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Dilema milionário

Doação a Universidade da Califórnia gera controvérsias

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A Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) está com uma dúvida de US$ 10 milhões. Um ex-aluno doou essa qunatia para ajudar a universidade a fundar o seu Instituto de Direito Empresarial. Administradores e professores da universidade propõem dar ao instituto o nome do generoso doador: Lowell Milken. Alguns discordam da proposta, com o argumento de que Milken não é um modelo para futuros advogados. Outros querem que a universidade devolva todo o dinheiro. Há duas décadas, Milken se envolveu no escândalo dos junk bonds (títulos podres) de Wall Street e foi proibido de operar na Bolsa de Valores de Nova York, conta o Los Angeles Times.

Na década de 80, o mercado de junk bonds encontrou o sucesso e a decadência. Milken conheceu a prosperidade e as agruras da lei, com o estouro do escândalo. Em 1991, por meio de um acordo com as autoridades federais, em que se comprometeu a se afastar definitivamente do setor de valores mobiliários, ele se safou de um julgamento e de possível condenação e prisão. Seu irmão mais famoso, Michael Milken, o cabeça do esquema denunciado, não teve a mesma sorte: foi sentenciado a dez anos de prisão. Mas cumpriu apenas dois, por colaborar com as autoridades. Em 2006, a Forbes relacionou Michael Milken como 382º homem mais rico do mundo. Os dois irmãos milionários se voltaram para a filantropia, dedicando-se especialmente a ajudar projetos educacionais. O mercado de junk bonds se recuperou, mas não com a mesma força.

Na terça-feira (23/8), "uma proeminente professora de Direito Empresarial da UCLA, uma especialista em legislação corporativa e do setor de valores mobiliários", segundo descrição do Los Angeles Times, declarou em entrevista que "atribuir ao novo instituto o nome de Milken significa um endosso da Faculdade de Direito a ele, como um modelo para os estudantes da escola". E revelou que enviou carta ao presidente da universidade, na qual escreveu que a aceitação da doação levanta "problemas éticos sérios e coloca em risco a reputação da universidade".

Outros professores, além dos administradores, afirmam que não veem qualquer problema em aceitar a doação porque Milken não foi condenado por qualquer transgressão. O professor Kenneth Klee, também especializado em Direito Empresarial, acrescentou que, na verdade, Milken pode ser um bom modelo para os estudantes. "Afinal, queremos que nossos estudantes se tornem grandes filantropos um dia", disse. Segundo Klee, a maioria dos professores de Direito estão entusiasmados com a doação e a consequente viabilização do projeto do Instituto de Direito Empresarial.

O chanceler da UCLA, Gene Block, disse que a universidade avalia cuidadosamente todas as propostas de doação, para pesar questões éticas, e que "o presente de Lowell Milken passou com distinção nesse exame". Em declaração oficial, a decana da Faculdade de Direito da UCLA, Rachel Moran, disse que estava "mistificada" pelas críticas da professora, porque ela buscou e recebeu fundos de uma doação anterior de Milken, para cobrir os custos de uma conferência da Faculdade de Direito, no próximo mês, que ela está ajudando a organizar.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 25 de agosto de 2011, 12h03

Comentários de leitores

2 comentários

Não é bem assim

George Rumiatto Santos (Procurador Federal)

Não é bem assim. Basta pesquisar sobre a polêmica em torno do nome da sala no térreo da Faculdade de Direito da USP. A homenagem aos doadores deu muito o que falar, e nem tinham se envolvido em problemas com a justiça...

Sociedade que tem vergonha

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Fosse aqui, bastava doar "deis reais" para que o sujeito, mesmo sendo um criminoso perigoso, tivesse nome, placa e cerimônia.

Comentários encerrados em 02/09/2011.
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