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Ideias do Milênio

Cineasta deve levar o público para além das manchetes

Entrevista concedida pelo cineasta Eran Riklis, ao jornalista Marcelo Lins, para o programa Milênio, da Globo News. O Milênio é um programa de entrevistas, que vai ao ar pelo canal de televisão por assinatura Globo News às 23h30 de segunda-feira, com repetições às 3h30, 11h30 e 17h30.

Quando se fala em Oriente Médio, mais especificamente do delicado processo histórico que coloca em lados opostos israelenses e palestinos, a sensação é que não sobra espaço pra muita coisa além das discussões históricas, geopolíticas e militares. Os conflitos armados e as tensões parecem engolir os pequenos dramas cotidianos, os questionamentos de cada indivíduo, mas isso pode ser só impressão. É o que se concluiu, por exemplo, a partir da obra do diretor de cinema israelense Eran Riklis. Pra falar das grandes questões regionais e suas implicações mundiais, Riklis lança mão exatamente do universo das pequenas coisas que constroem a vida de qualquer pessoa e ajudam a entender o todo. A história de um casamento na fronteira de Israel com a Síria dá uma nova dimensão ao complexo debate sobre a terra na região. A luta de uma mulher para defender seus limoeiros é a alegoria que ajuda a entender um pouco melhor a chamada questão palestina e a sua contrapartida do lado de Israel. A saga de um gerente de recursos humanos de uma fábrica de pães para garantir o transporte do corpo de uma funcionária de Israel para o leste europeu lança uma nova luz sobre processos de imigração e as armadilhas da burocracia. E é assim, misturando o micro com o macro, as questões do indivíduo com os grandes debates da coletividade, falando do particular para o geral, que Eran Riklis constrói uma obra cinematográfica que tem também elementos de Filosofia, Política e História, e que mesmo tratando de temas ligados a Israel e ao Oriente Médio, consegue ser profundamente universal. Eran Riklis frequenta como convidado, homenageado ou concorrente os principais festivais de cinema do mundo. Foi durante um desses festivais, no Rio de Janeiro, que ele concedeu esta entrevista.

Marcelo Lins — Você nasceu em Israel, viveu nos EUA, e, quando adolescente, sei que você morou no Brasil. O Brasil teve alguma influência na sua formação cultural?
Eran Riklis — Sim, uma grande influência, porque eu morei aqui por três anos, fiz o ensino médio aqui, na Escola Americana, entre 1968 e 1971 — anos muito críticos tanto para o Brasil quanto para os EUA, com a Guerra do Vietnã. Eu vim de Israel, um país pequeno, mas isso foi uma no depois da Guerra dos Seis Dias, quando os israelenses achavam que eram os senhores do mundo. Então, para mim, sair de lá e de repente descobrir este país, com todas as suas complexidades, o dilema americano, a favor ou contra a Guerra do Vietnã, os caras de cabelo comprido e os de cabelo curto... Era realmente uma explosão de ideias. Além disso, eu tive uma professora de literatura maravilhosa, a senhora Walter, que era incrível. Ela dizia: “Tudo bem, nós temos que estudar os clássicos russos, como 'Crime e Castigo', que todos estudamos, mas também temos que conhecer 'Um Estranho no Ninho'”. Para mim, de repente, abriu-se um mundo diferente. Eu vim de um mundo pequeno e descobri um mundo grande. Então, eu me lembro desses anos no Brasil, e posso dizer, de verdade, que foi nessa época que nasceu o cineasta que me tornei depois, porque foi quando se desenvolveram em mim a curiosidade, a capacidade de olhar e ouvir e algo emocional que me aproximou de questões sociais e políticas.

Marcelo Lins — Como foi, para um adolescente israelense, viver no Brasil naquele período específico? Que impressão você teve ao ver o país, a cidade, pela primeira vez?
Eran Riklis — Isso é interessante, porque sempre pensamos num Brasil estereotipado. Porque sempre pensamos em estereótipos. Pensamos em samba, futebol, essas coisas. Então você descobre suas complexidades políticas, principalmente naquela época. O Brasil estava no meio de uma ditadura. Havia pobreza, aquela violência mantida debaixo da mesa, a ponto de explodir. Por outro lado, havia a beleza deste lugar, as mulheres bonitas, as praias, e aquele tipo de estilo relaxado, que, para mim, que vinha de Israel, foi uma espécie de revelação, pois nossa vida era diferente. Para mim, foi uma jornada que me permitiu explorar o jeito brasileiro de ver a vida. E acho que, como com várias coisas, você diz: “Tudo bem, isso é ótimo, mas poderia ser melhor.” E, até muito recentemente, era isso que eu sentia em relação ao Brasil. Eu achava que este lugar podia ser o melhor lugar do mundo, mas precisava chegar lá.

Marcelo Lins — Desde meados dos anos 1980, você trata de assuntos difíceis, como a ocupação das Colinas de Golã e as relações entre israelenses e palestinos, o legado do holocausto. É um compromisso ou mesmo um posicionamento, uma necessidade de tentar entender essas questões ou o que mais leva você a abordar esses assuntos?
Eran Riklis — Acho que é uma combinação, um senso de compromisso e até dever, eu diria, porque às veze eu sinto que alguém precisa fazer isso. Porque, às vezes, quando se em um país em conflito, os cineastas tendem a achar que a televisão e os jornais já falam bastante do conflito e que os filmes devem tratar de outras coisas. Eu descobri, e talvez tenha ligação com o que falávamos antes, que o cineasta precisa ter uma consciência social e política, mas também acho que ele precisa descobrir, especialmente hoje, em 2012, como fazer as coisas de uma maneira respeitosa, interessante e quase divertida, senão ele perde o público dele. Ninguém hoje em dia tem paciência para ver “filmes políticos”. É por isso que digo que não faço filmes políticos. O que eu faço são observações sobre situações políticas, sobre pessoas envolvidas em situação políticas. E isso é interessante, pois nós dois estamos aqui, e alguém em Washington pode tomar uma decisão que influencie nossa vida em apenas cinco minutos. Eu acho isso interessante e acho que é meu papel na sociedade.

Marcelo Lins — Quando você faz um filme sobre pessoas, sobre questões pessoais, pode acabar fazendo um trabalho político e assumindo uma posição política, ainda que não intencionalmente.
Eran Riklis — Acho que essa é a chave, a única maneira de fazer isso.

Marcelo Lins — É. Mas o que vem à sua mente primeiro? O indivíduo ou as questões mais amplas?
Eran Riklis — Eu tenho uma tendência natural a me prender. Eu não consigo me afastar de histórias pessoais que tenham um toque global, universal. E eu sempre procuro a história primeiro, porque acho que é cinema. Estamos falando de cinema aqui no Festival do Rio, mas, para mim, o que importa não é o festival, é ir ao cinema. Eu quero que as pessoas vão ao cinema. Eu quero ver um público grande, pois creio que esses filmes deveriam atingir um público mais amplo, não só o público de festivais. Por isso eu tento fazer filmes que transmitam a mensagem de maneira mais acessível e — sem querer parecer simplista demais — que sejam fáceis de entender. É quase como ter uma situação em preto e branco, então eu deixo o preto e o branco de lado e descubro a cor. E, quando se chega à cor, as possibilidades são infinitas.

Marcelo Lins — Você se preocupa com as novas tecnologias, as novas plataformas como a internet, roubando o espaço do cinema? Isso muda seu trabalho de alguma maneira?
Eran Riklis — É verdade que esta é a primeira vez que eu filmo em formato digital. Meu filme anterior, “Playoff”, foi feito em 35 milímetros. Para dizer a verdade, eu adorei. Eu achei fantástico, rápido. Eu mantive a qualidade cinemática do filme, pois era isso que eu queria, mas eu também respeito quem queira fazer um filme com a câmera aqui, que queira facilidade e flexibilidade. Eu acho que o cinema é algo bem dinâmico, e não podemos ficar presos ao passado. Temos que respeitar o passado, saber de onde viemos. Mas nós não tínhamos aviões 100 anos atrás e hoje nós temos. Eu acho que com o cinema é a mesma coisa. Pensar em película e tal é uma visão romântica. Sobre as novas tecnologias, eu acho que o cinema ainda vai permanecer por muito tempo, pois eles são como o teatro: as pessoas ainda precisam ir e vivenciar isso junto com o público. Eles também precisam daquela telona, da excitação do som e da imagem que entra no seu rosto, na sua mente, no seu estômago. Eu acho que as novas mídias não podem substituir isso.

Marcelo Lins — No mundo atual, em que os políticos em geral andam tão desacreditados, e ideologia parece ser apenas mais uma palavra, você vê um papel para a cultura e o cinema, especificamente? Qual é o papel do cinema diante dos problemas da humanidade?
Eran Riklis — Eu acho que ele funciona como um lembrete. Acho que é, principalmente, um lembrete de que todos nós, políticos, todo mundo, estamos sempre correndo. Nós vivemos em uma era muito dinâmica e acho que estamos correndo atrás do próprio rabo, em vez de seguir em frente. Às vezes, esquecemos de parar um minuto para pensar nos detalhes, nas consequências, nos danos, no que uma pequena decisão pode causar a outra pessoa, às vezes, em nível individual, outras, em nível nacional. Nós vemos isso todos os dias, não preciso entrar em detalhes. Se analisar praticamente todas as áreas em conflito hoje, você verá que são todas resultado da falta de tempo para parar e pensar mais à frente. Por isso, acho que o papel do cineasta, da mídia, das artes e de todos os formatos, é o mesmo que sempre foi, funcionar dizendo: “Pare, olhe os fatos, analise a situação e, por favor, pense de novo antes de agir”. É tudo o que eu peço.

Marcelo Lins — O fato de você ter nascido nos anos 1950 significa, entre outras coisas...
Eran Riklis — Algo horrível.

Marcelo Lins — É, parece velho.
Eran Riklis — Eu nego.

Marcelo Lins — Mas você certamente viu e ouviu diferentes visões a respeito de Israel ao longo dos anos. Qual você acha que é o papel de Israel nesse ambiente mutável do Oriente Médio e no mundo? Qual é o lugar de Israel no mundo?
Eran Riklis — É uma situação complicada, muito complexa, mas eu acho que Israel precisa ser proativo, acho que precisa ser o líder. Tem que dizer: “Tudo bem, temos isto, aquilo, uma questão complexa envolvendo a terra, diferenças religiosas, diferentes pontos de vista, uma história comum entre essas duas nações, que vivem na mesma área e têm um histórico de ódio”. Mas, em 1977, só foi preciso que um homem, Anwar Sadat, presidente do Egito, acordasse um dia — romanticamente falando — e dissesse: “Vou a Jerusalém mês que vem.” E ninguém pôde negar isso. Não dava para dizer “não venha”. E isso mudou o mundo, com a paz entre o Egito e Israel, que poucos anos antes, viveram uma guerra enorme, da qual eu participei, em 1973. Então, o que eu espero dos líderes israelenses e da sociedade israelense — de certo modo, pois os líderes vêm da sociedade ou precisam do aval da sociedade — é que eles liderem, em vez de serem liderados. Acho que, no momento, muitos políticos mundo afora estão sendo liderados por visões populares e acho que isso denota uma falta de visão, uma falta de empolgação do tipo: “Ei, você pode mudar o mundo.” Não no estilo anos 1960, mas... Nós podemos ser pragmáticos, mas temos que mudar, senão o mundo estará no caminho errado.

Marcelo Lins — Voltando a uma questão da qual você falou há pouco. Tendo nascido na década de 1950, em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur, você era um jovem soldado israelense no Egito. O que essa experiência significou para você e o que você guarda dela?
Eran Riklis — Ela significou duas coisas. Minha geração sofreu muito. Foi muito difícil servir ao exército. Normalmente, os que fazem parte do corpo do Exército sofrem por estarem na linha de frente e muitas pessoas da minha geração foram mortas. Eu acho que a guerra nos ensina, em primeiro lugar, a ter humildade, e ver as coisas em perspectiva e ver como tudo é tão frágil: a vida, o mundo, o que for. Mas ela também ensina que... Para mim, foi quase como... Quando eu fico chateado com discussões sobre meus filmes, eu digo: “Olha, eu participei da guerra, eu dei minha contribuição ao meu país, e ninguém pode me dizer nada, muito menos quem vive fora de Israel. Não discuta comigo. Eu posso falar sobre tudo, eu tenho esse direito.” E acho que muitas pessoas pensam que deram sua contribuição à sociedade e agora têm o direito de mudar a sociedade. Então, para mim, foi uma guerra muito traumática e acho que eu sou como aquela geração de americanos que participou da Guerra do Vietnã e teve a vida alterada por ela. Acho que a Guerra do Yom Kippur, em 1972, mudou a vida dos israelenses. E, no entanto, acho que nós conseguimos superar isso e ir em frente.

Marcelo Lins — Quando um público ocidental ou um público brasileiro pensa no Oriente Médio e em sua produção cultural e seu cinema, normalmente há um sentimento de opressão, seja aquela vinda dos muçulmanos radicais contra as mulheres e seus oponentes. A opressão contra os palestinos nos territórios ocupados ou a opressão contra os israelenses que não querem servir o Exército. Como você reage a essa sensação de que essa região suscita? Morando lá e usando a região como argumento, quais são suas impressões e perspectivas para o Oriente Médio?
Eran Riklis — Eu acho que o mais importante para mim, como cineasta, é chegar ao meu público e dizer: “Vocês veem os noticiários e leem os jornais todos os dias. Vocês estão conectados o dia todo, então vamos além das manchetes. Vamos um degrau acima, vamos ver o que realmente acontece lá, como são as pessoas. Vamos ver que ideias mais complexas do que uma manchete existem”. Quando viaja a um outro país, você sempre tem a impressão de que as pessoas não veem seu país da maneira correta. Tenho certeza de que você sente o mesmo. Porque, no mundo todo, nós somos muito bons na hora de tirar conclusões sobre os outros povos, antes de analisar o nosso. Então, o que eu digo é: “Calma aí. Analise as coisas com calma e me deixe. O meu papel é levá-lo em uma viagem de duas horas pelos corações e mentes dos israelenses, dos árabes”. Eu não sou árabe, mas levo as pessoas àquela região e não só a ela. Você agora está no Rio de Janeiro e vai para o Oriente Médio, mas, na verdade, essa história funciona para cá e para o mundo. Acho que esse é o segredo do cinema que viaja. Se você faz algo local, que os outros não entendem, não dá certo. Eu realmente tento encontrar a linguagem comum entre os meus problemas e aqueles de todos no mundo.

Marcelo Lins — Você trabalha com colaboradores de ascendência árabe, pessoas que trabalham com você. Você esteve no Egito depois da guerra, como um cidadão comum. Qual é sua impressão acerca da integração de Israel no Oriente Médio? Por que não podemos ignorar o fato de que Israel está no Oriente Médio e todo mundo espera que haja algum entendimento na região.
Eran Riklis — Eu me sinto confortável no Oriente Médio. Há uma questão muito complicada sobre os judeus vindos da Europa e aqueles vindos dos países árabes, que vieram dos mesmos lugares com os quais agora estão em conflito, que é uma questão muito complicada também do ponto de vista psicológico. Mas eu acho que nós temos que aceitar o fato de estarmos no Oriente Médio. Geralmente, todo mundo quer estar na América.

Marcelo Lins — Alguns, na Europa.
Eran Riklis — Alguns, na Europa. Seria legal acordar em Londres e... Nós estamos no Oriente Médio e somos uma parte importante do Oriente Médio. Porque, o que quer que se diga, Israel é uma democracia, é um país desenvolvido, em todos os níveis, e, por isso, nós temos uma responsabilidade com a região. É claro que, se você sentar e começar a perguntar qual é o papel dos palestinos, qual é o papel dos países árabes, qual é o papel dos países árabes, qual é o papel dos países árabes ricos... Eles têm tanto dinheiro! Por que não investem no Oriente Médio? Alguém me disse que, se o Oriente Médio se unisse, seria o lugar mais incrível do mundo, mais forte do que a Europa. Mas, após três mil anos, nós ainda não resolvemos isso, mas vamos ver.

Marcelo Lins — E, do ponto de vista pessoal, ter que ouvir repetidamente perguntas sobre esse assunto, sobre ser israelense e ser do Oriente Médio. Com toda a carga que isso comporta, é um fardo, uma benção ou apenas um fato da vida, com o qual precisa lidar?
Eran Riklis — Todos os três. Acho que nunca é um fardo. Acho que sempre é algo interessante. Mas acho que é um prazer falar sobre isso, porque, de uma maneira meio inocente, sempre me surpreendo positivamente com a preocupação das pessoas. Porque sempre parece que o Oriente Médio é meio: “Esquece. Não tem solução, não há o que dizer”. Mas acho que isso está errado. É preciso falar disso, pois, a cada dia, nasce uma nova geração, e sempre há esperança. Se alguém quiser dizer uma palavra sobre o Oriente Médio, tem que dizer “otimismo”. Porque, quando se perde o otimismo, perde-se tudo. Eu acordo quase todas as manhãs – não todas elas – pensando que ainda é possível, que ainda há um caminho para se criar, talvez não o Paraíso, mas algo bem próximo dele lá.

Marcelo Lins — Em 2010, um de seus filmes foi indicado ao Oscar, só para mostrar como seu trabalho é universal. Sua formação ocorreu no Reino Unido, mas você imagina como seria seu trabalho e que tipo de filme você estaria fazendo se não fosse israelense, e sim americano, francês ou britânico.
Eran Riklis — Eu acho que o cinema francês é parecido com o cinema que eu faço. O Reino Unido, de certo modo, está perto, dependendo do filme. Já os EUA... Quando criança, eu morei em Nova York — não foi em Hollywood, mas em Nova York. Para responder à pergunta, eu provavelmente faria filmes de estilo nova-iorquino. Mas estou disponível para o próximo “Batman”.

Marcelo Lins — Ainda que sejam um desafio e, às vezes, um incômodo para algumas pessoas, seus filme quase sempre têm um toque de humor. Às vezes têm até muito humor. Qual é a importância desse ingrediente no seu trabalho e na sua maneira de encarar a vida e lidar com ela.
Eran Riklis — Você é brasileiro, certo? Você entende melhor do que eu. Eu acho que a combinação entre a tragédia e a comédia é algo que faz parte da nossa vida e é o único modo de superar as dificuldade da vida. De manhã você vai a um enterro, de noite, a um casamento, e você consegue sobreviver a isso. Então, para mim, sempre houve essa abordagem brasileira, italiana: a vida é o que é, e nós temos que aproveitar. E eu acho que, sem humor, meus filmes seriam insuportáveis, porque os assuntos são tão pesados, que é preciso injetar humor. Algumas vezes eu uso situações cômicas, outras são os personagens que são cômicos. Mas acho que, em qualquer caso, isso é parte do que eu vejo. Nós olhamos em volta, e o mundo não é tão triste quanto parece, embora você possa estar em um lugar que pareça sem esperança. Eu também diria mais uma coisa. Uma coisa de judeu. A única coisa que salvou os judeus ao longo dos séculos foi o humor. Então, talvez eu esteja tentando me salvar.

Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2013, 15h03

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