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Quaisquer causas

Evandro mostrou que são os homens que fazem os cargos

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Hoje completam-se 100 anos do nascimento do ministro Evandro Lins e Silva, a quem tive a honra de conhecer e depois de prestar merecida homenagem com a colocação de um busto na OAB do Piauí. É hora de, mais uma vez, lembrar e homenagear esse grande piauiense, campeão da democracia brasileira, vítima do regime militar, mas, como ele sempre frisava, um advogado que, antes de tudo, é um cidadão.

A fé na cidadania era sem dúvida o que movia o advogado parnaibano Evandro Lins e Silva, que se fez grande pelo trabalho e a busca incansável do saber jurídico. Nessa condição, ocupou o cargo de Procurador-Geral da República, Chefe da Casa Civil da Presidência da República e Ministro de Relações Exteriores.

Ministro do Supremo Tribunal Federal, honra que só coube a 163 brasileiros em 121 anos de história republicana, foi aposentado à força pela ditadura militar, com base no Ato Institucional 5, de 13 de dezembro de 1968, juntamente com os ministros Victor Nunes Leal e Hermes Lima. Não esmoreceu diante da injustiça. Seguiu como advogado e mostrou que não são os cargos que fazem um homem, mas os homens que fazem os cargos.

Essa assertiva se confirma pela humildade de Evandro Lins e Silva, que após ocupar a mais alta corte de Justiça do país, tornou-se professor em uma universidade em Brasília, seguindo ainda em uma série de atividades como advogado criminalista. Seguiu incansável nesse mister, a ponto de defender de graça, aos 88 anos, o líder do Movimento de Trabalhadores Sem Terra, José Rainha, e de funcionar como um dos advogados de acusação no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

As ações de Evandro Lins e Silva como homem, cidadão e advogado podem ser resumidas em seu próprio e claro raciocínio acerca do dever profissional em abraçar quaisquer causas: “Eu não defendo o crime, defendo o homem. Não é preciso ser inocente para ter garantias legais”.

Álvaro Fernando Mota é advogado e ex-presidente da OAB-PI.

Revista Consultor Jurídico, 19 de janeiro de 2012, 8h57

Comentários de leitores

1 comentário

homem publico

PAULO FRANCIS (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Advogado e homem de bem. Conduta e reputação ilibada.
Interesse publico em primeiro lugar. Exemplo. Modelo.
Carecemos de Evandros... tais como ele.
Nos dias de hoje:raridade.

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