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Dia de ressaca

STF está com imagem arranhada, diz Marco Aurélio

A sensação no dia seguinte do bate-boca entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o seu colega de Plenário, ministro Joaquim Barbosa, foi de “ressaca” para o ministro Marco Aurélio. Em entrevista à repórter Andréa Michael, da Folha de S.Paulo, ele afirma ainda que “todos ficaram perplexos com o grau de agressividade” de Joaquim Barbosa e também que “hoje, sem dúvida nenhuma, o tribunal está com a imagem arranhada”, o que acha triste.

Na discussão, transmitida pela TV e pela internet, Barbosa acusou Mendes de estar “destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”, pediu respeito e disse ao presidente da corte que ele não estava falando com "seus capangas de Mato Grosso”.

Marco Aurélio e Joaquim Barbosa também já brigaram. Não se falam desde que Barbosa questionou sua decisão em um processo envolvendo o esquema de venda de sentenças judiciais investigado na Operação Anaconda.

Durante a entrevista à Folha¸ Marco Aurélio sugere que Gilmar Mendes tire “o pé do acelerador”. Segundo ele, quando se atua em muitas frentes “se fica na vitrine dos estilingues impiedosos”.

Leia a entrevista

FOLHA — O que ficou para o STF do episódio protagonizado por Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa?

MARCO AURÉLIO MELLO — A sensação que se tem no dia seguinte é que se está de ressaca. Esperamos que esse episódio sirva de lição para a convivência no colegiado, que é um somatório de forças distintas e no qual deve prevalecer a organicidade. Hoje, sem dúvida nenhuma, o tribunal está com a imagem arranhada. Vejo tudo com muita tristeza. Naquele plenário não temos semideuses, temos homens, dos quais se espera uma conduta que honre o cargo.

FOLHA — Quem foi o culpado?

MARCO AURÉLIO — No início, houve um acirramento de ambos. O ministro Joaquim extravasou o imaginável. Todos nós ficamos perplexos com o grau de agressividade. E posso falar disso muito à vontade porque eu fui bombeiro, estou confortável com minha atitude. O ministro Joaquim vem demonstrando que às vezes perde os limites da razoabilidade. Isso é ruim. Agora, que ele esteja atento à necessidade de corrigir rumos.

FOLHA — E Gilmar Mendes?

MARCO AURÉLIO — Talvez esteja na hora de tirar o pé do acelerador e buscar uma austeridade maior. Isso não é uma crítica, mas uma análise da situação. Toda vez que se fustiga em muitas frentes também se fica na vitrine dos estilingues impiedosos. Eu apoio a presidência, como subscrevi na nota divulgada. Não se trata de crítica. O ministro Joaquim precisa buscar manter a discussão no campo das ideias. Ele acaba deixando a discussão descambar para o pessoal. Quanto ao presidente, ele tem tido uma atuação ostensiva em vários campos, e isso implica a própria fragilização do Judiciário. A virtude está no meio termo.

FOLHA — Houve uma nota anterior, mais dura, substituída pela oficial.

MARCO AURÉLIO — Alguns ministros queriam fazer uma censura pública, dizendo que o comportamento do ministro Joaquim era incompatível com o cargo que ele ocupa. Mas aí a instituição é que sairia diminuída e não o seu integrante.

FOLHA — A crise é grave?

MARCO AURÉLIO — Não... Eu diria que precisamos avaliar na próxima sessão. Não sei por que suspenderam a de hoje. E eu nunca vi tantas ausências, tantas impontualidades e tanta falta de limitação para o intervalo. Talvez seja porque a composição do colegiado mudou muito e em pouco tempo. Não sei.

Revista Consultor Jurídico, 24 de abril de 2009, 11h57

Comentários de leitores

13 comentários

O STF e Gilmar Mendes...

Quintela (Engenheiro)

Há muito tempo a imagem do STF está arranhada, maculada e desgastada.
E não foi o Sr. Joaquim Barbosa quem o fez!
Foram as atitudes desastrosas do Sr. Gilmar Mendes, pessoa altamente antipática e arrogante.
Desde a história injustificável dos Habeas Corpus meteóricos que a credibilidade do STF está em dúvida.
A Súmula das algemas: - Mais uma vez o STF resolve trabalhar para atender aos anseios dos corruptos de colarinho branco, e mais uma vez o STF deixa claro para a sociedade que trabalha em favor dos ricos e poderosos!
O GRAMPO sem ÁUDIO: O Sr. Gilmar Mendes destila arrogância e mostra incongruência com o cargo que ocupa. Acusa sem provas, sentencia sem julgamento. Chama o presidente da república as falas. Arrogância e falta de respeito!
Acusou a POLICIA FEDERAL de possuir “gangsteres” em seu quadro funcional. Sendo que o maior gângster recebeu 2 HB relâmpagos expedidos, sem justificativa.
Acusa o Juiz Fausto De Sanctis de insubordinação!
A ABIN e PF foram acusadas de trabalhar a revelia da Lei e da Justiça.. e NADA!!! ABSOLUTAMENTE NADA foi provado contra a ABIN, Protógenes, PF ou o Juiz Fausto De Sanctis.
O que foi provado contra Protóges? - NADA!
Gilmar Mendes cavou seu túmulo e do STF... vai entrar para a história do STF como o Presidente que DESTRUIU a imagem do STF.. e olhe que a imagem da JUSTIÇA brasileira é prá lá de ruim... corporativista, lenta, morosa e corrupta!

E as Instituições?

INOJOSA (Juiz Militar de 1ª. Instância)

O que preocupa mais, no episódio do Supremo, com a altercação entre os ministros, é que a imagem da Corte já estava arranhada desde o caso Protógenes/Daniel Dantas/De Sanctis em que GM agiu com extrema parcialidade e falta de bom senso. Antes, o Poder Executivo da era Lula, brindou com vinho ácido a sociedade brasileira com todas as formas de corrupção e quebra da ética que se viu na história. O Poder Legislativo, este sim, acompanha o Executivo em todas as condenáveis práticas e até concorrem ditos Poderes para a busca do troféu ao mais aético e mais corrupto. O Judiciário, que é o guardião da moralidade, vem ao palco do circo mambembe e entra no rol dos não confiáveis, senão por acusações de desonestidade, mas por terem seus membros comportamento próprio de politicóides de cidade de 500 habitantes. Basta, Senhores! Quando fraquejam as Instituições, a Democracia Republicana corre riscos. Cuidemos dela! Ainda há tempo.

E as Instituições?

INOJOSA (Juiz Militar de 1ª. Instância)

O que preocupa mais, no episódio do Supremo, com a altercação entre os ministros, é que a imagem da Corte já estava arranhada desde o caso Protógenes/Daniel Dantas/De Sanctis em que GM agiu com extrema parcialidade e falta de bom senso. Antes, o Poder Executivo da era Lula, brindou com vinho ácido a sociedade brasileira com todas as formas de corrupção e quebra da ética que se viu na história. O Poder Legislativo, este sim, acompanha o Executivo em todas as condenáveis práticas e até concorrem ditos Poderes para a busca do troféu ao mais aético e mais corrupto. O Judiciário, que é o guardião da moralidade, vem ao palco do circo mambembe e entra no rol dos não confiáveis, senão por acusações de desonestidade, mas por terem seus membros comportamento próprio de politicóides de cidade de 500 habitantes. Basta, Senhores! Quando fraquejam as Instituições, a Democracia Republicana corre riscos. Cuidemos dela! Ainda há tempo.

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