Consultor Jurídico

Notícias

Advogado x julgador

Deputado federal Wadih Damous pedirá impeachment do ministro Gilmar Mendes

O deputado federal e ex-presidente da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil, Wadih Damous (PT-RJ), afirmou nesse domingo (21/3) que pedirá o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, pois, segundo o parlamentar, o julgador “desonra a toga” com suas atitudes.

Para Wadih Damous, ministro Gilmar Mendes desonra a toga diariamente.

"Eu já tenho uma petição pronta, mas tenho que atualizar porque ele [Gilmar Mendes] fala besteira todos os dias. Ele desonra a toga todos os dias, então eu tenho que acrescentar isso à petição. Mas eu quero logo, nas próximas semanas, protocolar o pedido de impeachment dele. Ele desonra a toga, na suprema corte americana ou num tribunal constitucional europeu ele nem chegaria lá. Então, nós vamos abreviar a carreira inglória desse indivíduo no Supremo Tribunal Federal”, disse Damous.

Para o deputado, Gilmar Mendes é um militante partidário. “Eu acho até que o Gilmar Mendes na Câmara dos Deputados seria um ótimo parlamentar do PSDB, porque os que estão lá são uma porcaria. Ele deveria largar a toga, tentar se eleger e ir para lá, ele faria um ótimo papel lá. Mas o que ele está fazendo é desonrar o Poder Judiciário brasileiro, desonrar o Supremo Tribunal Federal”.

Na sexta (18/3), Gilmar Mendes suspendeu a posse de Lula como ministro-chefe da Casa Civil e devolveu autos para o juiz federal Sergio Moro.
Gil Ferreira/SCO/STF

Nessa sexta-feira (18/3), Mendes decidiu suspender a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cargo de ministro-chefe da Casa Civil e devolver os processos que envolvem Lula nas investigações da operação “lava jato” ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, alegando que a nomeação como ministro causaria tumulto nas investigações. Damous disse que o pedido de impedimento de Mendes será protocolado em seu nome e não no do Partido dos Trabalhadores.

Apoio da OAB ao impeachment
Sobre a declaração de apoio da OAB federal ao pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Wadih Damous lamentou a decisão. “O Conselho Federal da OAB adotou uma posição vergonhosa, golpista, em relação ao que acontece no Brasil hoje. Em 1964, também a OAB apoiou o golpe, só que naquela época havia grandes vultos da advocacia, como Sobral Pinto, Seabra Fagundes, Heleno Fragoso e outros que recolocaram a OAB no caminho da democracia. Neste momento, a OAB federal está resumida a mediocridades. O que deve acontecer na OAB é uma oxigenação democrática, a OAB deve ter eleições diretas, o conselho federal é eleito indiretamente, aí permite que esses caciquinhos de estado, esses líderes paroquiais tomem conta de uma entidade que deveria representar a advocacia nacional. Então, é lamentável, é vergonhosa a aposição da OAB”.

Segundo Damous, nesta terça-feira (22/3) juristas de todo o país se reunirão com a presidenta Dilma Rousseff para repudiar a posição da OAB federal. Ele também lamentou que a entidade não tenha se posicionado sobre a quebra do sigilo das conversas de Lula com seus advogados.

"Infelizmente, a OAB entra no jogo político a favor do golpe e fica em silêncio diante das perseguições e das violações das prerrogativas dos advogados, não se manifesta. Infelizmente essa não foi a OAB da qual eu fiz parte. Essa não é a OAB que lutou contra a ditadura militar", argumentou Damous.

O ex-presidente da OAB-RJ participou de um debate na tarde deste domingo, na Praça São Salvador, em Laranjeiras, zona sul da cidade, organizado pelo movimento À Esquerda da Praça, que promove atos e debates periódicos no local. Com informações da Agência Brasil.

*Texto alterado às 20h54 do dia 21 de março de 2016 para correção.

Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2016, 18h23

Comentários de leitores

40 comentários

Autoritário

Philosophiae Doctor (Outros)

O ilustre parlamentar sempre se distinguiu pela arbitrariedade, autoritarismo e excessivo antropocentrismo.

com todo respeito

Mauricio C. Oliveira (Outros)

"O Ministro do (STF) cometeu alguns erros ao ignorar a Lei N. 9.296/1996 artigo 8. sendo omisso além da suspeição. Quando a Advogada segundo consta tem sociedade que a torna alguém próximo a ele.

Outro mundo

aesjunior (Funcionário público)

Se a democracia plena é um empecilho, não tem problema, coloca-se de lado e após o atingimento do objetivo trazemos ela de volta.
O problema é que a democracia sairá desse processo enfraquecida e toda vez ela atrapalhar, como já foi testado e deu certo, coloca-se de lado.
Gente tá tudo errado, é uma aberração atrás da outra. Vazamentos seletivos, quebra de sigilo advogado/cliente, grampo de autoridades que possuem foro privilegiados (inclusive a Presidente do Brasil) e por aí vai.
Me sinto isento em opinar já que sou servidor do judiciário
federal a 20 anos, dos quais 10 anos sem aumento (do governo PT), participei de greves, e o PT não é a minha 1ª nem 2ª opção de urna. Mas fui obrigado a tomar partido diante de tanto absurdo.
Quem tem o mínimo de bom senso e pondera um pouco percebe que: ou tá tudo errado ou fomos transportados para um mundo paralelo sem perceber.
Tá tudo errado. desculpem repetir tanto "tá tudo errado", mas é que tá tudo errado.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 29/03/2016.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.