Notícias

21 janeiro 2008

Bacharel rebelado

Bacharel pede no STF inscrição na OAB sem Exame de Ordem

O ex-juiz classista José Roberto Guedes de Oliveira entrou com pedido de Mandado de Segurança no Supremo Tribunal Federal requerendo sua inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil sem a necessidade de aprovação no Exame de Ordem. Bacharel em Direito desde 2001, ele alega que a exigência é inconstitucional.

Segundo o processo, o bacharel considera a obrigatoriedade de aprovação no exame para ingresso na entidade, prevista no Estatuto da Advocacia e da OAB, abominável. Para ele, a exigência é “um fato sui generis no mundo do trabalho profissional, mormente aqui no Brasil, onde nem mesmo na medicina é empregada tal prática”.

De acordo com o pedido, o ex-juiz classista do interior de São Paulo, com cursos de pós-graduação em seu currículo, relata que procurou o presidente da OAB de São Paulo pedindo sua inscrição na seccional. Segundo Oliveira, o presidente negou o pedido, “fazendo prevalecer o interesse particular sobre o público e demonstrando que a OAB considera a Constituição Federal como ‘folha morta’”.

Oliveira também citou no pedido a decisão liminar da juíza Maria Amélia Almeida Senos de Carvalho, da 23ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A liminar, inédita no estado, permitiu que seis bacharéis advogassem sem precisar se submeter ao Exame de Ordem.

A decisão, contudo, foi suspensa na quinta-feira (17/1) pelo desembargador Raldênio Costa, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo). O desembargador não chegou a analisar o mérito da questão, mas suspendeu a liminar por considerar a juíza suspeita para atuar no caso, já que já havia entrado em choque com a OAB.

O presidente da seccional paulista da OAB, LUiz Flávio Borges D'Urso, confirmou que rejeitou o pedido de inscrição. "Sem aprovação no Exame de Ordem, não há possibilidade", disse. O presidente do Conselho Federal da Ordem, Cezar Britto, lembrou que "o Brasil, mesmo com o filtro da Ordem, é o segundo colégio de advogados do Ocidente — perde apenas para os Estados Unidos". Para ele, "seria ótimo, se houvesse mercado para todos, se isso se refletisse na qualidade do serviço prestado. Não é, porém, assim. O ensino jurídico sem qualidade atinge todo o espectro da Justiça, pois compromete a formação de todos os que participam de sua administração — e, em última análise, atinge o próprio conceito de cidadania e de democracia".

MS 27.111

Revista Consultor Jurídico, 21 de janeiro de 2008

Comentários

Comentários de leitores: 47 comentários

29/03/2008 20:11 Júnior Brasil (Advogado Autônomo - Consumidor)
Sugiro um sistema de cotas para aqueles que não...
Sugiro um sistema de cotas para aqueles que não conseguem passar na OAB depois de 20 exames. Ou melhor, 20 exames e 5 mandados de segurança indeferidos (rs). Afinal, depois de tanto tempo, tanta luta, para alguma coisa ele deve prestar! Ninguém merece!rs
20/03/2008 12:01 Fbb ()
Este tema merece alguns questionamentos: 1) O ...
Este tema merece alguns questionamentos: 1) O Exame da OAB valoriza a profissão, já que penera os despreparados para enfrentar a causa alheia, ah, se todos as profissões tivessem o seu, seria o Brasil um país melhor? 2) Está faltando coragem de abrir o livro e estudar, se não tem agora, como terá para estudar os casos dos futuros clientes? 3) Acredito que, os que são contra o exame agora, caso logrem êxito no futuro com a devida aprovação, passarão a ser a favor do exame, dá para entender? 4) Quando se envolvem sonhos humanos, as cifras são sempre exorbitantes, será que as faculdades estão preparando verdadeiros alunos ou sonhadores em ganhar salários das carreiras de Estado?
25/01/2008 11:14 Thiago Pellegrini (Professor Universitário)
Pois é Fabio... a coisa vai mal mesmo. O pi...
Pois é Fabio... a coisa vai mal mesmo. O pior não é nem o argumento da inconstitucionalidade material (que tb não existe), mas sim o argumento da inconstitucionalidade formal. Formal onde? O trâmite legislativo o Estatuto não teve erro algum. Como me falam uma besteira dessas?!? Depois não sabem porque são reprovados no exame. Eu também teria vergonha de protocolar um MS pedindo inscrição "in albis". E a vergonha seria de me olhar no espelho, não dos outros.

Ver todos comentários

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 29/01/2008.