Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Beleza Hollywoodiana

Charme e profissionalismo marcaram carreira de Ellen

Por 

Sempre bonita, bem arrumada, educada, inteligente, foi chamando a atenção dos outros logo no começo, quando se apresentou, moçoila ainda, às provas do concurso para procuradora do Ministério Público Federal, em Porto Alegre.

E nem era gaúcha.

O Humberto, Humberto Gomes de Barros, presidente do STJ depois de mim, que a examinou numa das provas para juiza federal, me disse que em meio aos outros candidatos ela parecia uma estrela de Hollywood.

A Ellen chamava, ainda chama, a atenção mesmo.

Cargo de juiza, naqueles tempos, quase sempre, era algo assim para as feias inteligentes ou para as megeras autoritárias. Não parecia o melhor lugar para mulher bonita, sensível, bem educada, como a Ellen.

Foi o Humberto quem me apresentou a Ellen há uns 20 anos numa reunião de juizes federais em Santa Catarina. Ele é um grande cordelista e eu, vez por outra, me meto a poeta. Fiz uma poesia para aquela juiza elegante que parecia muito ocupada com a ideia de escolas para a magistratura.

Mostrei a poesia ao Humberto, ela a chamou, eu amarelei de encabulado, mas não mostrei a poesia, que para ela vai continuar inédita. Aquela apresentação começou nossa amizade extensiva à Euridice, minha mulher e ao Isaac, o amigão gaúcho da Ellen, com quem me dou muito bem ainda hoje.

A Ellen seguia vitoriosa a carreira chegando a presidente do tribunal e depois cumprido o mandato, apenas desembargadora federal, quando virou consenso no país a ideia de que estava na hora de uma mulher ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

O Nelson, Nelson Jobim, me contou os detalhes da operação. Ele era o ministro da justiça do Fernando Henrique e a Dona Ruth, esposa do presidente, era quem mais discursava em particular em favor de uma mulher no STF.

Foi o Nelson quem levou a Ellen numa noite ao Palácio do Alvorada apresentando-a formalmente ao Fernando Henrique, que se encantou com ela. A Ellen estudou nos Estados Unidos, foi bolsista da Fulbraight, e o Fernando, como o chama o Nelson, nunca escondeu seu entusiasmo por curriculuns com lastros acadêmicos.

Cabe lembrar que foi o curriculum do Brindeiro, Geraldo Brindeiro, lembram, pós graduado em Yale, por exemplo, que levou FHC a recuar na decisão de nomear procurador geral da república o José Arnaldo, o sub procurador Geral José Arnaldo da Fonseca, depois de ter prometido ao Senador ACM, que o faria.

Em seguida, abriu-se uma vaga no STJ para onde foi o José Arnaldo, onde realizou trabalho intenso de grande ministro, juiz humanista.

Mas voltando à Ellen, o Fernando fêz assim com o polegar para cima em aceno positivo ao Nelson. Dona Ruth adorou a moça e ultrapassados os prolegômenos e seus rituais, lá estava no Supremo Tribunal Federal a primeira mulher, uma juiza federal, que também fora procuradora federal, uma professora de direito, a Ellen Gracie Norfield, uma típica cariúcha, nascida carioca e criada gaúcha.

Não sou contra a PEC da Bengala, a que eleva a aposentadoria dos magistrados para 75 anos, e quando a defendi na Câmara e no Senado não o fazia em causa própria, eis que pedi para sair do STJ quando teria pouco mais de 9 anos ainda a vencer no cargo.

Tenho aconselhado a todos a quem encontro que saiam antes. Assim, terão algum tempo de vida util para a liberdade de viver. Quanto a mim, me sentindo livre para escrever o que penso e viver como sempre gostei, trabalhando sempre, mas dono das minhas horas e opções, cada dia me convenço que fiz o certo.

A Ellen já vinha ensaiando sair há algum tempo. Seu sentimento era de missão cumprida. Avisou antes do ultimo recesso que não mais voltaria à sua bancada no plenário e que, dessa vez, era para valer. Esquivou-se das homenagens regimentais dos formatos das despedidas, naqueles rituais renascentistas.

Lembrando o apóstolo Paulo, ela combateu no que lhe foi possivel o seu bom combate. E não conspurcou a sua fé.

Deve ser muito chato ser ministro do Supremo queimando em ementas, relatórios e votos, à exaustão, as melhores energias do espírito e tendo que ainda manter distância das melhores alegrias da vida.

 é advogado em São Paulo. Foi presidente do Superior Tribunal de Justiça e ministro do Tribunal Superior Eleitoral.

Revista Consultor Jurídico, 19 de agosto de 2011, 12h19

Comentários de leitores

7 comentários

Já foi tarde....

Ademilson Pereira Diniz (Advogado Autônomo - Civil)

Data venia do articulista, não vi em todo o tempo que a Ministra que se vai (foi) nenhuma decisão que justificasse sua estada na Corte Suprema do País...Charme, não sei, não entendo disso e é assunto para as "CARAS" abundantes em revistas à venda em jornaleiros... Profissionalismo, talvez, mas no pior dos conceitos: aquele de repetir conteúdo de matérias já decididas, acessível, hoje, facilmente, por meio da informática; sinceramente, nos diversos julgamentos a que assisti, não vi em nenhum caso a Ministra nos brindar com uma "frase", um teorema, uma hipótese nova ou uma visão diferenciada sobre alguma questão antiga. Espero que a NOVA Ministra que venha a tomar posse na Corte, não seja eleita para ali tão só por ser MULHER (parece que se estabeleceu uma COTA para mulheres no STF), mas que seja, antes de mais nada uma ESTUDIOSA do DIREITO ( enão apenas uma esforçada ALUNA), antenada com as atuais concepções quanto ao CONSTITUCIONALISMO e que, finalmente , saiba para que serve, afinal, uma CORTE SUPREMA, como o nosso STF e não fique a julgar com os olhos nos fatos já considerados pelas instâncias inferiores.

Biografia

JPLima (Outro)

Olha é realmente lastimável o procedimento de autoridades brasileiras, dos Três Poderes, que se utilizam do cargo para fazer suas biografias. Parece-me que o autor do artigo esqueceu que na Democrácia o Poder é do Povo e assim o julgamento final dos membros dos Poderes é do Povo e não da própria consciência daquele que foi investido na função Pública. Quanto a PEC da bengala que sobretudo é tocada no interesse daqueles Magistrados que são indicados pelo Poder Executivo, é uma vergonha Nacional...é quer aumentar o prazo de vaidade de muitos Poucos.

Porém, um final sem brilho.

Luís Eduardo (Advogado Autônomo)

Uma pena que o fim da carreira da Ministra tenha perdido o charme e o profissionalismo.
Esperando ir para outras Cortes do exterior, a Ministra foi deixando a chama de julgadora do STF enfraquecer, basta ver seu jeito enfadonho com as causas e muitas ausências nos julgamentos, e o que é pior, pedindo vistas de processos e não devolvendo para julgamento, processos de inestimáveis interesses à sociedade que, com sua aposentadoria antecipada, ficarão com julgamento adiados sem data prevista.
O STF não foi suficiente para manter o charme e o profissionalismo acesos. Mesmo assim, boa aposentadoria.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 27/08/2011.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.