Consultor Jurídico

Falência institucional

Falta criatividade na Justiça, afirma presidente do Tacrim de SP.

Faltam criatividade e ação à Justiça brasileira, que se fosse uma instituição privada já estaria lacrada com um carimbo de falência. A opinião é do juiz José Renato Nalini, presidente do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo.

Ele falou, nesta segunda-feira (29/11), sobre o papel do Judiciário na sociedade contemporânea no ‘Congresso Internacional de Direito’ ao lado do professor Charles Cole, da Universidade Samford.

Nalini afirmou também que, no mundo atual, a Justiça não consegue imprimir a velocidade que a sociedade exige. “Estamos chegando no terceiro milênio atrasados”, advertiu. Ele criticou, ainda, o concurso para juízes que exige boa memória do candidato, enquanto a função de magistrado deve ser “um solucionador de problemas”. “Precisamos de obreiros”, alertou.

Já o professor americano Charles Cole frisou a força da Constituição dos Estados Unidos. Lembrou que a Constituição americana tem 250 anos e ao longo desse período foi alterada somente 27 vezes. Destacou também o poder da Alta Corte dos EUA, afirmando que quando os juízes tomam uma decisão nem os parlamentares reunidos no Congresso conseguem alterá-la.

O evento, em comemoração aos 130 anos do Instituto dos Advogados de São Paulo, vai até esta quarta-feira (1º/12). O Congresso é na sede da entidade. Outras informações podem ser encontradas no site do IASP.

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Revista Consultor Jurídico, 30 de novembro de 2004, 16h16

Comentários de leitores

6 comentários

Concordo com o i. Juiz Presidente da TACRIM no ...

Eduardo Augusto Favila Milde (Advogado Assalariado - Empresarial)

Concordo com o i. Juiz Presidente da TACRIM no que tange a falta de criatividade e aos concursos. Os concursos no Brasil são curiosos. Muitos são pura "decoreba". Para não falar de um concurso de Procurador da Fazenda Fazendário que eu fiz e não caiu nenhuma questão sobre a Lei de Execução Fiscal e a questão aberta foi sobre licitações...

só pra completar: imaginem se nas empresas priv...

Ageu de Holanda Alves de Brito (Professor Universitário - Empresarial)

só pra completar: imaginem se nas empresas privadas existisse esta tal de estabilidade? Muitas estariam com aquele carimbo de falência...

Tem integral razão o Dr. Nalini. Nossa Justiça ...

Jose Antonio Dias (Advogado Sócio de Escritório)

Tem integral razão o Dr. Nalini. Nossa Justiça faliu de fato. Só falta a lacração, de direito. A criatividade só existe antes da falência. Depois de decretada a falência é apurar o ativo e pagar o passivo e mover o inquerito judicial em face dos responsáveis que deixaram a Justiça ir a garra. Quem são os responsáveis: nós advogados; os juizes; os desembargadores; os ministros judiciais o os servidores da justiça, que sabiamos que o barco estava naufragando e nada fizemos para salvá-lo.

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