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16 janeiro 2006
Medida judicial
Duda Mendonça entra com ação contra Veja nos próximos dias
O publicitário Duda Mendonça negou as acusações feitas contra ele pela revista Veja, na edição que chegou às bancas no último sábado (14/1). O publicitário, que promete entrar com ação na justiça contra a publicação nos próximos dias, acusa a revista de tentar destruir uma reputação profissional construída ao longo de 30 anos de idôneo trabalho publicitário.
Com o título de “Marketing Bandido”, Veja afirma em sua reportagem de capa que Duda “está envolvido com superfaturamento de contratos com órgãos públicos, remessas ilegais de dinheiro para o exterior, contas secretas em paraísos fiscais, sonegação de impostos e crime eleitoral”. Duda rebate as afirmações.
De acordo com a semanal, a quebra de sigilo bancário do publicitário revela ingresso de mais de R$ 700 milhões em suas contas nos últimos cinco anos, com muitos pagamentos sem identificação. Segundo Duda, o dado é incorreto. Ele afirma que faturamento total bruto de suas três empresas no período foi de R$ 593 milhões. Argumenta que o valor é compatível com o de outras empresas do mesmo porte no mercado publicitário brasileiro. Dados de uma pesquisa da revista especializada Meio e Mensagem mostram que, em 2004, o faturamento da Duda Propaganda (R$ 78 milhões) esteve bem abaixo de gigantes como a Y&R (920 milhões), Lew Lara (R$ 450 milhões) E Ogilvy Brasil (R$ 400 milhões).
Duda esclarece que cerca de 85% do valor faturado destina-se ao pagamento de fornecedores e de custos de veiculação nos meios de comunicação. E explica que a agência apenas faz a intermediação desses recursos, recebendo de seus clientes e pagando aos veículos de comunicação.
Outro dado contestado por Duda é o de ele não teria como justificar o destino de R$ 172 milhões, que deveriam ter sido destinados a seus fornecedores. Segundo o publicitário, todo o dinheiro movimentado por suas empresas está identificado na contabilidade. No caso das contas públicas, afirma, o dinheiro do governo federal entra na conta da agência e vai diretamente para as contas dos fornecedores e dos meios de comunicação.
De acordo com o publicitário, dos R$ 559 milhões faturados por uma de suas empresas, a Duda Propaganda, R$ 445 milhões foram repassados para os meios de comunicação e fornecedores.
O marqueteiro rechaça, por fim, a informação de que fez remessas ilegais de dinheiro ao exterior. Segundo ele, a Duda Mendonça Propaganda & Associados fez apenas seis remessas de dinheiro ao exterior, que somaram US$ 42 mil, para pagar inscrições da agência no Festival de Publicidade de Nova York.
Leia a reportagem de Veja
Marketing bandido
O publicitário Duda Mendonça ficou conhecido como um gênio da propaganda política. Suas campanhas ajudaram a eleger 28 candidatos, num espectro ideológico que passa por Paulo Maluf, Fernando Collor e, seu maior triunfo, o presidente Lula. O publicitário Duda Mendonça também é um empresário bem-sucedido. É dono de uma fortuna pessoal declarada de 13 milhões de reais e suas agências são responsáveis pelas campanhas de algumas das maiores empresas privadas do país, embora sua vocação principal seja mesmo o marketing político. Duda Mendonça, até pouco tempo atrás, era um referencial da combinação entre a genialidade e o empreendedorismo.
Essa imagem está desmoronando. Há cinco meses, o publicitário surpreendeu ao confessar que recebeu parte do pagamento pelos serviços da campanha de Lula através de depósitos clandestinos em uma conta secreta no exterior. Mas disse que só topou a maracutaia porque não havia outra maneira de receber o dinheiro. Na semana passada, VEJA revelou que as autoridades americanas descobriram e bloquearam uma outra conta secreta e milionária que o publicitário mantinha nos Estados Unidos. Duda, dessa vez, não quis se explicar. À medida que avançam as investigações sobre os negócios do mais famoso publicitário do país, fica evidente que o empresário Duda Mendonça não é aquele que apareceu na CPI, chorou e tentou convencer os parlamentares de que foi vítima de um sistema eleitoral corrupto. O verdadeiro Duda Mendonça é personagem forjado nesse mundo. Ele está envolvido com superfaturamento de contratos com órgãos públicos, remessas ilegais de dinheiro para o exterior, contas secretas em paraísos fiscais, sonegação de impostos e crime eleitoral. Pode-se creditar à sua genialidade a invenção de uma nova categoria da propaganda – o marketing bandido. É nessa modalidade que ele é um grande especialista.
A CPI que investiga a corrupção no governo vai enviar nesta semana aos Estados Unidos um grupo de parlamentares com a missão de obter os extratos bancários da nova conta do publicitário, descoberta no fim do ano passado em Miami. Os deputados e senadores decidiram agir à revelia das autoridades, em tese, encarregadas de tomar as providências imediatas. Só na semana passada, dois meses depois que as autoridades americanas flagraram a filha de Duda, Eduarda, tentando zerar a conta, é que o Ministério Público Federal pediu o bloqueio definitivo. Estranhamente, ninguém sabia de nada. A Polícia Federal disse que não foi informada. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirma ter sabido do caso após a publicação da reportagem de VEJA. A coordenadora-geral do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, Wanine Lima, que havia declarado, na última semana, ter tomado todas as providências cabíveis, ao que tudo indica esqueceu até de avisar o próprio chefe, o ministro Thomaz Bastos. Diante desse festival de leniência com Duda, os parlamentares decidiram agir por conta própria. "O governo está blindando o Duda. É um absurdo a gente ficar sabendo de uma coisa dessas pela imprensa", diz o deputado Eduardo Paes, um dos mais ativos integrantes da CPI, que estuda convocar o publicitário para um novo depoimento à comissão.
Revista Consultor Jurídico, 16 de janeiro de 2006
Comentários
Comentários de leitores: 12 comentários
É preciso lembrar que a revista "VEJA"(o Grupo ...
Esse Duda Mendonça........eu não sei como ele t...
Coitado do Brasil, quinhentos anos e cada vez m...
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