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Celeridade processual

Nova Lei do Agravo entra em vigor nesta quarta-feira

Entra em vigor nesta quarta-feira (18/1) a nova Lei do Agravo (Lei 11.187/05), que restringe o uso de recursos em decisões interlocutórias — aquelas tomadas pelos juízes antes da análise de mérito das causas. A nova lei estabelece que os Agravos de Instrumento só serão julgados no momento da apelação, salvo em casos de possível lesão irreparável.

Até agora, o Agravo poderia ser encaminhado aos tribunais após uma decisão do juiz em qualquer estágio da ação, o que implica em morosidade à tramitação. Com a entrada em vigor da nova lei, a restrição dos Agravos Internos (ou Regimentais) é quase total, no caso de Agravos de Instrumento.

Segundo o secretário de Reforma do Judiciário, Pierpaolo Cruz Bottini, os Agravos Internos chegavam a representar 20% do total de Agravos interpostos na Justiça. A partir de agora, a regra virou o chamado Agravo Retido. As decisões interlocutórias podem ser questionadas, mas isso não impede o andamento da ação. Os Agravos são julgados como questões preliminares, na instância superior, quando do julgamento da apelação.

Em entrevista à Consultor Jurídico quando o projeto de lei foi aprovado, Bottini afirmou que “é possível que a nova lei aumente o poder do juiz de primeira instância, mas nós reservamos a possibilidade para que, em casos de decisões teratológicas, complicadas ou de dano irreparável, possa ocorrer a interposição desse recurso”.

Bottini se refere à exceção constante da nova redação do artigo 522 do Código de Processo Civil, na qual o Agravo de Instrumento é permitido quando “se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua interposição por instrumento”.

Em relação aos resultados da Lei dos Agravos, o secretário mostra-se otimista, mas acha que uma estimativa percentual só será possível a partir do sistema da consolidação de publicações estatísticas que será implantado pelo Conselho Nacional da Justiça. “Aí, poderemos avaliar os efeitos da lei”.

Leia a nova Lei

LEI Nº 11.187, DE 19 DE OUTUBRO DE 2005.

Altera a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, para conferir nova disciplina ao cabimento dos agravos retido e de instrumento, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Os arts. 522, 523 e 527 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de 10 (dez) dias, na forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua interposição por instrumento.

................................................." (NR)

"Art. 523. .................................

.................................................

§ 3º Das decisões interlocutórias proferidas na audiência de instrução e julgamento caberá agravo na forma retida, devendo ser interposto oral e imediatamente, bem como constar do respectivo termo (art. 457), nele expostas sucintamente as razões do agravante." (NR)

"Art. 527. .................................

.................................................

II - converterá o agravo de instrumento em agravo retido, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, mandando remeter os autos ao juiz da causa;

.................................................

V - mandará intimar o agravado, na mesma oportunidade, por ofício dirigido ao seu advogado, sob registro e com aviso de recebimento, para que responda no prazo de 10 (dez) dias (art. 525, § 2o), facultando-lhe juntar a documentação que entender conveniente, sendo que, nas comarcas sede de tribunal e naquelas em que o expediente forense for divulgado no diário oficial, a intimação far-se-á mediante publicação no órgão oficial;

VI - ultimadas as providências referidas nos incisos III a V do caput deste artigo, mandará ouvir o Ministério Público, se for o caso, para que se pronuncie no prazo de 10 (dez) dias.

Parágrafo único. A decisão liminar, proferida nos casos dos incisos II e III do caput deste artigo, somente é passível de reforma no momento do julgamento do agravo, salvo se o próprio relator a reconsiderar." (NR)

Art. 2º Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 (noventa) dias de sua publicação oficial.

Art. 3º É revogado o § 4º do art. 523 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil.

Brasília, 19 de outubro de 2005; 184º da Independência e 117º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Márcio Thomaz Bastos

Revista Consultor Jurídico, 18 de janeiro de 2006, 12h35

Comentários de leitores

8 comentários

Dentro de centenas e milhares de casos que o di...

joão (Outros)

Dentro de centenas e milhares de casos que o dia-a-dia cuida de criar, as ponderações feitas pelo dr. Ricardo Ditzel devem nos levar à séria meditação do que pode ocorrer nos corredores forenses. A solução para o caso dele, da forma que foi posta, me parece simples: a citação por edital. No entanto nada disso ocorreu e ele não pode fazer nada. Constatação: burocracia e emperramento da máquina judiciária, e não óbice causado pela parte interessada ou pelo recurso. A lição posta pelo dr. José de Carvalho também merece reflexão: basta que se utilize a lei para reprimir a litigância de má-fé quando esta aparece. O caso é que há muito não se vê esta firme tomada de posição do julgador, principalmente (e aqui se endossa o parecer do Dr. Matos), se a questão é contra o Poder Público, que faz e acontece no processo e nada lhe acontece, abusa da má-fé, e tudo bem. Constatação: falta de pulso firme do judiciário, que agindo com leniência permite o agitar de recursos – não só o agravo – sem fundamento algum, prejudicando a parte inocente no particular, e no geral, o direito como um todo. Mas não culpa do agravo, como recurso. Finalmente, Na senda do Secretário da Reforma do Judiciário, homem de letras, portanto, diz o articulista que com o agravo retido “as decisões interlocutórias podem ser questionadas, mas isso não impede o andamento da ação”, o que se revela falacioso, pois em regra o agravo de instrumento não suspende o andamento do processo, como diz de maneira bem clara o art. 497, CPC. Constatação: em regra embargo algum trunca o processo, e se via de regra acontece, é um problema que deve ser perquirido ao juiz que dirige o processo, não diagnosticar o recurso como um mal a ser debelado. Como se constata, o mal não está na quantidade ou no número de recursos, até porque os advogados têm prazos peremptórios para apresentá-los.

Emtemdo que a forma retida do agravo é a melhor...

Matos (Advogado Autônomo)

Emtemdo que a forma retida do agravo é a melhor; isto se valer, também, para os Órgãos Públicos, eis que os juízes, quando se trata de ação contra a Fazenda, são tímidos, arredios... incompetentes; julgam a causa improcedente e transfere a responsabilidade para a segunda instância, que, ultimamnete, não as reforma, tenha ou não direito o recorrente...

Avanços e retrocessos. Resolver os problemas do...

José de Carvalho (Advogado Autônomo)

Avanços e retrocessos. Resolver os problemas do Judiciário limitando, restringindo e eliminando recursos como se a culpa fosse dos advogados, nos parece uma medida inconstitucional, violando o princípio da ampla defesa. Para os recursos protelatórios a solução de há muito existe: CPC, Art. 17, VII. Bastaria a rigorosa observância deste dispositivo legal pelos julgadores. A grande maioria dos recursos decorre de erros e falhas nas decisões. Prova disto são os inúmeros recursos providos diariamente nos Tribunais Estaduais e nos Tribunais Superiores. Advogados têm o dever de defender os direitos de seus constituintes e os julgadores têm a obrigação de aplicar o direito visando sempre a realização da Justiça.

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