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Papel do gestor jurídico corporativo mudou e requer novas habilidades

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Quantas vezes almejamos essa posição, esse status. Pensou nisso? Pois esqueça. Se você ainda é da era que acredita que o bom gestor é aquele que se mantém intacto, expondo gloriosamente o cargo que ocupa, tudo proveniente de um cartão de visitas, de boas recomendações e de um currículo invejoso, você provavelmente está com os dias contados.

Esses fatores podem contribuir para que você chegue na condição de gestor, porém, se não desenvolver algumas habilidades e virar essa chave dentro de você, essa condição durará por período determinado.

O novo gestor é aquele que tira da própria imagem o louvor do cargo. Assume uma postura pró ativa em relação às competências que lhe são atribuídas e direciona a sua energia para os resultados, de forma simples, direta, transparente e alinhado com os valores da empresa.

O primeiro papel que se destaca neste novo contexto é a importante aliança em Jurídico e compliance e se você ainda não se adaptou a este novo formato, aconselho que o faça. As duas áreas devem seguir juntas, de mãos dadas e em parceria para que atendam às expectativas da empresa.

Em tempos de ética, regras de governança e transparência nas relações, além, é claro, do compartilhamento de informações e responsabilidades, isso é fundamental e premissa de qualquer gestor jurídico no âmbito do corporativo.

Agregue a este importante papel, algumas competências que são compatíveis com o momento atual das corporações, muito diferente do papel do gestor de 15 ou 20 anos, cuja competência era, na essência, a de gerir burocracia, passivos e com isto garantir empregos e o crescimento substancial de escritórios que souberam vivenciar esta fase. Hoje, o formato é oposto disso tudo e, com base nisso, trago algumas percepções:

1. Saia da sua mesa. O último lugar aonde você deve ser encontrado é na sua mesa. Gaste a sua energia se relacionando com os seus clientes internos e apoiando-os na tomada de decisões. Se você não tem o papel de business partner atrelado ao cargo de gestor jurídico, não tem problema: aja como se tivesse, já que o relacionamento é o fator determinante para que o jurídico alavanque com os seus principais stakeholders os resultados que precisam.

2. Tenha uma equipe madura, segura e preparada para tomar decisões, alinhar procedimentos, atender estes clientes internos e fazer tudo o que você faria, especialmente quando você não estiver presente. Isso mesmo. Esqueça as suas vaidades e inseguranças. Seja humilde e entenda definitivamente que você é apenas a “bandeja” que guiará os atores principais: sua equipe. Confie e dê autonomia, com responsabilidades compartilhadas e fomentando a integração entre as diversas áreas do jurídico, já que no mundo corporativo muitas delas se interligam na solução dos problemas.

3. Mantenha a inquietude na alma e tenha energia. Você precisa acordar todos os dias disposto a direcionar a sua equipe e os negócios dos seus clientes internos. Movimente-se incansavelmente e quando a pilha acabar, encontre rapidamente um modo de recarregá-la e recomece, afinal de contas, muitas pessoas e o resultado de muitos negócios dependem da sua capacidade de fazer movimentos relevantes e de resultados.

4. Pense estrategicamente, lembrando que a última palavra que deve sair de você é o “não”. Um bom gestor, nunca diz não. Ao contrário disso, ele ajuda os seus clientes a compreenderem as possibilidades, com riscos mensuráveis à tomada de decisão. É a gestão dos riscos, de forma clara e bem objetiva.

5. Tenha uma boa estrutura sistêmica que lhe dê indicadores, seja em relação ao contencioso, KPIs e aos resultados atrelados a eles, seja em relação aos escritórios que devem andar em sintonia com o negócio e essa também é uma das suas responsabilidades: colocar os seus prestadores de serviços na mesma página da empresa, dos seus conceitos, valores e necessidades. Pense que você não é único neste escritório e se você não trouxer o seu parceiro para a sua realidade, você será apenas mais um. O bom gestor, nunca permite que a empresa seja apenas “mais uma” e até para isso, deve ser habilidoso em relacionamentos internos e externos, incluindo Judiciário, órgãos governamentais e demais pessoas, entidades ou empresas que possam influenciar no negócio positiva, ou negativamente, ressaltando aqui que o seu papel é o de sempre trazer resultados positivos.

6. Desenvolva, por fim, algumas habilidades essenciais para regras de convivência, tais como: ouse (olhe para a frente), seja seguro e não tenha medo de ser criativo e de errar (deixe clara a sua intenção), seja leve e positivo (acredite nas pessoas e estimule o melhor de cada uma delas), procure o equilíbrio e não esqueça de tratar a todos com muito respeito (bom dia, boa tarde, muito obrigada, etc., detalhes que no dia a dia, fazem toda a diferença).

Pode parecer fácil, simples ou óbvio, mas a verdade é que os profissionais do momento não têm, na sua maioria, a estrutura necessária para agir desta forma. Muitos querem permanecer na zona de conforto, o que é lamentável.

Não se vê mais o advogado como aquele que emite uma opinion legal, apenas. Hoje o gestor jurídico é aquele que tem a habilidade de gerir riscos e as oportunidades do negócio, capaz de se manter atualizado em questões técnicas, mas também uma pessoa que tem uma visão administrativa e gerencial da empresa.

Ainda, a verdade é que muitas vezes o novo gestor terá que convencer os clientes internos e externos da importância deste papel e fomentar uma aproximação o que, sabemos, envolve muitas coisas e as dificuldades são imensas.

Porém, a partir do momento em que esta habilidade é exercida, seja por uma empatia natural, seja por desenvolvimento dela (sim, isso é possível), os caminhos serão traçados, os vínculos serão estabelecidos, as relações de confiança nascerão e você, na condição de gestor, terá liberdade e autonomia para expor ideias, ter visões diferenciadas, olhar para o futuro e enxergar novas possibilidades e, com isso, contribuir consideravelmente para o sucesso do negócio.

E acredite: a recompensa por este êxito é praticamente impagável, mas se você souber atingir esses resultados e estiver no lugar certo, ela virá.

 é advogada, professora de Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho em cursos preparatórios para concursos públicos.

Revista Consultor Jurídico, 7 de setembro de 2017, 8h46

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