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AP 470

Julgamento do mensalão é "técnico", diz Ajufe

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) divulgou, nesta sexta-feira (16/11), nota em que rebate o PT, que na quarta-feira acusou o Supremo Tribunal Federal de ter feito um “julgamento político” do mensalão. Para os juízes, o julgamento da AP 470 foi “justo” e “técnico”.

Na nota, a Ajufe lembrou que oito dos 11 ministros da Suprema Corte brasileira foram nomeados por Luiz Inácio Lula da Silva ou Dilma Rousseff, o que, na avaliação da entidade, comprova a independência do membros do STF. “A irresignação quanto às penas que vêm sendo aplicadas é perfeitamente compreensível dentro do contexto e, por essa razão, a crítica do PT deve ser recebida como expressão de inconformismo, no exercício da liberdade de expressão. Nada mais do que isso”, diz a Ajufe.

Na quarta-feira, a Executiva Nacional do PT divulgou um texto questionando a corte após a definição, na segunda-feira (12/11), das penas do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente do partido José Genoino e do ex-tesoureiro Delúbio Soares. O partido afirmou que a utilização da teoria do domínio do fato, segundo a qual o autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua ocorrência e planeja para que ele aconteça — como um dos fundamentos para condenar Dirceu cria um "precedente perigoso: o de alguém ser condenado pelo que é, e não pelo que teria feito".

Leia a nota da Ajufe:
Nota Pública
A Associação dos Juízes Federais do Brasil - Ajufe, entidade de classe de âmbito nacional da magistratura federal, considerando o teor de nota pública emitida pelo Partido dos Trabalhadores - PT a propósito do julgamento da Ação Penal (AP) 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), vem manifestar-se nos seguintes termos:

1. O julgamento da AP 470 pauta-se pelo respeito aos princípios constitucionais garantidores de um processo penal justo, especialmente o contraditório e a ampla defesa.

2. Trata-se de julgamento técnico, tendo todos os votos sido devidamente fundamentados em seus aspectos fáticos e jurídicos, como determina a Constituição Federal.

3. É de se destacar, por necessário, que, dos ministros que participam do julgamento, oito foram nomeados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou pela presidenta Dilma Rousseff, o que comprova a independência desses ministros em relação a quem os nomeou.

4. A independência da magistratura é garantia fundamental do Estado Democrático e os ministros do STF deram mostras disso, honrando o Poder Judiciário brasileiro.

5. A irresignação quanto às penas que vêm sendo aplicadas é perfeitamente compreensível dentro do contexto e, por essa razão, a crítica do PT deve ser recebida como expressão de inconformismo, no exercício da liberdade de expressão. Nada mais do que isso.

6. A Ajufe acredita que o julgamento da AP 470 deve ser recebido dentro da normalidade do Estado Democrático de Direito, não havendo espaço para a politização da matéria.

Brasília, 16 de novembro de 2012.

Nino Oliveira Toldo

Presidente da Ajufe

Revista Consultor Jurídico, 16 de novembro de 2012, 16h58

Comentários de leitores

5 comentários

Ajufe oportunista!

Armando do Prado (Professor)

Julgamento político partidário. Violência contra a CF. Leitura analfabeta da teoria do domínio dos fatos. Enfim, show de horror comandado pelo bufão do Torquemada tupiniquim, vulgo JB.

STF

Mário de Oliveira Filho (Advogado Sócio de Escritório)

A Suprema Corte cumpriu seu papel legal: julgou!
Todas as garantias constitucionais dos acusados foram observadas rigorosamente.
Bem andou a Ajufe que poderia ter sido secundada por outras entidades.

\"tétrico'

Xarpanga (Advogado Autônomo - Civil)

Teoria nazista do domínio do fato, constitucional?

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