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Orelha em pé

Pesquisa releva perfil dos participantes do Fórum Social Mundial

O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial estão entre as instituições que mais geram desconfiança entre os participantes do Fórum Social Mundial. Mais de 85% dos participantes do Fórum que aconteceu em Porto Alegre (RS), em janeiro de 2003, disseram não confiar nestas instituições, de acordo com pesquisa inédita divulgada nesta quinta-feira (8/1), pelo Instituo Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).

A divulgação ocorre às vésperas do início do IV Fórum Social Mundial, que, pela primeira vez, acontecerá fora do Brasil, em Mumbai (antiga Bombaim), na Índia, entre os dias 16 e 21 de janeiro. O Fórum é considerado o maior encontro internacional da sociedade civil organizada e já reuniu, em suas três versões brasileiras (2001, 2002 e 2003, todas em Porto Alegre), mais de 170 mil pessoas.

A pesquisa, feita sob a coordenação da Secretaria Internacional do Fórum -- composta por oito entidades, entre elas o Ibase --, ouviu 1.500 participantes do evento (delegados, ouvintes e acampados) de 2003. Formatada em livro, está sendo lançada como um dos volumes da Coleção Fórum Social Mundial. O objetivo da publicação é contribuir para a memória do Fórum, bem como sistematizar os debates, palestras e conferências.

A pesquisa revela que mais da metade dos participantes (64,9%) está engajada em um movimento ou organização social. A imensa maioria (84%) define-se como sendo do campo político da "esquerda". Embora a desconfiança com relação a instituições do Estado em geral seja alta (particularmente polícia -- 74,5% -- e Judiciário -- 58%), a maioria acredita que a democratização dos governos (79%) e de organismos como a ONU (63%) é um caminho eficaz para a construção de "um outro mundo" (o lema do Fórum é "outro mundo é possível"). Já o apelo para a ação direta e o uso da força como meio de luta política é defendida por uma ínfima parcela dos participantes -- apenas 8%.

Dividida em três capítulos -- Características dos participantes; Engajamento na luta social e política; e Opiniões sobre a agenda pública de debates --, a pesquisa compõe um amplo painel das pessoas que compareceram ao Fórum de Porto Alegre em 2003 - desde as categorias educacionais, passando por opção sexual, até opiniões a respeito da globalização. "A pesquisa, ao proporcionar um maior grau de conhecimento sobre os participantes, certamente contribuirá para o processo do Fórum como espaço de fortalecimento da emergente cidadania planetária", resume Cândido Grzybowski, diretor do Ibase.

Confira alguns números da pesquisa:

-- Dos participantes do FSM em Porto Alegre, 51% eram mulheres e 49% homens.

-- Participaram representantes de mais de 130 países.

-- 85% dos participantes credenciados eram brasileiros. Entre os estrangeiros, a maioria era de argentinos (13%), seguidos de uruguaios, chilenos, paraguaios, franceses e americanos.

-- Perfil jovem: 62,7% dos participantes tinham entre 14 e 35 anos.

-- Escolaridade é elevada: 27,5 % tinham o grau superior completo; 9,7% tinham mestrado e doutorado e 36,2% possuíam o superior incompleto.

-- Partidos políticos: 62% não eram filiados a partidos políticos.

Revista Consultor Jurídico, 8 de janeiro de 2004, 10h07

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