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Lentidão da consciência

Sem recurso vazio e vaidade, Justiça pode se tornar eficiente

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Cada dia é mais crescente a necessidade que todos temos de informação e de uma espécie de sentimento de urgência que se incumbe dela. Relacionado a isso, temos a questão da (tão mencionada) morosidade da Justiça e das inúmeras possibilidades de procrastinar o exercício efetivo dela com um sem número de recursos e pseudo-providências.

Aliado a todas essas possibilidades, discute-se sobre ética e moralidade, como se a idéia de uma e de outra estivesse dissociada das questões debatidas numa sociedade que busca enaltecer-se às custas de uma vaga idéia de passado, composto de méritos por uma angústia generalizada sobre a vaidade e o autoritarismo.

O profissional do Direito, qualquer que seja ele, precisa se esvaziar desse temerário sentimento de poder que nos invade quando conhecemos um pouco mais que os outros sobre as leis que nos regem, para que, com clareza, seja possível delimitar o ponto chave entre a procrastinação vazia e sem sentido e a necessidade real (e leal) da busca pela reforma de uma decisão judicial eivada de equívocos ou de entendimentos entediantes.

É necessário (e precioso) buscar dentro de si mesmo, pessoa humana e com necessidades humanizadas, o valor de cada questão, questionando-se, na seqüência, sobre o quanto de necessidade real há na desvalorização de uma decisão, apenas por que se pretende espernear por uma resposta mais adequada à nossa (cada dia mais) necessidade de vitória em (quase) tudo que é realizado.

Não é fácil — nem cômodo — estar diante de alguém que nos incumbe como porta-vozes de sua insatisfação e necessitar dizer a verdade que, certamente, não é a versão mais bacana de ser ouvida. Nem diante de nós mesmos.

Mais difícil ainda negar cumprimento a uma tarefa que nos aflige num momento em que ela pode representar a diferença numérica num mês menos generoso. Contudo, faz-se cada dia mais urgente a capacidade que o homem tem de informar-se não apenas daquilo que lhe é externo, mas, sobretudo, daquilo que, por não ser aprendido, lhe é mais aprimorado, a sua capacidade de discernir entre o economicamente rentável e o moralmente oneroso.

A lentidão da Justiça é um problema real e cheio de nuances técnicas. Mas, a lentidão das consciências nos parece tão grave quanto.

Se menos é mais em tantas coisas, talvez menos recursos vazios, menos vaidade, menos folhas recheadas de quase nada signifique, num futuro próximo, uma Justiça com jota maiúsculo mais rápida e muito mais consciente do seu papel social. E isso nos interessa muito.

 é advogada no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 12 de março de 2006, 7h00

Comentários de leitores

1 comentário

Sobre a moralidade exigida atualmente, com ampl...

Nado (Advogado Autônomo)

Sobre a moralidade exigida atualmente, com ampla divulgação da indignação externa: eu concordo com todo fortalecimento da moral, mas creio que somos manipulados, como se fosse para o nosso bem, enquanto trabalhamos é para o inimigo... Vejamos a questão atual sobre o teto salarial para o Judiciário... Tudo bem... Tudo bem... Acredito que possa haver abusos e grave injustiça. Mas já ouvi dizer que o Executivo contrata temporariamente e sem concurso, pagando honorários astronômicos. Alguns extinguem cargos efetivos e criam cargos de confiança cujo salário individual supera a soma dos vencimentos efetivos anteriormente excluídos. AGORA, o que o povo esquece e também este universo crítico sem identidade é que tudo nasceu de imposição externa. E eu pergunto: sobrando dinheiro em caixa vai para quem? Para o "superávit"! E quem controla e controlou a multiplicação da nossa dívida? E quando o câmbio não era livre (e isto até FHC) e os EUA simplesmente exigiam maxi-desvalorizações da nossa moeda? E quem fixava e fixa e ainda amplia os juros de nossa dívida externa? Quem pode me dizer como esta dívida foi construída e em que papel ela está definida, inclusive, com algum controle ou previsão sobre os juros? Ah, todo mundo é contra o calote, mas o contrato que nos obrigaria ninguém mostra!!! E o STF, tão serviente (como os nossos grandes empresários com negócios lá fora), com seu Presidente tão afinado ao FMI, nada declara sobre nossa dívida: o maior mistério da nação, um tesouro estrangeiro escondido sob nossas barbas !!!

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