Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Caso Sahione 3

Congratulo-me com o inelutável artigo (Consultor Jurídico) de Félix Soibelman, vez que, nesses tempos bigbrotherizados, nos quais os Exmos. Srs. Drs. Câmeras de TV e Microfones Ocultos se arvoram nos poderes da Santíssima Trindade -- isto é, atuam como Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário -- imiscuindo-se nas tarefas de realizar investigações e condenar quem quer que seja.

O mais quasimodesco em toda essa história está no fato de o papel dos repórteres ser nulo: qualquer criatura com rudimentar inteligência simiesca pode ligar uma câmera ou um microfone (um chimpanzé bem-treinado, por exemplo).

Não adentrando o mérito da questão, isto é, se os réus defendidos pelo Dr. Sahione são ou não culpados, indago: que chances teriam os patrocinados, com a prévia condenação realizada pelos meios de comunicação?

O Big Brother, personagem orwelliano, foi plasmado pelo autor, na célebre obra 1984, como uma criatura opressora, diante da qual seus súditos, conquanto conformados, se sentiam oprimidos, deprimidos, castrados. Todavia, George Orwell jamais imaginou que sua criatura viesse a ser admirada, desejada por todos, em uma simbiose doentia - da qual faz parte, também e tristemente, a OAB.

Ilustre colega, abortaram os 12% de nossa Carta Mater (art. 192, § 3º) na maior sem-cerimônia, diante dos olhos morféticos de nossa instituição de natureza sui generis (será que essa natureza jurídica é que não torna a função da OAB obnubilada?)!

No entanto, a única manifestação significativa exarada pela instituição em nosso Estado do Rio foi a suspensão do Dr. Clóvis! Para quê? Agradar a olhos e ouvidos eletrônicos? Realmente, o Estado Brasileiro é o bandido-mor, que permite que o país seja entregue ao bel-talante das agências reguladoras (cujos funcionários sequer realizam concurso!), dos bancos (embora meio démodé citar Brecht, seu apotegma a respeito desses traficantes de dinheiro é impagável: "o que é roubar um banco perto de fundá-lo?!"), e ainda por cima permite que um advogado digno e honrado seja achincalhado em virtude de não abrir mão de pôr em prática, em toda sua plenitude, em prol de seu cliente, o exercício da ampla defesa e seu correlato direito de não produção de provas em seu desfavor, erigidos à categoria de cláusulas pétreas!

Por essa e por várias outras razões é que nos últimos anos, das turmas de bacharéis recém-formados, poucos desejam militar na advocacia, preferindo a carreira pública (um dia as tetas da viúva secarão de vez). Vergonhoso o posicionamento de avestruz da OAB. Preferiu o aplauso fácil e pusilânime ao apupo - aquele se esquece rapidamente; este, além de inolvidável, pode se transmudar em consagração. Villa Lobos também foi vaiado, muito antes de ser ovacionado.

Em conclusão, reitero minhas homenagens a manifestação legítima e escorreita e que, ao revés do que se pode supor, encontra eco na maioria dos corações e mentes dos advogados militantes, cônscios de seus compromissos com seus clientes e com o Estado Democrático de Direito.

Atenciosamente

Luiz Fernando Stamile Racco

Leia o artigo citado pelo leitor:

10/7/03 - Caso Sahione

Inviolabilidade foi enxovalhada pela Ordem do Rio

Revista Consultor Jurídico, 14 de julho de 2003, 11h09

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 22/07/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.