Consultor Jurídico

Arcaísmo nas leis

Peso do Brasil é pequeno, diz presidente do tribunal da OMC

Veja — O que está impedindo o Itamaraty de agir?

Baptista — Não sei. Mas, no estado lamentável em que estão nossos portos e estradas, será que conseguiríamos aumentar nossas exportações de algodão o suficiente? Às vezes, o Brasil obtém uma boa vitória, mas não pode colher seus frutos porque a péssima infra-estrutura impede que as exportações nacionais cresçam na velocidade em que poderiam. Para conquistar mercado, não basta apenas vencer demandas judiciais na OMC. É preciso ser competitivo. Uma coisa não dá resultado sem a outra. O caso do algodão mostra isso.

Veja — O senhor sempre atuou na área do direito internacional?

Baptista — Quase sempre. A única exceção se deu durante o regime militar, quando advoguei para presos políticos. Comecei defendendo um estagiário do meu escritório que era da União Nacional dos Estudantes e foi preso em um congresso. José Carlos Dias, Mário Simas e eu estivemos entre os primeiros a atuar nesse campo, ainda antes da edição do AI-5, que suspendeu as garantias constitucionais individuais no país. Mas a barra pesou para o meu lado. Tive de passar dois anos

Veja — O que aconteceu?

Baptista — Estava defendendo quatro padres dominicanos que eram acusados de subversão. Comecei a receber ameaças, mas não dei bola, porque quem morre na véspera é peru. Um dia, no entanto, meu filho atendeu o telefone e alguém disse a ele: "Se o seu pai não parar com essa brincadeira, nós vamos te matar". Eu cheguei em casa e ele estava chorando. Perguntei: "O que foi?". E ele disse: "Um homem ligou e disse que vai me matar". Meu filho tinha 3 anos. Decidi que era hora de dar um tempo. Aceito correr riscos, mas não estenderia isso à minha família.

Veja — Quem eram esses dominicanos?

Baptista — Eles foram presos, e até hoje muita gente diz que foram torturados para denunciar onde (o terrorista) Carlos Lamarca estava escondido. Um deles era Frei Betto. Aliás, ele é o exemplo de gratidão que ilustra o gênero humano. Agora, não me conhece mais. Não fala nem bom-dia quando me vê. Gozado, não?

Veja — O senhor se arrependeu de defendê-los?

Baptista — Não, mas acho engraçado termos lutado por essa gente, os chamados heróis da resistência democrática no Brasil, e ver o que aconteceu quarenta anos depois. Se você olhar objetivamente o que é que o sujeito fez de bom, ele não fez nada. O maior exemplo disso é o José Dirceu. Ele era um estudante doidão, mais dedicado a namorar as meninas do que a fazer política. Foi preso em um congresso e, como era conhecido no movimento estudantil, o trocaram por um embaixador. O Dirceu foi mandado para Cuba. Ficou lá um tempão. Quando voltou, veio "plastificado", foi viver escondido atrás de uma mulher no Paraná e só depois da anistia mostrou a cara. Onde é que está a luta pela democracia? Mas, como desde pequeno só espero pelo pior, surpreendo-me apenas com as coisas boas da vida.




Topo da página

Revista Consultor Jurídico, 17 de dezembro de 2007, 16h03

Comentários de leitores

1 comentário

Excelente entrevista do Dr. Luiz Olavo Baptista...

Jorge Haddad - Advogado tributarista (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

Excelente entrevista do Dr. Luiz Olavo Baptista que, conhecendo bem os meandros do comércio internacional despiu os mantos que cobrem o descaso do governo brasileiro com a sociedade, se preocupando apenas em arrecadar a qualquer custo, ao invés de fazer deste um País competitivo e poder arrecadar mais em conseqüência do aquecimento da economia. Diante dos tigres asiáticos somos a tartaruga sulamericana. Demonstrou também que tipo de gente forma o chamado 'núcleo duro' do PT no governo. Gente sem nenhuma estatura moral, que ficou famosa por acasos que o destino lhes concedeu, e tira proveito da popularidade se locupletando às nossas custas, sem trabalhar e ainda enchendo as burras do PT com o percentual dos salários que recolhem aos cofres do partido. Mas, como nossos políticos não vieram de Marte, se criaram em nosso meio e foram eleitos por nós mesmos, a culpa é toda nossa e só nossa. Precisamos aprender a escolher melhor e a fiscalizar mais os políticos que elegemos. APRENDE BRASIL!!!!

Comentários encerrados em 25/12/2007.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.