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Direitos difusos

STF analisa se Defensoria Pública deve propor ACP

O Supremo Tribunal Federal vai decidir se a Defensoria Pública tem ou não legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública em defesa de interesses e direitos difusos. Como a matéria teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual da Corte, a decisão tomada no processo paradigma (ARE 690838) será aplicada a todos os casos idênticos no Judiciário.

Segundo o relator do processo, ministro Dias Toffoli, a matéria suscita “discussão que tem o potencial de repetir-se em inúmeros processos, sendo, assim, conveniente que esta Suprema Corte profira decisão aplicável a todos esses feitos, segundo a sistemática da repercussão geral”.

Criada em 2004 pela Emenda Constitucional 45, a Repercussão Geral é um filtro recursal que permite ao STF selecionar os recursos extraordinários e agravos nesses recursos que discutam matérias relevantes do ponto de vista social, econômico, político e jurídico.

O ministro Toffoli explicou que o processo em questão “apresenta densidade constitucional e extrapola os interesses subjetivos das partes, sendo relevante para todas as defensorias públicas existentes no país”.

O processo chegou ao Supremo porque o município de Belo Horizonte recorreu de decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que reconheceu a legitimidade da Defensoria para propor ação civil pública na defesa de interesses e direitos difusos.

Segundo a decisão do TJ-MG, a própria natureza dos direitos difusos, previstos no inciso I do parágrafo único do artigo 81 do Código de Defesa do Consumidor, torna “impraticável” que a Defensoria Pública tenha de demonstrar a hipossuficiência (indivíduo sem recursos para pagar um advogado particular) de cada pessoa envolvida na demanda para legitimar sua atuação.

De acordo com o TJ-MG, em caso de defesa de interesses difusos (aqueles que pertencem a um grupo, classe ou categoria indeterminável de pessoas reunidas entre si pela mesma situação de fato), é “impossível individualizar os titulares dos direitos pleiteados”.

A se manifestar pela existência de repercussão geral na matéria, o ministro Dias Toffoli acrescentou que tramita no Supremo a Ação Direta de Inconstitucionalidade 3943 sobre o mesmo tema, ajuizada pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público.

Esse processo chegou ao STF em 2007 e tem como relatora a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha. Ele contesta a lei que legitima a Defensoria Pública a propor ação civil pública (artigo 5º da Lei 7.347/1985, com redação dada pela Lei 11.448/2007). Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

Revista Consultor Jurídico, 7 de novembro de 2012, 13h54

Comentários de leitores

1 comentário

é claro que não tem legitimidadade ativa, não é parte

daniel (Outros - Administrativa)

A Defensoria não foi criada para ser parte, mas apenas assessora jurídica da parte e carente.
Se não há como comprovar carência não pode nem ajuizar Ação civil pública.
Pior ainda é que quer ajuizar ação civil pública para direitos individuais em vez de ação como representante processual. Ou seja, em vez de assistido passa a ser "substituído" e deixa de existir. Ora, se são advogados, então têm que ajuizar ação para direitos individuais como representantes processuais e não como substitutos, mas parece que pobre incomoda a elita da Defensoria e então querem excluir os mesmos e retirar a legitimidade ativa do assistido. Não faz sentido, ter duas Instituições para fazer o mesmo serviço, enquanto isto a Defensoria tenta impedir que o Estado tenha outras Instituições para prestar assistência jurídica.

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