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Escândalo da Mandioca

Morte de Pedro Jorge de Melo em Pernambuco completa 21 anos

Há 21 anos foi assassinado o procurador da República em Pernambuco, Pedro Jorge de Melo e Silva, que investigava o "Escândalo da Mandioca". O procurador foi um dos mais ativos investigadores do esquema que forneceu mais de 300 financiamentos irregulares e sangrou os cofres públicos.

Na década de 80, grandes fazendeiros de Floresta (PE) pegavam empréstimos na agência local do Banco do Brasil. Simulando "frustração da safra", os fazendeiros não pagavam a dívida e desviavam o dinheiro público.

Quem denunciou o caso, em 1981, foi o tenente da polícia militar David Jurubeba. Ele se revoltou por não conseguir o financiamento que pediu ao banco. A acusação atingiu diretamente políticos, militares, fazendeiros e banqueiros da cidade.

Os empréstimos eram concedidos a pessoas de nomes fictícios. Geralmente, eram fazendeiros pobres que assinavam, sem tomar conhecimento, os documentos bancários e se tornavam devedores do banco.

Depois da denúncia, o procurador passou a receber várias ameaças, que se cumpriram antes que as irregularidades fossem apuradas. Pedro Jorge foi assassinado no dia 3 de março de 1983.

O mandante do crime, o ex-major da PM José Ferreira dos Anjos, e o pistoleiro Elias Nunes Nogueira, que executou os disparos, foram condenados a trinta anos de prisão. Elias cumpriu apenas um terço da pena. José Ferreira fugiu do quartel da Polícia Militar e passou 12 anos foragido.

21 anos depois...

Dos 22 acusados, apenas 4 foram condenados. Em outubro do ano passado, a presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Margarida Cantarelli, expediu mandado de prisão de José Ferreira e de outros três envolvidos. Capturado em Recife, o ex-major tentou convencer a opinião pública de sua inocência.

Os 26 envolvidos com o desvio responderam pela quantia que hoje corresponde a R$ 20 milhões. O processo para apurar a fraude relata uma série de crimes contra a União, como desvio e apropriação de dinheiro público federal, uso de documentos falsos, corrupção ativa e passiva e falsidade ideológica.

A competência do foro para o julgamento de deputados, o grande número de acusados e o cumprimento de cartas precatórias para interrogatórios e depoimentos causaram a demora no julgamento do processo. (PGR)

Revista Consultor Jurídico, 3 de março de 2004, 15h36

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