Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Espelho, espelho meu.

População confunde funções do Judiciário e da Polícia, diz Ibope.

A violência é um tema relevante em todos os segmentos pesquisados. A sensação de que o cidadão vive constantemente amedrontado está presente nas cidades avaliadas, com ênfase entre paulistas e cariocas.

A corrupção também é um tema recorrente em todos os grupos. É um mal que se constata em geral, de forma um tanto quanto difusa em diversas áreas e hierarquias de órgãos públicos do país. Não há um foco exclusivo, embora políticos, policiais, fiscais e juízes sejam os profissionais mais associados. A corrupção atinge o indivíduo de forma indireta, uma vez que é percebida como um obstáculo ao desenvolvimento da Nação.

Violência e corrupção também comprometem a imagem do país e de seu povo, prejudicando os intercâmbios com o exterior (comércio, turismo) e a auto-imagem.

Embora não de forma generalizada, o público pesquisado começa a revelar interesse e preocupação com a questão da imagem nacional, argumento debatido nas classes AB.

“Neste momento, acho que o Brasil está um caos, gente desempregada, salários baixos, juros altos...” (Adulto, AB+, Porto Alegre).

“Eu espero que haja menos desemprego, porque atualmente está horrível!... Empregos não estão caminhando, a população não está caminhando...” (Jovem, CD, São Paulo).

“Está tudo muito ruim... Lula vai ter que começar a agir, se não o Brasil vai para um buraco ainda maior.” (Adulto, C/D, Rio de Janeiro).

Embora seja mais fácil falar sobre o que vai mal no país, sem dúvida, há aspectos positivos que alicerçam a esperança para o futuro. Estas questões favoráveis se referem à postura do povo, à percepção de maior transparência e ao movimento de reformas.

Os participantes avaliam que a postura da população é hoje mais participativa no país. Particularmente em São Paulo e Porto Alegre, o “episódio Collor” é referido como um “marco” do exercício pelo povo do poder para mudar os rumos do país, e, também, da descoberta do seu potencial como agente de mudança.

Conseqüentemente, parece estar em desenvolvimento a noção e a conscientização de cidadania. As pessoas comuns se consideram importantes, responsáveis e, de algum modo, também participantes de mudanças futuras. Mesmo que não saibam ainda como interferir de forma mais efetiva, ou mais concreta, percebe-se que estão, no mínimo, atentas ao que ocorre na sociedade e no governo.

É muito forte nos grupos o sentimento de que cabe a todos trabalhar para a melhoria do país, atribuindo-se a responsabilidade pela situação atual a um conjunto de elementos: povo, poder público e civil.

Mas num cenário de desencanto com o poder público em geral, a mobilização e participação da população, bem como da iniciativa privada, através dos empresários, adquire, na percepção dos participantes, caráter fundamental na condução do país para um futuro melhor.

Porém, observa-se nos participantes que a maior expectativa fica em torno da atuação poder público, principalmente do Presidente da República.

O empenho político (governamental) nas reformas na esfera pública (como Previdência, Tributária, Judiciário) é visto sob ótica muito positiva, mesmo quando as reformas em si são pouco compreendidas ou, eventualmente, desagradam. O importante é que há algo sendo feito, sendo realizado. Assim, a atitude e os indicativos de esforços para implementar mudanças reforçam as expectativas de melhoria de vida do cidadão.

Outro sinal positivo é sem dúvida o de maior transparência em relação ao que ocorre no país, particularmente na esfera pública. Os participantes afirmam que, apesar de ainda existir muita impunidade, a prisão e cassação de ocupantes de cargos de alto escalão, o desmonte de quadrilhas e grupos de poderosos criminosos têm sido mais intensa.

Neste ponto, vale ressaltar a importância da mídia, como principal fonte de referência e também de influência. Em todos os segmentos pesquisados, a TV, rádio e os jornais constituem as principais fontes de informação e formação de opinião.

Segundo os grupos, nos últimos tempos no Brasil, os escândalos têm recebido uma cobertura mais acirrada (independente do mérito de credibilidade dos veículos de comunicação), que tem exercido, acreditam, importante pressão para moralização das instituições.

Cabe enfatizar ainda a importância atribuída à educação para a construção da consciência da população, como base de mudança para o povo. A educação écitada em todas as cidades, particularmente em São Paulo, como “agente” fundamental para o futuro do país.

Os participantes foram convidados a relacionar o que acreditam estar no “caminho certo” no país, assim como o que está no “caminho errado”:

CERTO

Povo mais participativo/

esperançoso/ informado;

Revista Consultor Jurídico, 13 de outubro de 2004, 18h47

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 21/10/2004.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.