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Voz da advocacia

Posse de Peluso teve discursos de dois advogados

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Causou mal estar na OAB o fato de o advogado Pedro Gordilho, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, ter falado “em nome da comunidade jurídica” na cerimônia de posse do ministro Cezar Peluso, na presidência do Supremo Tribunal Federal. O presidente da entidade, Ophir Cavalcante, fez questão de ressaltar logo no início de seu discurso que quem representa advogados é somente a OAB. Ele disse que o “equívoco” deve ter sido do cerimonial do STF. E afirmou, em seguida, que Pedro Gordilho falou em nome dos amigos de Peluso e não como representante da advocacia. “Essa função não é delegada a nenhum outro advogado”. Tradicionalmente é somente a OAB que representa a sociedade civil e a comunidade jurídica nessas ocasiões.

A informação de que Pedro Gordilho faria um dos discursos chegou antecipadamente à OAB. Mas a explicação era de que ele falaria em nome dos amigos de Peluso e não como representante da advocacia. Ophir Cavalcante não gostou, assim como alguns dos advogados presentes à posse, para quem a abertura do precedente foi estranha. Mas o advogado Antônio Corrêa Meyer saiu em defesa da participação de Gordilho na cerimônia. “Há uma relação sentimental entre eles. É uma homenagem apenas e não existe afronta”, disse ele à revista Consultor Jurídico.

Em seu discurso, Gordilho lembrou de abusos de alguns setores policiais e do “vigor” com que Gilmar Mendes defendeu os direitos fundamentais. O advogado comentou a clareza com que Gilmar Mendes se dirigiu aos cidadãos do país. “Ele esclareceu o que se passa na intimidade de julgamento”. Gordilho também não economizou elogios para o novo presidente do Supremo. Disse que Peluso é “juiz da realidade do seu tempo”. Além disso, afirmou que o ministro tem “elegância no trato e capacidade de ouvir antes de se manifestar”.

Em seguida, Ophir Cavalcante fez o seu discurso. Além de deixar claro que representava ali a advocacia e a sociedade civil, ele criticou duramente a magistratura. “É triste constatar que ainda há alguns magistrados que não cumprem como deviam, os seus deveres de morar nas comarcas, para onde se dirigem em alguns dias da semana, mais parecendo meros visitantes. Há magistrados que convidam advogados a se retirarem das salas de audiência. Há magistrados que só recebem advogados em horários preestabelecidos, inclusive com fichas de inscrição. Há magistrados que chegam atrasados às audiências. Há magistrados que não permitem que advogados retirem autos do cartório. Há magistrados que desconhecem o princípio constitucional da razoável duração do processo”, listou o presidente da OAB no plenário.

Ophir Cavalcante elogiou Gilmar Mendes por “neutralizar boa parte do furor populista de uma polícia pirotécnica e de uma justiça ‘injusta e falha’, e fortalecer o conceito da ‘justiça justa’, aplicada a todos, indistintamente, com celeridade e eficiência, baseada nos preceitos do Estado Democrático de Direito”.

Durante seu discurso de posse, o ministro Peluso comentou a observação da OAB sobre quem representa a advocacia. Ele disse que Pedro Gordilho é “representante dos espíritos livres” e foi aplaudido neste momento.

 é editora da revista Consultor Jurídico e colunista da revista Exame PME.

Revista Consultor Jurídico, 23 de abril de 2010, 20h06

Comentários de leitores

10 comentários

OAB NACIONAL e PEDRO GORDILHO NA POSSE DE PELUSO NO STF

CCB1949 (Contabilista)

Este internauta, pode ouvir com profunda atenção a cerimônia de posse deste estadista do direito brasileiro e que agora é o presidente do STF...
Sentiu, uma calorosa e emocionante emoção quando Gordilho, trouxe no seu festejado discurso nota remissiva de um julgamento de Peluso, sobre um apenado em processo e que
ele Peluso,dizia que seus julgadores apenas agiram pensando na pena do pecado e esqueceram do "Perdão"
Este assunto provocou o justo interesse de enviar ao STF, pedido de copia inteira do discurso de Gordilho e aquela outra manifestação de sabedoria imortal de Celso de Melo na homenagem ao novo Ministro.
Por outro lado:
A OAB Nacional, não pode,nem tem,o direito de levantar "poeira(s) a respeito da Magistratura Nacional.Se ela, a própria OAB está aviltada no rol dos bacharéis em direito de exigir"deles" faça(m) EXAME para ADVOGAR...
Quem
tem a capacidade de avaliar se o bacharél, peticionou direito e com respaldo nas leis nossas em Juízo ou fora dele, é a MAGISTRATURA. Se esta,julgar INEPTA a petição o autor e subscritor dela,pode ingressar com Recurso e com isto avançar na defesa do seu cliente.
NÃO
é a OAB, com a exigência de EXAME do Candidato para obter sua carteira de advogado, QUEM está investida deste poder de apreciar e de julgar uma petição...
É vero
COM FIEL RESPEITO
a investidura do eminente doutor Peluso...
SP
260410 segunda feira, às 20:33

Frescura !

JA Advogado (Advogado Autônomo)

A OAB tem coisas mais importantes com que se ocupar. A "mágoa" é frescura da sua direção - não há razão para esse alegado desconforto. Falo como advogado.

Ex ministro não falou "advogados" !!!

PLS (Outros)

Os comentários estão totalmente dissociados do texto!!!
Colocaram palavras na boca do ex ministro!!!
O ex ministro falou taxativamente: "em nome da comunidade jurídica” e não "em nome dos advogados". Basta ler o texto.
Até onde sei, "comunidade jurídica" consiste de juizes, promotores, desembargadores, ministros do STJ, STF, procuradores, advogados, defensores, promotores, escrivães, etc...

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