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Os craques do Direito

Quem são e como vivem as estrelas da advocacia paulistana

A revista Veja São Paulo publica na edição que começou a circular este final de semana uma reportagem completa sobre o vigor e a vitalidade da advocacia paulistana. A repórter Marcella Centofanti percorreu os principais escritórios da capital, entrevistou suas estrelas e produziu um relato dinâmico do setor. Entre as descobertas da revista está a de que um grande escritório chega a faturar cerca de R$ 200 milhões por ano e que um sócio-sênior pode receber, em média R$ 60 mil ao mês.

Veja a reportagem:

Berço do mais antigo curso de direito do país, criado no Largo São Francisco em 1827, São Paulo é a capital jurídica brasileira. Por aqui, há 95 000 advogados ativos, número que corresponde a quase metade dos profissionais do estado, ou um quinto do país. Atualmente, cerca de 150.000 alunos debruçam-se sobre códigos, leis e jurisprudências em uma das 222 faculdades paulistas. Quem sobreviver ao crivo da Ordem dos Advogados do Brasil, que no último exame aprovou apenas 9,8% dos inscritos, encontrará um mercado efervescente. À diferença do que ocorre com outras tradicionais carreiras universitárias, como engenharia e medicina, o disputadíssimo mercado sorri para os que mostram talento e competência na área jurídica. A nova fase da profissão começou nos anos 90, na esteira da abertura da economia e das privatizações. Com a globalização, vieram as multinacionais, as fusões e as aquisições – logo, uma tonelada de contratos, processos e... mais trabalho. "Estamos na era do direito", afirma o jornalista Márcio Chaer, criador do site Consultor Jurídico, referência de informações do setor. "A advocacia tornou-se uma indústria, e os escritórios viraram empresas."

Nos últimos quinze anos, escritórios de advocacia mudaram de fato seu perfil. Embora a maioria das 7.622 bancas paulistas ainda tenha estrutura familiar, uma parcela transformou-se numa espécie de loja de departamentos das leis, onde trabalham mais de uma centena de formados e estagiários. Para a compra de um banco, consulte especialistas em aquisições. Demissão em massa? A área trabalhista resolve. Se tiver problemas com a Receita Federal, passe pelo setor dos tributaristas. Nesses endereços, o cliente resolve qualquer tipo de pendenga corporativa. Administrados por CEOs, eles oferecem planos de carreira e treinamentos a seus funcionários. Estamos falando dos superescritórios, que empregam de 300 a 400 advogados cada um e podem faturar cerca de 150 milhões de reais por ano. Sete deles se destacam, seja pelo número de advogados, seja pelo faturamento: Pinheiro Neto; Machado, Meyer, Sendacz e Opice; Trench, Rossi e Watanabe; Demarest & Almeida; Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga; Leite, Tosto e Barros; e Tozzini, Freire, Teixeira e Silva.

Em quantidade de advogados, o Tozzini, Freire lidera esse ranking, com 428 profissionais, incluindo os 53 sócios (em 1991, antes das privatizações, tinha apenas onze advogados). É o último dos grandes escritórios a funcionar no centro, perto dos tribunais – seus concorrentes hoje estão principalmente nas zonas Sul e Oeste da capital, mais próximos da clientela. Mas por pouco tempo. Em duas semanas, uma caravana de caminhões estaciona na Rua Líbero Badaró e segue para a Rua Borges Lagoa, na Vila Clementino. Um dos maiores entusiastas dessa mudança foi Syllas Tozzini, que comanda o escritório ao lado de José Luis de Salles Freire. Sócios desde 1977, eles se conheceram há 43 anos no Colégio Santo Américo, que ficava em Santa Cecília. Freire cuida do lado comercial e dos relacionamentos no exterior, enquanto Tozzini é uma espécie de clínico-geral do escritório. Elabora manuais de orientação sobre os mais diversos temas jurídicos, estuda a nova legislação e investe na carreira de seus profissionais.

Formado no Largo São Francisco, Tozzini iniciou sua carreira no Demarest & Almeida. Logo ficou conhecido por suas extravagâncias. Nos tempos de estagiário, certo dia apareceu para trabalhar num terno cor-de-rosa (cena inimaginável para quem o vê hoje em bem cortadas roupas inglesas e sóbrias camisas sob medida). Morador do último piso de um prédio em Higienópolis, Tozzini comprou o 1º andar para abrigar sua biblioteca com mais de 5 000 títulos. Lá, ele guarda livros sobre a história de São Paulo, como uma encadernação de jornais de 25 de janeiro de 1954, que registraram os 400 anos da capital. Entre as paixões estão o Corinthians e a série O Senhor dos Anéis, da qual tem mais de 100 edições, algumas ainda embaladas. "Meu personagem favorito é o Gandalf", diz ele, referindo-se ao mago da trilogia interpretado na tela pelo ator britânico Ian McKellen. "Você leva um tempo para descobrir em que lado da história ele está." Freire, que viaja para o exterior de seis a oito vezes por ano, já contribuiu para a coleção do sócio. Os dois não varam mais as noites no escritório, mas estão sempre de olho nos mínimos detalhes. Tozzini, por exemplo, lê aleatoriamente algumas cópias de correspondências que foram enviadas pelo escritório para checar como anda o português de seus funcionários. Freire faz questão de atender pessoalmente clientes importantes, ainda que não esteja cuidando diretamente do processo. "Crescemos em função da competência, da estratégia e da vontade de investir no próprio negócio", afirma ele, que arruma tempo para jogar tênis, correr e fazer musculação de segunda a sexta.

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Revista Consultor Jurídico, 21 de outubro de 2006, 11h47

Comentários de leitores

7 comentários

É bom e saudável fazer um contra-ponto. A Consu...

paulo (Advogado da União)

É bom e saudável fazer um contra-ponto. A Consultor poderia mostrar como vivem outras "estrelas" do direito em São Paulo, como aquela divindade jurídica do mundo tributário que emitiu um parecer favorável nas falcatruas do forum trabalhista de São Paulo. Todos foram presos, menos a divindade. Os grandes escritórios mercantilistas não vivem pela competência, mas porque, em segundo grau e nos tribunais superiores nunca existiu a figura do advogado, e sim de LOBISTAS. Hoje em dia, também, voce não somente pode encomendar um "parecer" altamente judicioso, como igualmente comprar o "parecerista".

ACHO SUPER-MEGA->>>ANTI-ÉTICA todas essas notí...

RAFAEL ADV (Procurador do Município)

ACHO SUPER-MEGA->>>ANTI-ÉTICA todas essas notícias e artigos do site que promovem determinados advogados ou escritórios.... falta só colocar um outdoor....... como por exemplo aquela notícia com os advogados ditos "top of top de preferência das empresas etc e tal" Parece notícia paga... fui...

Tem uma perguntinha que eu não consigo responde...

Paulo (Outros - Civil)

Tem uma perguntinha que eu não consigo responder, e os experts hão de me entender e explicar: se um escritório desses comentados na notícia chega a faturar 150 milhões de reais por ano, como pode um sócio receber apenas 60 mil por mês? Será que a 'participação nos lucros' é o fator que tira essa desvantagem?

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