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Decisão do Conar

Qual é a escola que mais aprova no Exame de Ordem

A repressão estatal à escola privada — rebatizada por seus inimigos da esquerda de "ensino mercantilizado" — chegou ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). O conselho privado juntou-se aos esforços do governo e da OAB, que vivem uma cruzada pelo fechamento de escolas no Brasil. Ao examinar a publicidade da escola de direito que mais aprovou no Exame de Ordem, em São Paulo, o Conar determinou que se esclareça: a liderança se dá apenas nos números absolutos — já que, proporcionalmente, escolas com menos inscritos desfrutam de mais aprovados, percentualmente.

A intenção evidente é dizer que as escolas privadas que funcionam em rede são ruins. Têm muitos alunos, mas ensinam pouco. Na vida real, essa crença absoluta esconde uma fraude relativa. A escola pública trabalha com um grupo seleto de estudantes, que chegam ao curso superior muito bem preparados. Em moldes parecidos ao de algumas escolas privadas, como a Facamp e a GV, não raro dão aula em período integral. Enquanto isso, redes como Unip, FMU, Estácio de Sá, Cândido Mendes e Anhanguera são incumbidas dos brasileiros que conseguiram chegar a curso superior graças à "mercantilização" do ensino. Os cursos não são ruins, mas os alunos não são todos bons. Chegam à escola cansados, depois de trabalhar o dia todo. E sem os alicerces do aprendizado que seus colegas das faculdades públicas adquiriram em escolas privadas no ensino básico.

A escola "punida" pelo Conar foi a Unip. Doravante, a universidade terá que esclarecer, quando disser que aprova "mais", que a base de cálculo são números absolutos e não relativos. Se levada em conta a relação entre candidatos aprovados e o total de candidatos que fizeram o Exame, a performance da Unip é bem mais modesta. Enquanto as primeiras do ranking estão acima dos 60% de aproveitamento, a Unip está mais próxima dos 10%. Na época em que seu anúncio foi contestado, atingiu 7%.

Em primeira instância, o relator do Conselho de Ética do Conar “considerou que o número absoluto de aprovados não é critério de qualidade”. O emprego da palavra “brilha” no slogan “Unip brilha no exame da OAB — 3º lugar” também foi considerado exagero.

Um recurso da universidade levou a entidade a rever a decisão de mandar alterar a campanha. O relator do recurso considerou que o anúncio pretendia forçar a ideia de que fazer o curso de Direito na Unip aumenta as chance de o formando ser aprovado no exame da OAB. Para ele, porém, “o bom-senso não permite ver eficiência no índice de aprovação em torno de 7%”. Foi decidido, então, que a alteração deixe claro e explícito o critério de uso dos números.

O diretor-geral da Unip, José Augusto Nasr, afirma que, como a campanha dizia respeito ao Exame de Ordem passado, ela já havia saído do ar meses antes da decisão, mas que, nas próximas campanhas, fará constar que o cálculo é feito em números absolutos. O diretor-geral destaca ainda que a Unip é (segundo ranking elaborado a partir do último Exame de Ordem) a segunda universidade que mais coloca formandos no mercado de trabalho em São Paulo, o que distorce o índice de aprovação, que contabiliza alunos que se formam e entram na contagem anual da OAB diversas vezes, como se fossem pessoas diferentes.

Em termos de marketing, cada escola divulga o índice que mais a favorece. Qualquer que seja o critério adotado, revela apenas uma face da realidade. O critério dos números relativos não leva em conta os alunos que repetem o Exame. “Há um contingente enorme de candidatos repetentes que se inscrevem todos os anos e isso deforma o cálculo”, explica o secretário-geral do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coêlho. Para se avaliar o desempenho da escola, o mais justo seria contar cada candidato apenas uma vez, em sua primeira tentativa no Exame. Por outro lado, o critério de números absolutos é que permite a avaliar a presença da escola no mercado de advocacia com o correr do tempo. E 2/3 das vagas disponíveis no ensino superior do país são oferecidos pela iniciativa privada.

Revista Consultor Jurídico, 18 de janeiro de 2012, 14h04

Comentários de leitores

1 comentário

Números absolutos e números relativos

alvarojr (Advogado Autônomo - Consumidor)

O bom desempenho de uma faculdade em números relativos tambám não basta para atestar a qualidade do seu ensino.
Há faculdades públicas e privadas com índice de aprovação de 100%, porém quando se examina os números absolutos percebe-se que apenas um ou três dos seus formandos prestaram o exame.
É razoável imaginar que uma faculdade pública ou privada abra uma turma para um ou três estudantes, ou é mais plausível se chegar à conclusão que mesmo os números relativos podem ser objeto de camuflagem?
A expansão do ensino superior privado não pode ser considerada ruim em si mesma, mas o comércio de ilusões e o mercantilismo de diplomas deve ser combatido pelo Ministério da Educação e principalmente pela sociedade civil.
Como exemplo, faculdades que oferecem brindes como tablets para aqueles que se inscrevam em seus "vestibulares" deveriam sofrer boicote organizado pelas redes sociais.
Dessa forma, seria dado início a uma maior cobrança de compromisso com a educação por parte da rede privada de ensino superior e a uma menor tolerância com a exploração da ingenuidade da grande massa que busca o ingresso no ensino superior em busca de ascensão social.

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