Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Mercado para advogados

Escritórios de advocacia terão de adotar estrutura mais enxuta

Por 

A advocacia não pode ser considerada, jamais, em tempo algum, “um negócio — eufemismo capitalista que não se adequa à atividade fim. É indubitável que a prática profissional dos operadores de direito mudou muito nas últimas décadas e, tenham certeza, vem ai, mais rápido do que se pensa uma nova e significativa mudança.

Fato é que quando inauguramos nosso escritório, em maio de 1982, já podíamos vislumbrar pequenos e lucrativos escritórios, com ênfase na especialização das suas atividades, em detrimento do velho advogado profissional liberal, que já vinha paulatinamente perdendo espaço.

O verdadeiro “boom” das grandes sociedades de advogados ocorridos na década de 1990, principalmente surgidas na esteira das privatizações, parecia condenar os pequenos escritórios a cerrarem suas portas, enquanto os antigos profissionais liberais eram relegados a uma espécie de limbo jurídico; “Dom Quixotes” do Direito, obrigados a sobreviver das migalhas rejeitadas pelos demais.

Com isto, verdadeiras empresas de direito foram criadas. Escritórios com mais de 300 profissionais, entre advogados, paralegais, estagiários, pessoal administrativo, etc. Isto sem esquecer a competição voraz e hostil que se instalou na advocacia. Mas já se disse que o mercado é dinâmico e implacável e é de solar evidência que para manter rentabilidade, as sociedades de advogados terão de se adaptar aos novos tempos.

Primeiro, brecando seu próprio gigantismo, buscando uma estrutura enxuta, mas que atenda de forma eficiente e rápida aos seus clientes. Segundo, focando o atendimento como meta, aprimorando o conhecimento de seus integrantes adaptando-os aos novos reclames da sociedade e primando pela comunicação com os clientes, mantendo-os inteiramente integrados e bem informados quanto ao serviço que lhes é prestado. Terceiro, mantendo sua prática estritamente dentro dos limites preconizados pelo nosso Código de Ética e Disciplina. Quarto, manter o cliente totalmente vinculado ao escritório de advocacia, ampliando os assuntos oferecidos pela banca (criminal, família, imobiliário, etc).

Enfim, todos os ramos do direito encontrados em uma única sociedade de advogados, multidisciplinar, com poucos profissionais, bem preparados, capazes, portanto, de atender a este novo perfil, o do cliente do século XXI.

 é advogado militante e sócio do Escritório Rocha Miranda Advogados Associados.

Revista Consultor Jurídico, 19 de janeiro de 2007, 17h33

Comentários de leitores

5 comentários

"Não deseje saber tudo, para não ser ignorante ...

TONY BERNARDES (Advogado Autônomo - Empresarial)

"Não deseje saber tudo, para não ser ignorante sobre tudo". (Demócrito) O advogado deve se especializar em uma matéria e aprofundar os seus estudos em determinada área do Direito, buscando o diferencial que reside no conhecimento. Logo, expandir as áreas do direito sem a formação de parcerias sólidas, é denegrir a profissão em razão da baixa qualidade técnica e resultado final.

Interessante notar a frase final do artigo onde...

Advogado - Professor (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Interessante notar a frase final do artigo onde recomenda-se advogados multidisciplinares! No interior, onde tenho minha principal militância, é desta forma que os profissionais agem para não sucumbirem. Um único advogado é capaz (e obrigado por força de "mercado") a se adaptar às mais variadas áreas do direito. No interior a capacitação deve ser extrema. Concordo com o artigo: menor número de profissionais, maiores especializações, conhecimento multidisciplinar.

Infelizmente, o advogado autônomo está perdendo...

Civilistasp (Advogado Autônomo)

Infelizmente, o advogado autônomo está perdendo terreno, ficando com as migalhas e tendo que concorrer com os recém-formados (totalmente despreparados). As grandes causas (para faturar milhões) vão para os escritórios com 200 advogados, onde quem ganha é o sócio majoritário pois os restantes 199 ganham uma miséria.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 27/01/2007.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.