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Triste do anel

Vamos deixar cada profissão para quem de fato é capacitado

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“Tirei o meu anel de doutor para não dar o que falar.” Bons tempos estes em que um anel de formatura era um grande símbolo de status e respeitabilidade. Hoje, não só o anel saiu de moda como também o orgulho de se ter um curso superior.

Nosso escritório recebe um volume considerável de currículos de bacharéis, a maioria se propondo a funções não ligadas diretamente ao Direito, por não terem conseguido passar no Exame da OAB. Da mesma maneira, os que já garantiram suas inscrições na entidade aceitam trabalhar independentemente do salário que venham a receber. Esses jovens — e alguns nem tão jovens assim — perseguiram o sonho de um dia terem uma carreira que já foi idealizada por várias gerações. Temos uma profissão que era o desejo de todos os pais, que orgulhosos afirmavam: “Meu filho vai ser engenheiro, médico ou advogado. Quero o melhor para ele”. A atual realidade, porém, mostra-nos como eles estavam enganados.

O mercado de trabalho jurídico está saturado. A concorrência está cada vez mais predatória. De um lado, profissionais seniores vêm abandonando as grandes bancas em busca de oportunidades nos pequenos e médios escritórios. De outro, há uma leva de advogados que saem para mudar de área, abrir seu próprio negócio, e tornam-se vendedores, taxistas e etc.. Não se encontra mais espaço na profissão e, além disso, o leilão de honorários já é uma prática corrente. Nossas qualidades e respeitabilidade são, freqüentemente, postas em cheque.

As faculdades de Direito jogam no mercado, todos os anos, uma média de 60 mil recém-formados. Faculdades que, em sua grande maioria, fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem. Basta ver os resultados dos exames de admissão na OAB dos últimos anos. Uma única agência de seleção e recrutamento de profissionais chega a entrevistar, semanalmente, 140 pessoas para a área jurídica. O que fazer diante desta realidade?

A meu ver, a solução mais óbvia é de se pensar, em primeiro lugar, na aptidão profissional, em um teste vocacional. Em seguida, fazer uma análise aprofundada da qualidade da instituição de ensino que se pretende cursar, e não optar pela mais fácil de se entrar. Em terceiro lugar, verificar se a sua formação básica lhe permitirá concorrer em igualdade com os demais e, por fim, certificar-se de que terá paciência o suficiente para enfrentar a morosidade da nossa Justiça, a qual leva muitos clientes a pensarem que somos incompetentes em razão do tempo despendido para se resolver até a mais prosaica questão.

Há de se pensar e repensar o futuro dessa nova geração que pretende ingressar na área. Atualmente, temos setores da economia muito promissores e rentáveis. Vamos deixar algumas profissões para os realmente capacitados, pois o país está carente de bons técnicos. Vamos valorizar profissões que ainda não tem a sua devida importância reconhecida. Assim, quem sabe, brevemente voltemos a ter — para a alegria dos joalheiros — a necessidade da criação de vários modelos de anéis, que identificarão essas novas funções.

 é advogada trabalhista e sócia da Sylvia Romano Advocacia, em São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 4 de novembro de 2006, 7h00

Comentários de leitores

5 comentários

Por que nao existe teste de avaliação com médic...

Edimilson (Outros)

Por que nao existe teste de avaliação com médicos na minha houve falecimento por erro médico,quem fiscaliza e´o cremesp agora pra mover uma ação civil é quase que impossivel até agora não consegui um advogado por que tenho que esperar a pericia do CREMESP só DEUS sabe quando vou ter uma resposta.

Você não me entendeu, ou melhor, não me fiz cla...

Band (Médico)

Você não me entendeu, ou melhor, não me fiz claro. O que eu digo é que além da enxurrada de proponentes, o governo ainda está propondo diminuir os requisitos para alguns advindos de escola pública que não conseguem uma formação competitiva, passarem nos vestibulares com notas mais baixas. Ao fazer isto estes alunos precisarão no futuro de cotas para passar na OAB. E que em engenharia ou medicina, por não existir esta avaliação, quem vai fazer o teste de qualidade vai ser o consumidor. Vai descobrir na própria carne que cotas podem ser um tiro no pé!

Enquanto não for mudado o estatuto da OAB, para...

CAOVAZ (Advogado Autônomo - Civil)

Enquanto não for mudado o estatuto da OAB, para que se permita que o advogado possa divulgar com maior tranqüilidade seu escritório, jamais, se conseguirá que os novos militantes alcancem um lugar ao solo, que hoje tem plena predominio dos grandes escritórios. Com uma nova política e mentalidade globalizada, é que, de fato, se comprovará que os caminhos estarão abertos para às oportunidades.

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