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Evolução jurídica

Clientes empurram escritórios à modernização

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Há 200 anos nascia Charles Darwin, famoso por seu pioneiro trabalho e pela célebre frase "não são os mais fortes de uma espécie que sobrevivem, nem os mais inteligentes, mas os que melhor respondem às mudanças". Passados tantos anos, a frase continua mais atual do que nunca e aplica-se a qualquer negócio que opere no complexo e dinâmico mundo moderno, em especial os escritórios de advocacia empresarial. 

A advocacia, seja no Brasil ou em outros países, evoluiu muito ao longo das últimas décadas, mas atualmente passa por um momento de transformação sem precedentes. Inúmeras forças já impactam o cotidiano dos escritórios, algumas há mais de uma década, e várias outras se encontram em plena ebulição. Quer você goste ou não de mudanças, fato é que elas agora ocorrem em ritmo alucinante e o seu escritório deve acompanhá-las sob o risco de ficar no meio do caminho. Literalmente.

São muitas as forças em movimento, mas é possível elencar as de maior impacto no meio jurídico brasileiro: globalização; evolução tecnológica; clientela; concorrência; fusões e aquisições entre escritórios; bancas estrangeiras no país; escritórios multidisciplinares e/ou de capital aberto e crise econômica mundial.

De impacto amplo e sem precedentes, a globalização é um assunto já antigo e muito batido (e debatido). Mas é fundamental entendê-la como o “big bang” que deu origem ao mundo altamente complexo em que vivemos e trabalhamos. Mais especificamente, podemos citar o papel desempenhado pela tecnologia no processo de globalização. A evolução tecnológica é indiscutivelmente o principal catalisador das transformações em curso, cada vez mais rápidas e intensas. 

Hoje em dia os clientes têm fácil acesso ao andamento processual pela internet e muitas vezes fazem pressão em seus advogados por uma comunicação mais ágil. Por outro lado, temos o advento do processo judicial eletrônico que, esperamos, irá acelerar as decisões jurídicas, tirando a "culpa" dos escritórios pela demora no andamento dos processos. A tecnologia também permite que se faça mais com menos, o que pode ter os resultados mais variados, entre os quais a "commoditização" de serviços jurídicos mais comuns e uma consequente redução de honorários. 

Uma questão importante, e ainda pouco debatida, diz respeito às novas e tecnológicas gerações de profissionais que já estão no mercado de trabalho ou nele entrarão em breve. Como lidar com os profissionais das gerações Y (nascidos entre 1980 e 2001) e Z (nascidos desde setembro de 2001), que vivem e respiram tecnologia? Afinal, eles ocuparão posições no seu escritório, nos seus concorrentes e nos seus clientes atuais e potenciais, sem falar em parceiros, fornecedores etc. A geração Z, em especial, nasceu com internet de alta velocidade saindo da parede que nem eletricidade e, mais impressionante, do ar à nossa volta! Como o seu escritório irá lidar com esses e outros desafios se mal consegue compreender a própria tecnologia?

Talvez uma boa forma de lidar com o desafio das gerações seja respondendo ao desafio proposto pelo "polêmico" professor inglês Richard Susskind, muito mal interpretado pelas idéias de seu livro "The end of lawyers?" (em português, "O fim dos advogados?"). A proposta de Richard nada mais é do que uma providencial provocação para que os advogados repensem a sua profissão frente ao contexto atual e futuro de mercado, principalmente no que tange ao crescente avanço tecnológico. Em outras palavras, quais são as suas habilidades e talentos distintos que não podem ser substituídos por sistemas tecnológicos, por mão-de-obra barata amparada por tecnologia ou mesmo pelo Dr. Google?

Se o mundo mudou, isso significa que a clientela também mudou. E o mesmo aconteceu com o relacionamento entre os escritórios e seus clientes corporativos. Mas há um pequeno detalhe. As mudanças nos relacionamentos escritório-empresa, em sua maioria, aconteceram por iniciativa dos próprios clientes. A clientela sempre foi um fator impactante, mas já há algum tempo vem exercendo um impacto expressivo e bastante diverso nos escritórios. Nos dias atuais uma empresa tem toda a informação de que precisa para escolher e controlar os escritórios com os quais irá terceirizar suas demandas jurídicas. A pressão é contínua e muitos departamentos jurídicos seguem a religião da convergência, que prega a distribuição do trabalho jurídico, sempre que possível, por um número reduzido de escritórios externos. 

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 é sócio da Gonçalves & Gonçalves Marketing Jurídico e especialista em marketing para advogados e escritórios de advocacia. Pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, é autor do blog marketingLEGAL e do pioneiro estudo “O Estado do Marketing Jurídico na América Latina”.

Revista Consultor Jurídico, 16 de fevereiro de 2009, 8h00

Comentários de leitores

1 comentário

excelente

daniel (Outros - Administrativa)

excelente artigo !! Os advogados precisam unir-se em associaçoes, pois o conservadorismo da OAB tem feito os mesmos perderem espaço no mercado para outras profissoes como consultores administrativos, consultores trabalhistas, consultores tributários e outras atividade paralegais.

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