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Fora dos autos

Pelos bastidores é que se conhece o verdadeiro Teori Zavascki

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Personalidade, cada um tem a sua. Mas poucos a têm tão marcante quanto teve Teori Zavascki. Desconfiado, reflexivo, calado. Mas, ao mesmo tempo, incisivo, marrudo. Quem o via de longe imaginava-o um ermitão. Não era. Gostava de rir, das coisas boas da vida e de seus amigos.

Dois competentes jornalistas incumbiram-se de ouvir Teori nos últimos dez anos para a produção do Anuário da Justiça Brasil: Rodrigo Haidar e Pedro Canário. Eles narram aqui e aqui suas percepção e o que aprenderam com Teori Zavascki, mostrando quem é o ministro da vida real.

Teori, nos EUA, no dia em que Donald Trump foi eleito presidente.
Dias Toffoli

Foi esse Teori menos conhecido que embarcou com o engraçadíssimo Carlos Alberto Filgueiras, dono do avião que caiu e do Emiliano, em direção à casa do hoteleiro em Paraty (RJ). Carlos Alberto também morreu nessa viagem.

Teori recebia jornalistas, diferentemente do que pensa muita gente. Só não dava entrevistas ou declarações. Nem falava de processos em curso. Mas tinha um carinho especial pelo Anuário da Justiça, que considerava um canal legítimo e importante para levar à sociedade informações relevantes sobre o Judiciário.

Nessa lida, sem que se noticiasse, o Anuário soube que Teori, sem paciência para os jogos de poder, confessou em dado momento que apearia da disputa pela vaga no Supremo e anteciparia sua aposentadoria no Superior Tribunal de Justiça caso não fosse indicado para o STF. Felizmente, não foi necessário.

 é diretor da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 19 de janeiro de 2017, 22h40

Comentários de leitores

2 comentários

A morte não constrói nenhuma verdade

Luiz Fernando Cabeda (Juiz do Trabalho de 2ª. Instância)

Basta que uma pessoa importante pelo seu papel ou destaque social morra no Brasil para que a palavra verdade seja esquecida momentaneamente, pois um idealismo "mágico" arrebata uma espécie de luto exaltatório e quem morreu passa a ser mais perfeito do que era considerado em vida.
Quando morreu Castelo Branco em acidente aviatório não esclarecido, pois as conclusões do inquérito feito contrastam com a versão do co-piloto sobrevivente, o jornalista Hélio Fernandes publicou um texto exemplar e histórico mostrando que a morte não faria melhor o general ditador. Foi processado e recebeu a pena de confinamento.
A ascensão das pessoas no Brasil é indignificante. Só o acaso ou circunstâncias históricas muito particulares fazem com que a trajetória daqueles que ascendem ao poder econômico, político ou nas altas instituições não se "contamine" no processo da escalada.
Muitos salientam sua origem humilde, dizem que exerceram profissões desvalorizadas, lembram-se da colônia, da grota, do sertão de onde provieram. Na maioria das vezes os relatos pertencem à fabulação rica que o folclore alimenta. Outras vezes a história é verdadeira, mas apenas mostra que aquele investido como alta autoridade ainda não desvestiu sua alma originária e guarda um senso prosaico na sua percepção do mundo.
Como este site se direciona para doutores, seria então bom lembrar - e ver nisso uma graça verdadeira sobre nossa condição - o samba de Billy Blanco, "A Banca do Distinto": Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca (...)".
A morte não é a recaída no idealismo piegas. Antes lembra: "navigare necessi, vivere non necessi".

Uma perda lamentável

Rafael Oliveira Advocacia & Consultoria (Advogado Autônomo - Civil)

UMA PERDA LAMENTÁVEL. Além de ser o relator de um dos processos mais importantes da história do STF (a operação "Lava Jato"), foi responsável por decisões históricas, como a aquela que suspendeu o mandato do então Presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) e, pela primeira vez na história, autorizou a prisão de um Senador (Delcídio do Amaral).
Todavia, pelo menos por hoje, é momento de lamentar a perda do Ministro. Toda vida é preciosa, um presente de Deus. Pelo menos Teori conseguiu colocar seu nome na história. Jamais esquecerei sua frase segundo a qual, "no Brasil, quando se puxa uma pena, aparece uma galinha". Descanse em paz, Ministro.
Rafael Oliveira Advocacia & Consultoria.

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