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Ideias do Milênio

"Em 20 anos, um PC terá a mesma inteligência que nós"

Entrevista concedida pelo futurólogo inglês Ian Pearson ao jornalista Sílio Boccanera, do programa Milênio, da Globo News. O Milênio é um programa de entrevistas, que vai ao ar pelo canal de televisão por assinatura Globo News às 23h30 de segunda-feira, com repetições às 3h30, 11h30 e 17h30 de terça; 5h30 de quarta; e 7h05 de domingo. Leia, a seguir, a transcrição da entrevista:

Imaginar o futuro é um exercício que o ser humano pratica desde que nossos antepassados deixaram as savanas africanas de nossas origens como espécie e saíram em busca de outra vida pela frente. Como seria o tempo futuro, sobretudo para os filhos? Como será o nosso? Especulamos por hábito, mas há que o faça por profissão. Como Ian Pearson, 50 anos, futurólogo de carreira. Não da linha pitonisa, bola de cristal, tarô ou búzios, mas da categoria ciência, engenharia, avanço tecnológico. Formado em Física Teórica e Matemática Aplicada, Pearson pensou o futuro durante 20 anos como tarefa principal de seu trabalho na British Telecom, a empresa de telecomunicações britânica, hoje conhecida como BT. Foi onde previu que telefone celular, recém criado na época, poderia se misturar com e-mail e render SMS ou torpedo. Lá ele viu com antecedência o que iria se tornar o Wii, que saiu na Nintendo, que a BT onde ele trabalhava não foi atrás. Hoje Pearson atua por conta própria em sua base em Ipswich na Inglaterra, onde o Milênio foi encontrá-lo no jardim de casa em dia ensolarado de Outono. Pearson hoje presta consultoria, faz palestras em vários países. Para quem tem interesse em explorar produtos ou serviços no futuro ou apenas alimente curiosidade em saber como será nosso mundo em breve.

Silio Boccanera — No seu livro atual, You Tomorrow, publicado em 2011, você diz que um período razoável para prever progressos das tecnologias é de cerca de 30 anos. Menos que isso é óbvio demais e mais que isso é distante demais?
Ian Pearson —
Se pensar hoje em 2040, estamos falando em ligar coisas ao cérebro. Esse tipo de expectativa é baseada em desenvolvimentos científicos recentes que estamos vendo agora. É cedo para fazer tecnologias com base nisso, mas podemos ver o rumo possível dessas tecnologias e como influenciarão nossa vida em 2040. Então, 30 anos é o máximo de um horizonte futuro, antes que se torne ficção científica. Pode-se tentar um bom palpite sobre o futuro daqui a 30 anos, mas não pode dá para sentir além disso.

Silio Boccanera — Uma previsão que você fez em um futuro não tão distante, de 20 anos, é de que computadores serão mais inteligentes que nós. Sabemos que os computadores hoje em dia são rápidos, acumulam muita informação, mas não são mais inteligentes que o cérebro humano. Você diz que serão daqui a 20 anos.
Ian Pearson —
Eu acho que sim. Se analisar velocidade de processamento do supercomputador, e já existem um ou dois supercomputadores no mundo, eles têm a mesma capacidade do cérebro humano. Mas o software não é muito bom. Ele não é organizado da mesma forma que o cérebro. Não entendemos o funcionamento do cérebro. Se quisermos imitá-lo, ainda não temos esse conhecimento, mas o conhecimento está gradualmente aumentando. Com o aprimoramento dos computadores, mesmo que sejam algoritmos razoavelmente ineficientes para a consciência ou o pensamento, um computador muito veloz, que tenha uma potência maior, vai poder nos alcançar no sentido geral. Se pensar nos zeros, teremos mais 2 zeros a cada década, em termos de velocidade do computador. Se um PC tem 1/100 da nossa velocidade, em uma década, ele terá a mesma velocidade, mas não a mesma inteligência. Com mais uma década, ele provavelmente terá a mesma inteligência. Então, um PC, daqui a 20 anos, poderá ter a mesma inteligência que nós. É uma perspectiva bastante animadora.

Silio Boccanera — Nesse sentido, daqui a 20 anos, os computadores não apenas serão mais inteligentes, mas poderão tornar nosso cérebro mais inteligente? Ou seja, o computador será mais inteligente, mas nós seremos mais inteligentes porque o computador aumentará nossa capacidade?
Ian Pearson —
Acho que daqui a 20 ou 25 anos, quando ligarmos alguns dispositivos de TI ao nosso cérebro para aumentar a velocidade de funcionamento e nos dar sentidos extras, aumentar a nossa capacidade e memória, eles vão aumentar a velocidade do cérebro. Basicamente, aumentaremos a nossa inteligência aprimorando as máquinas. Muito desse conhecimento virá das máquinas. Elas descobrirão como a psicologia funciona, através de experimentos e análise científicas. Parte da Ciência também será feita pelas máquinas, o que vai acelerar o progresso nessa área.

Silio Boccanera — Isso nos leva a uma das partes mais polêmicas da sua previsão. Você diz que, dentro desse período razoável, nós nos tornaremos imortais. Você está querendo dizer que não morreremos? Está falando de nós dois, da nossa geração, dos jovens? Como assim, nos tornaremos imortais?
Ian Pearson —
Eu quero dizer que, quando o corpo morrer, não será mais um grave problema de carreira. Parte da sua mente já estará no mundo das máquinas.

Silio Boccanera — É uma ótima maneira de descrever “um problema grave de carreira”: a morte.
Ian Pearson —
Se 99% da sua mente estiver nos extras das máquinas que você conectou ao cérebro, quando o seu corpo morrer, só perderá 1%. Não será nada demais. Você vai ao seu enterro no sábado e volta ao trabalho segunda de manhã. Você segue como se nada tivesse acontecido.

Silio Boccanera — Através das máquinas.
Ian Pearson —
Exatamente. Você compra um corpo de andróide e faz um upload para ele, não precisa carregar sua mente inteira. Sua mente pode viver na nuvem, e você apenas ocupar aquele corpo robótico.

Silio Boccanera — É preciso fazer isso antes de morrer então.
Ian Pearson —
Sim, mas é assim que teremos a imortalidade. O que eu não vejo é você conectar o cérebro à máquina e fazer um backup para um upload posterior. Não acho que vai acontecer assim. Aos poucos, dispositivos estarão acessíveis, provavelmente através de tratamentos médicos. Tratar pessoas com mal de Alzheimer ou outras enfermidades mentais poderá ser através do aprimoramento médico, substituindo-se partas falhas do cérebro. Isso vai acabar se tornando cosmético, com as pessoas querendo usar essas tecnologias para melhorar sua capacidade sensorial. A vista fica ruim porque chegou à meia-idade. Você pode colocar olhos melhores ou sistema sensorial melhor para ver em ondas de alcance diferente. Poderemos melhorar a audição, usando frequências melhores. Talvez possamos sentir campos magnéticos, elétricos ou até a radiação, entrando em um mundo com formas diferentes de terrorismo. Talvez detectar radiação seja útil.

Silio Boccanera — Está falando da imortalidade disponível para as pessoas vivas hoje, os jovens. Talvez nós sejamos velhos demais para isso, mas os jovens terão acesso a ela?
Ian Pearson —
Quando falo em imortalidade, talvez eu seja da última geração que morrerá, que terá a morte natural. Eu diria que quem, hoje, tem menos de 35 anos tem grandes chances de viver para sempre. As pessoas já vão viver até uns 85 ou 90 anos. 50 anos além, para quem tem 35 hoje, podemos ter certeza de que haverá uma tecnologia economicamente acessível para que façam um aprimoramento cerebral, estendendo sua mente para o ciberespaço. 99% da mente delas estará no mundo das máquinas. Quando chegarmos ao ponto em que só 1% da mente morrerá quando o corpo morrer, teremos a imortalidade eletrônica. Mas, para esclarecer, não é imortalidade de fato. Não significa que viverão eternamente. Significa que, quando o corpo morrer, poderá continuar no mundo das máquinas. Quando essas máquinas forem desligadas, quando ninguém mais pagar pelo servidos, ou quando houver uma guerra nuclear e as pessoas morrerem, as máquinas provavelmente morrerão.

Silio Boccanera — Estarão eletronicamente mortas.
Ian Pearson —
Você não será realmente imortal, mas terá uma extensão da vida no mundo eletrônico.

Silio Boccanera — A geração jovem de hoje, como sua filha e a minha, pessoas que enfrentarão esse ambiente de trabalho daqui a 20 ou 30 anos, devem receber algum treinamento ou instrução com essa finalidade. Como você acha que deve ser o treinamento hoje, a instrução hoje, ou o que há de errado com a educação de hoje que não as preparará para isso?
Ian Pearson —
A educação de hoje ainda prepara as pessoas para o mundo dos anos 1990, para a economia da informação, em que você deixa a escola com capacidade para resolver uma equação ou reunir informação e processá-la para passar para outra pessoa. Estamos quase no mundo em que as máquinas saberão fazer isso tão bem quanto qualquer pessoa. Para muitas dessas coisas, basta digitar uma pergunta no Google que a resposta chega imediatamente. Nesse tipo de mundo, o valor do conhecimento da informação é bem menor. Qualquer um pode descobrir quem venceu a Batalha de Hastings, não precisa aprender na escola. É bom ser culto e saber essas coisas, mas não é necessário. Logo, o valor disso é bem menor.

Silio Boccanera — O que eles devem aprender então?
Ian Pearson —
As habilidades sociais e humanas. Se estiver em um mundo que muda rapidamente com o surgimento de novas tecnologias, uma das habilidades mais necessárias é a adaptabilidade. Não ensinamos crianças a se adaptar, e sim a sobreviver em um mercado estático. Devemos ensiná-las a sobreviver em um mercado que muda todo ano. Como seguir adiante, como decidir deixar algo e passar a outra coisa? Como se adaptar quando tem que se mudar com seus filhos e formar novas redes sociais? Como formar essas redes sociais? Não ensinamos essas habilidades na escola, mas serão elas que tornarão as pessoas felizes quando tiverem que sobreviver nesse tipo de mundo.

Silio Boccanera — Fala-se de tecnologia do futuro. Houve um tempo em que diziam que o futuro seria a TV. Tudo seria obtido pela TV. Depois, passou a ser o computador, seja desktop ou laptop. Agora, todos acham que será o telefone celular. Que rumo você vê? Qual objeto, se é que existe um, será o foco da nossa atividade no futuro?
Ian Pearson —
Acho que não é isso que as pessoas querem. Não querem um aparelho móvel para ver TV. Para que carregar o aparelho com você? Eu gostaria de ter isso tudo na minha cabeça. Quero usar óculos leves. Melhor ainda: se tiver lentes de contato, poderia jogar fora os óculos e usá-las para ver um vídeo de imersão em 3-D no meu campo de visão aonde quer que eu vá. Se eu estiver andando pela rua e vir um prédio, terei toda a informação de dentro do prédio. Verei através das paredes o que está à venda, se me interessa, quanto custa, colocar zoom. Posso fazer tudo para aprimorar a realidade enquanto estiver andando pela rua. Posso tirar as pessoas feias do meu campo de visão e colocar pessoas mais bonitas. E podem fazer isso comigo também. Posso ver se a pessoa que está passando é uma possível colaboradora em um projeto, se seria uma boa companhia para a sexta-feira. Todas as pessoas veriam a realidade aprimorada no campo de visão delas também.

Silio Boccanera — Com essas lentes de contato inteligentes, você diz que pode criar uma realidade visual. Como disse, se sua namorada for feia, pode torná-la mais bonita.
Ian Pearson —
Linda. Terá o melhor de dois mundos.

Silio Boccanera — Você sai com uma bruxa e a faz parecer uma princesa. Seria possível.
Ian Pearson —
Quando você começa a pensar nessa tecnologia, ela afetará quase tudo que fizer no mundo. Há muito tempo, nós comercializamos a força física. Hoje, temos máquinas fortes. Se quiser algo para cavar um buraco rapidamente, é só comprar uma escavadeira mecânica. Agora, nós comercializamos a Inteligência. Todo mundo sabe mexer no Google e obter informações na internet com rapidez. Talvez a beleza seja mais uma dessas coisas que cairão no esquecimento. Se as pessoas nascem bonitas, e daí? Qualquer um pode ter um avatar. Todo mundo pode parecer supermodelo. Todos podem parecer pessoas que passam o dia na academia. Não é mais preciso fazer isso. As pessoas podem ter essa aparência, e a personalidade vai sobressair. Deve poder baixar isso também.

Silio Boccanera — Ótimo potencial de vida sexual para muita gente. Vai apimentá-la.
Ian Pearson —
Vai apimentá-la de maneiras que nem devemos imaginar. Se você conecta muitos dispositivos ao cérebro para expandir sua capacidade, porque não fazer isso com o sexo? Todos gostamos de fazer sexo. Por que limitar-se a ser um homem de meia-idade? Por que não seu um robô, um klingon, um romulano? Qualquer espécie que se imagine de filme de ficção.

Silio Boccanera — Não só você, mas seu parceiro também.
Ian Pearson —
Claro. Pode inventar novas maneiras de fazer sexo. Pode mapear o que os computadores fazer com sequências de atividade física. Pode misturar isso em um ambiente futuro que envolva algumas pessoas, alguns computadores, alienígenas ou outras espécies. Pode redefinir o sexo dessa maneira. E vão redefinir.

Silio Boccanera — Não precisarão nem entrar na máquina futurista que Woody Allen mostrou no filme, o Orgasmatron, que é baseada na ideia do psicanalista Wilhelm Reich. Não precisa entrar nela. As lentes de contato farão o serviço.
Ian Pearson —
Elas vão dar o estímulo visual. Woody Allen mostrou que ele também queria estímulo físico. Se conseguir se ligar os nervos e estimular o orgasmo através de sinais elétricos, ótimo! Vão direto para a área adequada do cérebro. Vai chegar ao ponto em que pensará no orgasmo... Pode enviar por mensagem instantânea. Outro orgasmo! Preciso de um café agora. Um intervalo. Será que fica tedioso? É o cenário de “Barbarella” em um filme de ficção científica, em um mundo no qual basta tomar um comprimido para fazer sexo ou tocar as pontas dos dedos, como Barbarella. Farão sexo assim. Como quer projetar? O que devemos fazer para transar? Quer que continue a lambança que é hoje ou quer algo mais solitário, com apenas um toque ou apertando uma tecla? Como você quer? Poderemos redefini-lo do começo. Pode definir exatamente as sensações que deseja e como pode obtê-las. Talvez o sexo tradicional se torne tedioso, porque é simples demais.

Silio Boccanera — Garantindo a muitas pessoas que, se quiserem a lambança, poderão ter.
Ian Pearson —
Acho que devemos ter ao menos essa possibilidade.

Silio Boccanera — Carros também poderão se comunicar na rua, o que vai facilitar a conversa com quem estiver no outro carro, e os próprios carros poderão fazer isso.
Ian Pearson —
Vejamos uma área com muito congestionamento, que pode ser em qualquer cidade grande no mundo. Há muito engarrafamento, que é causado pela forma como se dirige. Se os carros se movimentarem a uma velocidade razoável, falando com outro carro que vem pelo cruzamento, um reduz um pouco, o outro acelera, e o movimento será perfeito. Se as pessoas tentarem isso, vão bater, porque não dá para avaliar muito bem. Computadores agem em microssegundo rotineiramente. Faz sentido que o computador dirija um carro a essa distância e consiga guiar em alta velocidade, sem qualquer perigo. Quase não haveria acidentes. Não acabaríamos com engarrafamentos, mas reduziríamos bastante. Aumentaríamos a capacidade das ruas tendo os carros separados por centímetros. Haveria maior quantidade, pois os carros seguiriam um ao lado do outro, se comunicando, com os sistemas de freio e de direção interligados. Coordenando bem, talvez não elimine, mas reduziria muito o congestionamento e a poluição.

Silio Boccanera — Você estava falando das lentes de contato. Pensei aqui que também poderiam ajudar a dormir. Não só a dormir melhor, mas poderiam interferir nos sonhos também?
Ian Pearson —
Eu costumava fazer piada com as lentes de contato. Como estão sob as pálpebras, você poderia responder e-mails antes mesmo de acordar. Poderia ir ao escritório pela realidade virtual, mas, com as lentes, nem precisaria abrir os olhos para ir ao escritório virtual. No começo, eu via como piada, como comentário nas conversas do jantar. Mas, quanto mais eu pensava, mais via que seriam úteis. Muitas vezes, acordei no meio de um sonho. Você sonha com algo que está batendo na cabeça. Quando acorda, vê que a janela está entreaberta e batendo com o vento. Você incorpora um barulho do mundo real ao sonho. Não pode fazer isso com vídeo. A TV pode estar ligada, mas você não vê a imagem porque os olhos estão fechados. Mas, com as lentes de contato, teria o vídeo dentro dos olhos. Poderiam até ser implantadas nas córneas. Se tiver o vídeo diretamente nos olhos, mesmo com eles fechados, você teria capacidade de sonhar com os vídeos. 

Silio Boccanera — Ao estilo do filme “A Origem”.
Ian Pearson —
Eu não vi esse filme.

Silio Boccanera — Eles criam sonhos.
Ian Pearson —
Você deve poder escolher com que quer sonhar, e o computador lhe dará estímulos visuais que lhe farão sonhar com uma praia do Caribe. É um bom lugar para se estar, vamos sonhar com ele. Posso estar em uma praia brasileira, vendo lindas mulheres passando. Tudo isso chegando ao meu campo de visão, e eu podendo interagir. Já é possível colar eletrodados na cabeça e determinar até certo ponto o sonho de uma pessoa, ligando os sinais cerebrais dela a outros obtidos quando ela viu algum vídeo. Com perguntas de múltipla escolha, pode saber se ela está pensando em um vídeo ou outro. Daqui a 30 anos, terá o total reconhecimento visual do que está acontecendo na sua mente. Se eu sei que está sonhando, porque capto sinais do sono R.E.M., ou Rapid Eye Movement, se eu souber o que está sonhando, poderei inserir imagens melhores. Poderei colocar outras pessoas nessas imagens, levar seus amigos para lá. Talvez seus amigos estejam sonhando e possam conectar o sonho com o seu, partilhando a mesma paisagem de sonho. Pode fazer muita coisa com esse carregamento visual. Não precisa colar eletrodos na cabeça, pode fazer isso com a fronha do travesseiro. A tecnologia de tecidos está avançando e permite todo tipo de capacidade eletrônica. Pode captar os sinais pela fronha sob sua cabeça. Não precisa nem ir deitar com um capacete elaborado, basta ir deitar na sua cama convencional com suas lentes de contato.

Silio Boccanera — O elo entre os pensamentos, os sonhos e pensamentos comuns e as máquinas está cada vez mais próximo.
Ian Pearson —
Hoje, você consegue saber até certo ponto em que uma pessoa está pensando. Pode mover um cursor no seu monitor e jogar apenas pensando em direita, esquerda, atirar. Ainda é rudimentar, mas é possível. Já foi demonstrado que as pessoas podem determinar, entre uma seleção de vídeos, em qual a pessoa está pensando, apenas pelo reconhecimento do padrão de sinais cerebrais, comparando-os aos sinais de quando viu os vídeos. Mesmo sem toda a nanotecnologia que estamos esperando, todos os implantes, já é possível fazer um pouco disso. Quem sabe? Pode-se avançar muito com esse tipo de tecnologia antes de colocarmos dispositivos de nanotecnologia diretamente no cérebro, mas certamente faremos isso também.

Silio Boccanera — Lentes inteligentes, bactérias inteligentes, telefones inteligentes. Agora nos explique o que uma privada inteligente pode fazer.
Ian Pearson —
Privadas inteligentes existem há muito tempo.

Silio Boccanera — Além de dar descarga automaticamente.
Ian Pearson —
Japoneses sempre gostaram de dispositivos e desenvolveram privadas inteligentes. Há piadas sobre a capacidade delas, mas imagine que podem reconhecer você. Se falar com elas, podem reconhecer sua voz. Talvez usar algum sistema de reconhecimento quando se sentar. Podem até reconhecer seu rosto, se estiver próximo. Quando jogar seus dejetos nessa privada, ela poderá analisá-los e dizer se está com sinais de alguma doença, reconhecendo elementos que não deveriam estar neles. Se reconhece proteína na sua urina, ela não deveria estar lá. É um sinal evidente. Não sou bioquímico, não sei o que significa, mas estou imaginando. É possível analisar o que deveria estar lá ou não, se está muito concentrada e se você deve beber mais ou menos água. Café de mais ou de menos. A privada, quando você a usar logo de manhã, poderá lhe recomendar o que tomar no desjejum para regular sua química sanguínea.

Silio Boccanera — Faz um check-up automático.
Ian Pearson —
O pesadelo seria a privada ter ligação com a geladeira e não deixar você abrir, porque está muito gordo ou comendo demais. Ela não permite que coma mais. Se forçar a abertura da geladeira, não deixara que ponha a comida no micro-ondas, porque terão comunicação. Quando se der conta, terá buscado um martelo na garagem e estará destruindo as máquinas da cozinha, frustrado porque elas não falam com você, ou não fazem o que você quer, porque a privada inteligente faz outra recomendação. Na cozinha, acontecerá um grande fenômeno daqui a 20 anos. Os políticos vão tentar nos dizer o que comer, tornando os aparelhos da cozinha inteligentes. Vamos revidar com o martelo.

Revista Consultor Jurídico, 13 de janeiro de 2012, 9h53

Comentários de leitores

1 comentário

O problema está no 1%

AlexH (Professor)

O que seria o 1% que perderíamos no upload ? Armazenamos informações/dados (algumas coisas) que são meros depósitos de informações (número de telefone, da placa do carro, a fórmula da regra de 3, como chegar em tal lugar...), quanto a isso não parece haver problemas de guardar em um chip anexo. Será que conseguiremos guardar nesse chip nossos sentimentos (amor/ódio/respeito/ética) ? Será que no 1% não fica "apenas" o que nos faz humanos (diferentes até das máquinas de 20 anos adiante) ?

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