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Liberdade de imprensa

Jornalista paraense é agredido pelo diretor do jornal O Liberal

Uma rixa entre um empresário e um jornalista acabou em pancadaria em Belém do Pará. Na sexta-feira (21/1), o jornalista Lúcio Flávio Pinto foi agredido num restaurante por Ronaldo Maiorana, diretor-corporativo das Organizações Maiorana -- que edita o jornal O Liberal e retransmite a programação da Rede Globo de Televisão no estado.

O motivo da agressão foi um artigo publicado por Lúcio Flávio, em seu Jornal Pessoal, com críticas à atuação política do grupo de imprensa (leia o texto abaixo).

Maiorana teria se levantado da mesa onde estava e desferido socos e pontapés no jornalista, pelas costas. “Como uma pessoa pode se sentir estimulada a entrar num restaurante lotado, onde está a sede da secretaria de Cultura, para agredir um crítico seu? Ele estava querendo mostrar seu poder diante de todos”, opina Lúcio Flávio.

Ronaldo Maiorana estava acompanhado por dois seguranças, policiais militares da ativa. O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti, afirmou que vai aproveitar a audiência que tem nesta terça-feira (25/1) com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para relatar o caso e pedir providências. Lúcio Flávio é conselheiro da SBPC.

O diretor de O Liberal, que é coordenador da Comissão de Defesa a Liberdade de Imprensa da seccional paraense da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou ao portal IG que deu apenas um tapa no pescoço do jornalista.

Maiorana também confirmou que ameaçou o jornalista de morte, mas atribuiu o fato ao calor do momento: “Foi um erro meu. Uma pessoa indignada fala uma série de besteiras”. Ele ainda disse que a confusão começou porque um amigo de Lúcio Flávio foi até sua mesa para provocá-lo.

Leia o texto de Lúcio Flávio Pinto

O rei da quitanda

O poder de Romulo Maiorana Júnior, o principal executivo do maior grupo de comunicação do Norte do país, contrasta com a situação de um Estado destituído de informação, de opinião e de posição. O grupo Liberal é mais poderoso do que o Estado no qual atua. Mais do que um título, esse é um epitáfio: o que lhe dá força é o que enfraquece o Pará.

Aos 45 anos, Romulo Maiorana Júnior é um dos homens mais poderosos do Pará. Exibe esse poder de várias maneiras. Em duas semanas seguidas, entre o final do ano passado e o início deste mês, ocupou páginas e páginas de seu jornal, O Liberal, com fotos e mais fotos suas, registrou seu repentino segundo casamento, o recebimento do título de um dos líderes setoriais nacionais no setor de comunicações (outorgado mais uma vez pelo jornal Gazeta Mercantil no "Fórum de Líderes Empresariais") e uma visita exclusiva ao Mangal das Garças, antes da inauguração da obra pelo governo do Estado, como que para sacramentá-la.

Rominho é jornalista, mas nenhum dos editoriais bissextos publicados em O Liberal com sua assinatura foi escrito por ele. Falta-lhe a mais remota das intimidades com as artes e ofícios do jornalismo. Já viajou por meio mundo, mas não fala uma língua além da que traça com alguma dificuldade desde o nascimento. Não se conhece nenhuma contribuição original do seu intelecto, na forma de livro, palestra ou mesmo conversa informal.

Quando se permite sair do seu círculo íntimo, contempla os circunstantes com um ar blasé de enfado que nada tem a ver com a iconoclastia do déjà-vu. É desinteresse mesmo, ou alheamento. Conta-se que na jornada da campanha Andando pelo Pará, em Santarém, depois de subidas e descidas, vais-e-vens, fez sua primeira - e talvez primal - observação com a pergunta: este rio é o Tapajós? Ninguém fez pim-plim, mas bem que podiam chamar os nossos comerciais. Ou fazer baixar o pano.

Está aí, justamente, uma das fontes principais do poder de Romulo Júnior: a TV Liberal é uma das afiliadas da Rede Globo de Televisão. Essa conquista multiplicou a força que a corporação tinha quando o pai dispunha apenas de um jornal, já em carreira ascendente contra dois concorrentes, a Folha do Norte pré-moribunda e A Província do Pará claudicante. A retransmissão das imagens da Globo era feita pela TV Guajará, de Lopo e Conceição de Castro. Mesmo com todo trabalho de aproximação que empreendeu junto a Roberto Marinho, Romulo Maiorana pai não teria conquistado o trunfo se não contasse com a imperícia do antigo afiliado.

Na época, RM não pôde proclamar a vitória. Havia um veto não assumido dos militares dominantes ao seu nome. Associavam-no a uma das expressões dos maus hábitos políticos locais, de mãos dadas com negócios escusos, que atraía o furor moralista do regime estabelecido em 1964: o contrabando. Romulo tinha ligações com esse mundo por suas duas vertentes: o próprio contrabando e o pessedismo, centrado num homem pessoalmente honesto, Magalhães Barata, o maior líder político do Estado, cercado de corruptos por todos os lados. Dea, viúva de Romulo, é sobrinha de Barata.

Revista Consultor Jurídico, 24 de janeiro de 2005, 21h40

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