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Volta ao futuro

As novas competências dos advogados no século XXI

Por 

Internacional - Spacca

Nunca antes nesse planeta, os negócios da advocacia cresceram tanto como nos anos entre 2000 e 2007. Além de despertarem para os fenômenos da globalização e da tecnologia da informação, os escritórios foram catapultados pelo vertiginoso crescimento das finanças e da economia mundiais.

Até que explodiu a crise de 2008 e lançou as sociedades numa nova fase, que não é mais a do milagre do crescimento do início do novo milênio, e tampouco é uma volta ao modelo tradicional de escritório do século passado. “Quem sobrevive não é o mais forte nem o mais inteligente, mas quem tem maior capacidade de se adaptar às mudanças”, diz, citando Charles Darwin, o professor espanhol Carlos De La Pedraja, da IE Law School, um centro de altos estudos de negócios e Direito com sede em Madri.

“Com a crise, os clientes descobriram que podem ter mais pagando menos”, constatou. E como o professor ensina, os escritórios que quiserem sobreviver têm de se adaptar à demanda, sem esperar que aconteça o contrário.  De La Pedraja deu conferência na GV Direito de São Paulo, nesta sexta-feira (16/4), sob o título As Novas Competências do Advogado do Século XXI: que Perfil Buscam as Sociedades de Advocacia e as Empresas Europeias na Atualidade?

Para o professor, os escritórios estão entrando definitivamente no Business Law. Não, não se trata de uma especialidade do Direito voltada para os negócios. Quando menciona o Business Law, ele está falando do posicionamento dos escritórios como unidades de negócios, num mundo altamente competitivo.

Neste sentido, ele lembra que, tradicionalmente, os escritórios eram tocados de forma familiar. O relacionamento pessoal do advogado era o que mais contava. Hoje, esse modelo ficou superado. “O cliente pode ser até amigo do advogado, mas vai procurar alguém que faça o mesmo serviço por um preço melhor”, diz.

Advocacia terceirizada
Daí a necessidade premente de buscar a eficiência máxima que permita prestar o melhor serviço pelo menor custo. Nessa busca, grandes escritórios do mundo estão buscando não apenas a terceirização de serviços de massa, mas a própria “terceiromunidização” desses serviços. Escritórios da Inglaterra e dos Estados Unidos, conta ele, estão fazendo contratação massiva de advogados na África do Sul para fazer tarefas repetitivas e de baixa complexidade. A qualidade pode não ser a mesma, mas o custo é muito mais baixo. A Índia também tem se prestado a esse tipo de trabalho.

Ele se refere de modo especial à advocacia consultiva e de assessoramento voltada para o campo empresarial e dos negócios. Entende que ainda por muito tempo haverá lugar para escritórios tradicionais e que a judicialização das relações sociais vai garantir a sobrevivência de longo prazo dos advogados do contencioso. Mas o predomínio do Business Law será cada vez maior.

Para o professor, ao novo modelo de escritório corresponde também um novo tipo de profissional. “Antigamente, o sonho do advogado que entrava no escritório era ser sócio da firma. Hoje, ele está muito mais interessado em ter um plano de carreira, que não necessariamente irá se desenvolver num mesmo escritório”, diz o professor.

Ganham importância na contratação do profissional a especialização, a multidisciplinariedade, a capacidade de atuar em equipe, os créditos por serviços prestados anteriormente, a capacidade de relacionamento. De La Pedraja explica que o conhecimento técnico é o mais fácil de conferir na hora de contratarr. E quando há alguma falha é possível saná-la. Basta fazer um curso. Mas pouco se olha para as qualidades pessoais do candidato: “E não tem curso capaz de tornar simpática uma pessoa antipática”, diz.

No novo modelo ganha relevância também a gestão interna dos escritórios. E nesse ponto, as tendências são rumo à radicalização. Na Inglaterra, já tem escritório pensando em abrir o seu capital e colocar ações na Bolsa. Outra discussão intensa é sobre as distintas formas de faturamento e a tendência é que o sistema de cobrança por hora está com os dias contados. Qual o melhor sistema? Há divergências, muitíssimas.

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 17 de abril de 2010, 7h34

Comentários de leitores

5 comentários

equívoco não, é a pura verdade ...

daniel (Outros - Administrativa)

equívoco não, é a pura verdade ... Advogados estão impedidos até mesmo de informar as pessoas e isto tudo para evitar que os Coronéis da Advocacia percam espaço e poder. O Código da Inquisição (conhecido como Código de Ética da OAB) extrapola a lei e cria normas absurdas como proibir TV e rádio.

Marketing Jurídico

Cavv (Advogado Sócio de Escritório)

É um repetitivo equívoco dizer que os advogados estão impedidos de fazer publicidade. Existem restrições, sob o fundamento de que o direito das pessoas não é mercadoria. E com razão. É lamentável o que ocorre por exemplo na odontologia, onde a saúde dos dentes virou mercadoria, com ofertas e promoções. Nosso escritório, com 52 anos de tradição, já fez todo o tipo de publicidade permitida. O resultado, no máximo, foi tornar o nome um pouco mais conhecido. Ainda assim, mais de 90% dos novos clientes vêm por indicação. E o atendimento rápido, simpático e competente é o diferencial. Nos grandes escritórios se percebe que os clientes se acostumam com o advogado que lhes atende. Se este profissional muda de banca, grande parte destes clientes vão junto. E é assim em todo o mundo.

ADVOCACIA, SERVIÇOS VIDE TABELA AO LADO GRANDES PROMOÇÕES.

ERSANTOS (Bacharel - Civil)

É só o que faltava. Não que eu concorde com o que ocorre no Brasil, mas comparar o Mister de um advogado ou Jurista renomado com o comércio em geral é o fim. Imprescindível que o advogado seja exímio conhecedor no que faz e ter um escritório com atendimento cordial e com sensibilidade (pois o cliente já está com problemas, senão não procuraria tais serviços, fora os outros de cunho administrativos), se depara com condutas não condizentes com a imagem que tentam mostrar, com certeza procurará outro advogado, não pelo fato de ser mais caro, mas pela má qualidade no serviço. O fato de ser amigo do potencial cliente contribui muito para isto e muito, por conhecer a conduto do seu amigo, fará uma vez e olhe lá. Buscar melhorar nos serviços, ser atencioso ao cliente, sincero com o trato, certamente que ganhará um cliente. Se não perder prazo, disser que já deu entrada com a ação sem ter ingressado. Estas pequenas coisas, para o advogado, é que fazem a diferença. Tentar comercializar seus serviços. Não se preocupem com os grandes escritórios, se preocupe sim em ser um grande advogado. Pois já vi tantas peças frankeisntein, dedique-se nas suas metas; esqueça a imagem imperialista que passuem, é só marketing, é como se fosse pão de vento, só tem casca, com algumas exceções é claro. Adquirir conhecimento é o principal fator. Eu gostaria muito (para contribuir com o meio ambiente), que todas as ações, a começar as de rito sumário, fossem discutidas não com inicial, contestações, apelação, contra razões escritas não digitalizada, mas filmadas na oralidade; economizaria tempo dos Juizes, papel e só se sobressairia aqueles que são realmente advogados; que buscam esta profissão e não as usam como trampolim para outras carreiras Jurídicas ou comerciais.

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