários de leitores

1 comentário

Contudo, a crise por que passa os advogados aut...

Paulo Jorge Andrade Trinchão (Advogado Autônomo)

Contudo, a crise por que passa os advogados autônomos, seguramente que não é a mesma convivida pelas grandes bancas advocatícias. Para àqueles, a situação é muito mais dramática, e a OAB lavas as mãos.

Comentários encerrados em 24/05/2007.
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