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Palavras saudosas

José Guilherme Villela é elogiado no STJ

O advogado José Guilherme Villela foi elogiado pela ministra Nancy Andrighi na última vez que ocupou a tribuna do Superior Tribunal de Justiça no dia 25 de agosto. Três dias depois, ele foi assassinado a facadas em seu apartamento, em Brasília, junto com a mulher e a empregada do casal. 

Patrono em inúmeros processos no STJ, José Guilherme Villela fez sua última sustentação oral no julgamento de um Recurso Especial na 3ª Turma. No julgamento do complexo processo envolvendo uma disputa societária que dura mais de dez anos, a relatora, ministra Nancy Andrighi, iniciou o voto elogiando a conduta do advogado. “Faço um elogio, de público, à veemência — e troco a veemência pelo idealismo — desse ilustre advogado, que conheço há mais de 30 anos aqui em Brasília. É bonito de se ver um advogado, com tantos anos de experiência, ainda ter essa fleuma de um jovem”, afirmou a ministra.

A notícia do assassinato brutal de Villela foi recebida com perplexidade pelos demais ministros do STJ, onde o advogado atuava intensamente. Na sessão de julgamentos da 3ª Turma desta quarta-feira (2/9), muito emocionada, a ministra Nancy Andrighi pediu um minuto de silêncio em homenagem ao advogado e também ao ministro do Supremo Tribunal Federal Menezes Dureito, que morreu nessa terça-feira (1/9). “Seguramente, nenhuma das palavras proferidas neste momento consegue retratar a dor e, principalmente, a perda que todos nós estamos sofrendo com a partida desses amigos.”

Também na 3ª Turma, o desembargador convocado Vasco Della Giustina lembrou o último contato que teve com o José Guilherme Villela. “O eminente advogado Villela, na terça-feira passada, ainda esteve aqui nessa tribuna discursando, falando e defendendo seu cliente com todo o ardor. Mal imaginávamos nós que, uma semana depois, teríamos ciência desse trágico acontecimento em que se envolveu e sua família.”

O ministro Arnaldo Esteves Lima afirmou, em sessão da 5ª Turma, que “José Guilherme Villela foi um advogado destacado, em suma, uma personalidade na área jurídica. Eu, inclusive, tive oportunidade de me submeter a concurso público do qual ele foi membro de banca”.  Na 6ª Turma, o ministro Nilson Naves registrou a trágica morte e a enorme perda para a advocacia. “Sentiremos falta da sua defesa, dos seus ideais e das suas convicções”, afirmou o decano do STJ.

O ministro João Otávio de Noronha também lamentou, na 4ª Turma, a ausência definitiva de um dos baluartes da advocacia brasileira. Em sua homenagem pessoal, o ministro João Otávio de Noronha conseguiu sintetizar o que o advogado representava para mundo jurídico e para o país. “José Guilherme Villela era preciso nos seus memoriais, preciso nas suas sustentações orais, levava dentro dos seus sentimentos a garra pela advocacia, a luta pela liberdade, a defesa sempre forte e firme dos seus constituintes. Perde a advocacia brasileira um dos seus expoentes, mas perde o povo brasileiro um dos mais notáveis advogados que tive a oportunidade de ver atuar nesta corte. Perde o cidadão brasileiro, perde esta corte um advogado atuante e perde o Brasil um homem de bem.”

Tragédia na advocacia
O advogado José Guilherme Villela foi assassinado junto com a sua mulher Maria Carvalho Mendes Villela e a sua empregada Francisca. Os corpos foram encontrados pela Polícia do Distrito Federal dentro do apartamento da família na segunda-feira (31/8).

Villela foi o advogado que defendeu Fernando Collor de Mello durante o processo de impeachment no Congresso. Antes, defendeu Juscelino Kubitschek, o presidente do Senado José Sarney, Paulo Maluf e Delfim Netto. Há mais de 45 anos atuava como advogado em Brasília. A mulher administrava o escritório Villela Advogados Associados, fundado em 1960. Villela foi ministro do Tribunal Superior Eleitoral de 1980 a 1986. Nasceu em Manhuaçu (Minas Gerais) em 12 de agosto de 1936. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da antiga Universidade de Minas Gerais. Deixa dois filhos: Adriana e Augusto, que também é advogado. Com informações da Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça.

Revista Consultor Jurídico, 2 de setembro de 2009, 19h46

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