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Papo de elevador

Um encontro casual no elevador deu origem ao Baile Charme no TJ do Rio

Há cerca de três meses, em uma conversa casual no elevador, o segurança do Museu da Justiça Amilton Oliveira dos Santos comentou com um aluno de História que estava muito impressionado com um livro que estava lendo, “As Veias Abertas da América Latina”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, morto em abril deste ano. O diretor-geral de Comunicação e Difusão do Conhecimento do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, professor Joel Rufino, também estava no elevador e se interessou pela conversa, revelando ao segurança que conhecera o escritor. Nascia ali uma amizade que, sem ninguém imaginar, acabaria se transformando na origem da organização do primeiro Baile Charme promovido pelo TJ-RJ, que acontece neste sábado, dia 29, das 13 às 18 horas, na Av Erasmo Braga, no Centro, em frente ao prédio da Escola da Magistratura do Rio (Emerj).

“A partir daí, começamos uma amizade e, em um determinado dia, o professor pediu para eu passar no gabinete dele, pois ele tinha um presente para me dar. Ele me deu um livro de sua autoria, “A Escravidão no Brasil”. Depois de ele me conceder um autógrafo, comecei a ler o livro e, no final, observei a citação de várias manifestações culturais do Brasil, entre elas, o Baile Charme de Madureira”, conta Amilton.

Após ler o livro, Amilton foi agradecer ao professor Joel Rufino, que descobriu que Amilton fazia parte de um grupo de amigos, moradores no bairro de Vilar dos Teles, no município de São João de Meriti, na Baixada fluminense, que havia criado o “Amigos do Charme”, em 2007, um grupo organizado para promover bailes e divulgar o charme.

“Eu fui ao gabinete do professor, agradeci pelo livro e também por ele ter citado o Baile Charme. Quando ele soube que eu tinha um grupo e que organizava bailes charme, me perguntou: ‘Poxa, você tem um grupo? Por que não me falou isso antes? Que tal a gente fazer essa festa aqui?’. Isso foi há mais ou menos dois meses. A partir daí, nós começamos a conversar e a iniciar os contatos para organização do baile”, revela Amilton.

O segurança conta que a ideia do diretor Joel Rufino era mostrar a cultura do Baile Charme para um número cada vez maior de pessoas. “Durante as reuniões que realizamos para organizar o baile, o professor insistia na importância de ampliarmos, cada vez mais, a divulgação do baile charme. ‘Vamos fazer esse evento aqui. Vamos trazer o charme para cá. Não vamos deixar o charme só na Baixada, na Zona Oeste. O importante é que o evento venha para cá para aproximar o Baile Charme do público’, dizia o professor. "Esse sempre foi o objetivo dele”, destacou Amilton.

Trabalhando intensamente na organização do evento, Amilton acredita que o baile vai proporcionar ao público que comparecer a oportunidade de conhecer não apenas a cultura do Baile Charme, como também a de outras manifestações culturais. “Minha expectativa é de que o baile faça o maior sucesso. Hoje em dia, a informação é muito virulenta. Chega muito rápida, principalmente por causa da internet. Muita gente vai poder conhecer a raiz, a dança, as músicas, Não é só o charme em si. Tem o Flash Back, onde tocam as músicas dos anos 80, o Mid Back, que surgiu já no final dessa década e, já nos anos 90, o New Jack, que é um ritmo mais veloz de dança. Tem, ainda, o pessoal da antiga Black Music, da década de 70, do James Brown, que também é um som bem bacana. Não é só o som eletrônico, tem muita percussão e sopro”, avalia Amilton.

DJ Dani RB revela que a ordem é chegar ao baile ‘no brinco’. “Na época, quando comecei a frequentar os bailes no centro do Rio e em Madureira, a gente não sentava nos bancos do ônibus para não amassar a roupa e chegar ao baile no brinco”, revela o assistente administrativo do TJ-RJ, Daniel dos Santos Ferreira, conhecido no meio do Baile Charme como DJ Dani RB.

Um dos incentivadores e organizadores do baile, o DJ destaca a preocupação com o estilo e a elegância dos frequentadores dos bailes. “O nome charme reforça o conceito de um evento onde as pessoas vão elegantes, com o objetivo de dançar, de curtir o ritmo. Foi o DJ Corello que batizou como a Hora do Charminho, no baile do Mackenzie do Méier, por causa da elegância, do estilo de se vestir. Tanto as damas quanto os cavalheiros se preocupam em se vestir super bem”.

Dani RB elogia a iniciativa da realização do Baile Charme no Tribunal, considerando fundamental para a ampliação da divulgação do movimento, para atrair cada vez mais novos charmeiros. Ele frisa que o charme engloba não só o bairro de Madureira, onde ele é mais famoso, mas também em várias regiões, como os bailes do Chapéu Mangueira, na Rocinha, o Charme do Salgueiro, no centro de Duque de Caxias, em Niterói, em São Gonçalo.

“Encontrei com alguns amigos aqui do Tribunal de Justiça que também participam do movimento do charme, como o Amilton, quando conversamos sobre a ideia da realização de um baile charme aqui no TJ-RJ. Participei de várias reuniões e a ideia foi ganhando forma e se organizando. Achei fantástica a ideia, porque já pensava em outras formas de divulgação do Baile Charme. Quero, inclusive, aproveitar para agradecer ao diretor Joel Rufino pelo incentivo para a realização do evento, que vai mostrar o Baile Charme de todos os municípios do Rio”, agradeceu o DJ.

No baile de amanhã, Dani RB promete sacudir o público com muito charme internacional, mas também sem esquecer a música nacional. “Vou tocar Glen Jones, Sybil, e também Tim Maia e Seu Jorge, na batida charme. A intenção é também tocar o charme nacional. Além de mim e do Corello DJ, o evento também terá a participação do DJ A, Guto de Madureira. Vamos ter, também, as participações dos grupos Charme Brother’s, Hot Mix, Family Charme e Pérolas Negras do Charme”, lembrou Dani RB DJ. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RJ.

Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2015, 16h41

Comentários de leitores

1 comentário

Cultura colonizada

ju2 (Funcionário público)

Sem a menor dúvida, o tal "Charme" é bem menos nocivo do que o funk "carioca", que é um horror. Eu sou fã de "black music" também: Miles Davis, Jimi Hendrix, o próprio James Brown, Funkadelic, Muddy Waters, Robert Johnson, todos esses negros sensacionais. Mas limitar a "cultura popular" ao "Charme", à black music do "passinho" é... limitador. A cultura popular brasileira é Made in USA? E o samba de raiz (adoro!). Tocou Gerson King Combo nesse baile "Charme"? Toni Tornado? Cassiano? Ou foi só Tim Maia, que tentou se dar bem na Jovem Guarda (rock bobinho), mas levou rasteira do Roberto Carlos?

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