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Marketing jurídico

Apesar do Código de Ética, advogado pode fazer marketing

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A melhor propaganda para o advogado, no entanto, é aquela adquirida por um contínuo sucesso no atendimento de seus clientes em todas as suas formas. Os executivos empresariais, de qualquer área, fazem isso. Hoje é muito comum a atividade de coaching, ou seja, do profissional que procura um mentor especializado para ajudá-lo a construir sua carreira.

Não tenho a informação se existe coaching específico para advogados, mas é uma excelente alternativa e que, quem sabe, não precisa ser necessariamente especializada para advogados, pois todos os profissionais de todas as profissões, passam por situações semelhantes, na construção de sua imagem. Já trabalhei na juventude em escritórios de advocacia e também em assessoria de investimentos e os meus orientadores eram profissionais mais experientes do próprio escritório ou empresa, que gentilmente cuidaram pessoalmente da minha formação para satisfazer o que o cliente queria. Foi o melhor aprendizado da minha vida. Passei, bem mais tarde, por processos de coaching, evoluindo ainda mais a minha capacidade de relacionamento com os clientes.

Restam os dois últimos Ps : P de Poder e P de opinião Pública. P de poder é a adaptação da formação do advogado as circunstâncias do poder advindo das leis. Quais são as leis que interessam ao país e que normalmente são mais utilizadas? Qual a tendência em sua evolução? Quais são as mudanças no ambiente político? Sugere-se que o advogado pense nesses assuntos para escolher sua especialização ou mudá-la se necessário. E por último o P de opinião Pública: Existem áreas do direito que entram e saem de moda segundo as ondas de opinião e de mudanças culturais e demográficas, podendo também ser utilizadas para o desenho do Mix de Marketing necessário para a atuação do advogado.

Exemplo claro para se entender a variante demográfica é o famoso baby boom que levou empresas americanas no pós-guerra a se dedicarem a uma previsível evolução no número de crianças e conseqüentemente nos produtos e serviços necessários para elas e seus pais. Quem se adiantou ganhou. Fala-se hoje no old boom, o crescente aumento das pessoas com mais idade. Quem se adiantar vai ganhar, nessa e em outras características da evolução demográfica, política, econômica, ambiental e tecnológica. O P de Poder e de Opinião Pública é de análise obrigatória para o advogado que tenta descobrir como poderá atender melhor as necessidades requeridas pela sociedade e conseqüentemente obter um retorno justo para suas atividades.

O marketing para advogados parece ser difícil e de certa forma é. Todavia o advogado não tem como escapar desse assunto e ao pensar que o marketing não existe para ele, por ser limitado pelo código de ética, estará perdendo uma série de oportunidades para servir seus clientes e conseqüentemente para seu sucesso profissional. Assim, apesar do necessário rigor do código de ética dos advogados, sobram inúmeras alternativas para se fazer um marketing respeitoso e produtivo para se alcançar o sucesso, sobretudo no que diz respeito ao seu preparo intelectual e de relacionamento. Assim atuam e comportam os advogados vencedores e você pode ser um deles.




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 é consultor e professor de Planejamento e Finanças há 33 anos.

Revista Consultor Jurídico, 9 de junho de 2007, 0h00

Comentários de leitores

4 comentários

Prezado Dr. Alexandre Cadeu Bernardes Seu c...

Kallas (Professor)

Prezado Dr. Alexandre Cadeu Bernardes Seu comentário é muito pertinente. Talvez pela complexidade do assunto não tenha ficado claro que o verdadeiro marketing em seu núcleo principal, está fortemente ligado a correta interpretação da lei, inclusive do código de ética. Essa é parte do marketing chamado estratégico que visa desenhar o produto necessário para o cliente. Ao mesmo tempo ele tambem visa pesquisar a necessidade do cliente. O terceiro passo é a construção de uma solução que atenda a um determinado cliente. Sem uma formação primorosa e uma vivência prolongada, esse passo não existe, dando espaço para a existência de um marketing enganoso. Creio ainda que sem esse passo, todos os demais perdem sua consistência, mesmo que favoreçam uma propaganda enganosa sobre o advogado. Este é o núcleo do marketing e de um produto e serviço. Artimanhas para substituí-lo são evidentemente antiéticas. Essa é a razão da necessidade de se compreender corretamente o que é marketing. Penso portanto que nosso ponto de vista encontra sintonia. Agradeço seus comentários e procurarei ser mais claro em outras oportunidades. Luiz Roberto Kallas

É pena que o Dr. Kallas não tenha na exegese o ...

Alexandre Cadeu Bernardes (Advogado Sócio de Escritório)

É pena que o Dr. Kallas não tenha na exegese o seu ponto de apoio, pois, somente com boa interpretação da legislação (aqui incluído o Código de Ética da Advocacia) e do dever de cumprí-la é que poderia ver triunfar a sua tese de marketing jurídico. Lamentável ainda é que nos dias de hoje alguns profissionais não advogados insistam em promover a captação de clientela para alguns advogados que não tiveram tempo de acurar os estudos da história da advocacia e da dignidade da profissão, esquecendo-se que que a maior propaganda do advogado é a sua conduta, curiosamente orientada pelo Código de Ética. Portanto, se há leis que não refletem a vontade social (talvez como o CED da OAB), deve-se lutar para modificá-las - democraticamente -, mas não podemos é querer superá-las de forma alternativa na sua aplicação. Ética é acima de tudo respeito aos postulados do dever ser!

Ótimo artigo, penso no futuro caso o Exame da O...

Rodrigo P. Martins (Advogado Autônomo - Criminal)

Ótimo artigo, penso no futuro caso o Exame da Ordem saia de cena e ingressem 1,9 milhões de advogados. Não haverá network suficiente para manter a maioria dos escritórios, uma vez que sempre haverá um amigo que conhece um advogado ou é parente de um.

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