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Sociedades S.A.

É preciso exercitar a futurologia para se manter

Por  e 

Imaginem a seguinte cena. Você e seu sócio na mesa de reunião com três executivos de uma empresa cliente sentados lado a lado. Relatórios são projetados no espaço vazio e não em telas convencionais. Seu sócio conversará com o computador central que possuirá inteligência artificial avançada para que combine centenas de dados, jurisprudências e interpretações da cada tribunal gerando informações preciosas para o cliente em milésimo de segundo.

Apenas um detalhe: o cliente não está na sua sala de reunião, mas do outro lado do país, projetado por meio de holografia conversando, interagindo como se ali estivesse fisicamente.  já assistimos isto em Guerra nas Estrelas de 1977   mas claro que na época era ainda teoria (desde a década de 60).

Vamos analisar mais profundamente. As próprias peças serão compostas por vídeos explicativos, gráficos que se movimento no espaço e porque não  holografia  do próprio advogado explicando o caso?

Surpreendente não?

A questão intrigante e que nunca pode ser ignorada. Serei eu o agente transformador ou aquele que é pego de surpresa pelas micro-evoluções cotidianas? 

O futuro é como um papel em branco, podemos escrever e desenhar da melhor maneira possível, porém ele é inevitável. Porque não podemos realmente nos preparar, criar ideias e projetos para poder antecipá-lo na carreira pessoal ou mesmo dentro da sua sociedade de advogados? O simples exercício de pensar o futuro causa ondas de impacto no presente. Motiva e empolga as pessoas ao seu redor  — da equipe aos clientes, dos legisladores aos ministros. Teoricamente nada nos impede deste livre exercício da intelectualidade. Podemos escrever um livro sobre como será o Direito do amanhã! Palestrar sobre o futuro das PPPs e como isto impactará nas empresas que atuam neste segmento.

Enfim, o pensamento futuro nos coloca na frente, atrai negócios, talentos e alianças que no presente sequer poderíamos imaginar. Toda marca jurídica nasce de um sonho futuro, pois lembrem-se do marco zero, do início da sua primeira sala, talvez você e seu sócio e nem uma secretária. Naquela época era o que você tinha e que é compartilhado com o mundo  — um sonho possível e, por vezes, aparentemente impossível. Normalmente apagamos da mente o quão difícil foi chegar ao presente. O que era vago, tornou-se forte. O que era sonho distância transformou-se em algo ainda mais incrível.

Lançamos um desafio  — o que pode ser feito em termos de leis, planos, projetos que podem reinventar um segmento no qual vocês advogam? Coloquem na prática! Porque não criar uma tese tão poderosa que possa mudar toda uma interpretação de juízes, desembargadores e ministros, E alias quais e como serão as ferramentas que estes magistrados estarão utilizando daqui em 2018? Lembrem-se que é uma geração inteira que nasce com a internet transmitida pelo ar. E esta geração assumirá a cada ano postos mais elevados com o poder de alterar a realidade.  

Certa vez, Ken Blanchard descreveu a vida como um jogo de Banco Imobiliário  — não importa quantas propriedades compramos ou quantas casas construímos, no final do jogo “todas elas voltam para a caixa”. No final das contas, tudo o que temos são conexões que alimentamos e as vidas que impactamos. Tudo o que temos são as experiências que partilhamos. Quando duas pessoas se encontram, um terceiro mundo é criado. E com a tecnologia de hoje, esse mundo pode crescer exponencialmente.

Uma questão é certa: a convergência digital é uma realidade sem volta. Uma advocacia digital e sem papéis, processo eletrônico, videoconferências mais avançadas, sistemas de colaboração virtuais, holografia nos tribunais (isso já está acontecendo em outras áreas). É praticamente ilimitado o que irá ocorrer nos próximos dez anos. Isto se explica porque a capacidade da humanidade (ou do mundo jurídico) de gerar conhecimento dobra a cada ano.

Já existem impressoras 3D que podem desenvolver e imprimir protótipos de produtos em qualquer escala. Em apenas três anos isto virou uma realidade, inclusive acessível ao bolso. E mais — temos impressoras 3D desenvolvidas no Brasil.

Imagine as infinitas aplicações destas impressoras no futuro? Pense que sua banca tenha uma divisão de propriedade intelectual. Tudo será radicalmente diferente. Apresentar uma patente e registrá-la com o protótipo funcional (e não descritivo como é atualmente). Pois é óbvio que não existirá mais papel na Justiça ou em diversos setores da tecnologia. Teremos um papel digital que imitará a perfeição a textura e flexibilidade do papel atual. A diferença que é o conteúdo será animado, intenso, vivo, com gráficos alterados a cada período de tempo, vídeos e holografias. Não existirá limite para sua aplicação no Direito.

A verdade é que a tecnologia colocou pressão na advocacia. É incomodo saber que para se atualizar em termos de gestão e equipamentos teremos que investir em máquinas, treinamento e toda uma maneira de pensar o Direito. Antes do sucesso virá a crise para os menos preparados.

É agora no presente que começa a formar o futuro do seu escritório. Pense, pesquise, estruture e execute para estar entre os primeiros a adotar as novidades e assim construir um fantástico diferencial competitivo em relação a concorrência. É preparar-se para as mudanças de alta velocidade que o Direito exigirá.

Conclusão
Advogados são movidos por desafios. E existe um desafio maior que esse? O alicerce no qual o Direito foi desenvolvido há mais de 3 mil anos não mudará jamais. O conhecimento, o intelecto é o que efetivamente trouxe para o nosso mundo um pensamento que estruturou civilizações e a sociedade ultra-moderna. E não será diferente no futuro. Antes a pedra, o papiro, o papel, o livro e a tecnologia evolutiva. Muda-se o meio, mas a mensagem é a mesma. E assim o será daqui mais 3 mil anos.

Penso, logo existo no futuro.

 é administrador especializado em escritórios de advocacia, MBA em marketing e sócio da Selem, Bertozzi & Consultores Associados.

 é advogada, consultora em planejamento estratégico, composição societária e gestão de pessoas na advocacia, International Executive MBA pela Baldwin-Wallace College (EUA), especialista em gestão de serviços jurídicos pela FGV-SP e em Liderança de Empresas de Serviços Profissionais pela Harvard Business School (EUA), sócia da Selem, Bertozzi & Consultores Associados.

Revista Consultor Jurídico, 29 de março de 2013, 13h16

Comentários de leitores

1 comentário

Novo Paradigma

Gilberto Serodio Silva (Bacharel - Civil)

Esses exercicios de futurologia são importantes para exercitar a mente de operadores de direiro nessa época de grandes transformações da cultura do papel para o documento eletrônico. No mesmo sentido o preambulo do artigo do jornalista André Petry para a Revista Veja em 16 de Dezembro de 2012: A Revolução Pós Papel.
“A transição para a era digital é a mais radical transformação da nossa história intelectual desde a invenção do alfabeto grego. Sim, o momento é histórico: há mudanças profundas na leitura, na escrita - e talvez até dentro do cérebro humano”.
Inteiro teor http://www.anoreg.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19719:revista-veja-especial-a-revolucao-do-pos-papel&catid=2:geral&Itemid=9
Mudanças de paradigma levam décadas mormente quando se trata da dita informatização do processo judicial e do Tribunal de Justiça analógico sem projeto. A turbina a jato, foquete controlado, ocorreu em 1930. O primeiro avião a jato foi o Caça da Luftwaffe Messerschmitt 262 em 1944; o primeiro avião comercial a jato em 1957, o Frances Caravelle da Sud Aviation.
Entre 1995 e 2000 com advento da Internet os Bancos Brasileiros não informatizaram as agências, construiram outro iovador no computador, o Banco Eletrônico, com srviços impossíveis de serem prestados em agencias analógicas, novo paradigma. Que o Judiciário Brasileiro desista dessa informatização baseada em produtos com discursos de solução e agilidade, o número de erros materiais e recursos estão crescendo.

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