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Luto na advocacia

Morre a advogada Tereza Dóro, ex-presidente da OAB-Campinas

Tereza Dóro morreu de infarto aos 75 anos. Enterro será em Campinas. Reprodução

Morreu nesta sexta-feira (1/4), aos 75 anos, a advogada Tereza Nascimento Rocha Dóro, vítima de infarto. O corpo está sendo velado no Cemitério da Saudade, em Campinas (SP), onde será sepultado às 16h30. A diretoria da OAB Campinas decretou luto oficial de três dias.

Tereza Dóro foi a primeira mulher a presidir a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Campinas, comandando a entidade por duas gestões, no triênio 2007/2009 e reeleita para o triênio 2010/2012 (cargo que exerceu até janeiro/2011).

Além disso, também cargos junto à administração pública, tendo sido presidente da Serviços Técnicos Gerais (Setec) em Campinas, entre janeiro e setembro de 2011 e presidente da Fundação José Pedro de Oliveira (Mata Santa Genebra), entre fevereiro e dezembro de 2012.

Na área acadêmica, atuou durante 24 anos como professora de Direito Processual Penal e de Prática Forense Penal, na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, além de autora de vários livros jurídicos, entre eles Os Princípios no Processo Penal e Resumo de Direito Processual Penal.

No último ano, Tereza Dóro chegou a ser candidata a vice-presidente da OAB-SP na chapa OAB Pra Valer, liderada por Ricardo Sayeg. No entanto, teve que ser substituída depois de a OAB impugnar sua candidatura. 

Em entrevista à ConJur, enquanto ainda era candidata, Tereza Dóro criticou a situação que o advogado se encontra atualmente. Para ela, o advogado vive, hoje, em uma situação de "miserabilidade", sendo considerado um office boy da Justiça.

Ricardo Sayeg lamentou a morte: "Hoje é dia luto pelo passamento da minha amiga, companheira, parceira e rainha professora doutora Tereza Dóro, esposa de meu irmão Nivaldo Dóro, formadora de gerações e gerações de profissionais do Direito".

Segundo Sayeg, Tereza Dóro escreveu um marcante capítulo na história da advocacia paulista, principalmente de Campinas, "com seu estilo de guerreira, discurso franco e direto, que deixa uma contribuição relevante e valiosa para o fortalecimento de nossa profissão, principalmente na defesa das prerrogativas profissionais, cujo legado foi avalizado, em 2015, por quase 30 mil colegas advogados como a líder da Classe no Estado de São Paulo. Estamos solidários com toda a família Dóro neste momento de pesar".

*Notícia alterada às 11h44 do dia 1/4 para acréscimos.

Revista Consultor Jurídico, 1 de abril de 2016, 11h21

Comentários de leitores

3 comentários

Advocacia criminal

O IDEÓLOGO (Outros)

Perdeu a advocacia criminal a Dra. Tereza Dóro, eminente e culta advogada. Porém, os advogados continuam o seu entendimento do mundo como se estivéssemos no século XIX.
A atuação do advogado é dependente de agentes externos ao seu agir. A sua formação escolar continua sendo positivista, e acredita que as leis mudarão o mundo e não consegue entender que este é que influencia o arcabouço normativo.
O advogado, aponta Roberto A. R. de Aguiar, "Vive contradições e paradoxos que dificultam o enfrentamento profissional do mundo. Grande parte dos advogados é pobre, mas tem de viver segundo padrões materiais e sociais consentâneos com a imagem que os advogados pensam que a sociedade tem deles. Esse problema pode gerar vidas difíceis e tensas, sempre esperando que uma grande causa venha iluminar suas vidas e decretar sua aposentadoria gloriosa. Os profissionais que têm esse entendimento encastelam-se no individualismo, até mesmo para esconder suas carências e não participar dos movimentos reivindicatórios e das lutas por novos direitos da classe a que pertencem. Conseguem com isso implementar uma dupla alienação: a do desconhecimento do Direito vivo e a da não participação na consciência e nas lutas de sua classe. É um exemplo de ausência de "consciência para si" (in "A Crise da Advocacia no Brasil, p. 140).

luto deve ser respeitado

paulão (Advogado Autônomo)

não nos aproveitamos duma notícia triste para, por trás de um pseudônimo imbecil, covardemente mudarmos o assunto. A advocacia sofreu uma perda lastimável.

Advogado

O IDEÓLOGO (Outros)

O advogado não é "office boy" da Justiça, mas de seus próprios colegas de trabalho. Os grandes escritórios transformaram os recém aprovados no Exame de Ordem em verdadeiros escravos, situação que provoca nos neo-marxistas, intensa repulsa.

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