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Cargo vago

Mauro Marcelo deixa a diretoria-geral da Abin

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O diretor-geral da Abin — Agência Brasileira de Inteligência, Mauro Marcelo de Lima e Silva, pediu demissão nesta quarta-feira (13/7). Ele entregou o pedido de exoneração do cargo ao presidente da República em exercício, José Alencar.

A polêmica que culminou com a demissão de Mauro Marcelo foi um e-mail divulgado na CPMI dos Correios. No e-mail, o diretor da Abin refere-se aos integrantes da CPMI como “bestas-feras em pleno picadeiro”.

Como reação, os parlamentares aprovaram requerimento para convocar o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Felix, para esclarecer a questão.

Mensagem interna

A mensagem de Mauro Marcelo, lida na sessão da CPMI dos Correios, foi divulgada na intranet da Abin — sistema de comunicação interna do órgão. O diretor-geral mostra-se revoltado com as acusações do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), de que a agência participou das gravações que flagraram o ex-chefe do departamento de contratação dos Correios, Maurício Marinho, recebendo propina de R$ 3 mil em troca de favores a empresários.

A amigos, o diretor-geral confidenciou que a leitura do e-mail nesta quarta “foi uma manobra política urdida no momento em que Lula botou os pés no avião para ir a Paris”, já que o e-mail é da semana passada, quando o agente Edgar Lange depôs à Comissão Parlamentar.

No texto da mensagem, Mauro Marcelo lamenta “os estragos à atividade profissional” de Lange, provocados por seu depoimento. Na ocasião, Edgar Lange alegou sigilo profissional e não forneceu as informações esperadas pelos parlamentares sobre as investigações de supostas irregularidades nos Correios.

O diretor-geral ainda critica a “falta de empenho da Advocacia-Geral da União” nos esforços para evitar que o agente da Abin comparecesse à CPI. “Tentamos evitar até a ultima hora o depoimento do Lange, mas os estragos à nossa reputação só poderão ser avaliados com o tempo”, disse.

Leia o texto do e-mail que provocou a demissão do diretor da Abin e sua nota de esclarecimento

"Há mais de um mês acompanhamos com perplexidade o envolvimento do nome da Abin com o caso dos Correios. Por mais de uma vez já informei aos senhores da lisura de nossa participação na coleta de dados, posse e produção de conhecimento desse evento. Tentamos até a última hora evitar o depoimento de Lange na CPI, mas não foi possível. Os estragos na atividade profissional do Lange, mais os estragos na nossa reputação, só poderão ser avaliados com o tempo.

Neste exato momento o que devo fazer é elogiar a conduta do profissional Lange como um verdadeiro héroi ao enfrentar as bestas feras em pleno picadeiro. Estou, pessoalmente, tentando entender a falta de empenho da AGU na proteção de nosso servidor. Isso poderia ter acontecido com qualquer um de nós. Desse episódio vamos tirar muitas lições, mas lembrem-se, só podemos consertar o telhado com o tempo bom.

Abraço,Mauro Marcelo de Lima e Silva.Diretor Geral da Abin".

Nota de esclarecimento

"A convocação do servidor Edgar Lange desta Agência para depor em uma CPMI, em função de ações de Inteligência desenvolvidas para apurar possíveis irregularidades nos Correios, constituiu fato inusitado na história da Atividade de Inteligência no Brasil.

Servidores públicos, profissionais de Inteligência, ao desempenharem suas atividades em defesa dos interesses do Estado necessitam ter a garantia de que suas identidades sejam preservadas do conhecimento geral.

Portanto, os servidores da Abin nem mesmo cogitavam a hipótese de que Edgar Lange fosse ouvido em sessão pública. Entendiam que sua oitiva, fundamental para o estabelecimento da verdade sobre fatos ou situações que teria presenciado ou tomado conhecimento, fosse na presença de público com o necessário credenciamento de segurança para que não se comprometesse o sigilo e a segurança do profissional. Sua exposição ao público, da forma que foi feita, causou grande comoção interna, chocando todos os profissionais de inteligência, tanto os ativos quanto os que já se aposentaram e mesmo aqueles que trabalham em outros órgãos congêneres da Administração Pública.

Diante desse clima, o Diretor-Geral solidarizou-se com o corpo de servidores, procurando elevar o moral e criar fator de aglutinamento de forças com o propósito de restabelecer, o mais rapidamente possível, o equilíbrio interno.

Ao usar a expressão “bestas feras” no seu sentido figurado de desumano (Houaiss - dicionário eletrônico - Ed. Dez 2001) buscou ilustrar a situação vivenciada pelo servidor que ficou exposto ao mundo pela mídia, sem que se considerasse a sua condição funcional e pessoal e, nesse sentido, usou a expressão “no picadeiro”.

Em nenhum momento houve a intenção de atingir a imagem dos parlamentares que compõem a CPMI ou o Congresso Nacional, mesmo porque os atos recentes do Diretor-Geral, Mauro Marcelo de Lima e Silva, nas diversas oportunidades, têm demonstrado o apreço e o respeito que nutre por eles.

A Agência Brasileira de Inteligência, na pessoa do seu Diretor-Geral, lamenta as interpretações distorcidas e reafirma sua convicção no importante papel desempenhado pelo Congresso Nacional e por seus integrantes na condução democrática da Sociedade."


 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2005, 22h13

Comentários de leitores

1 comentário

Que pena, mais um corajoso que fala o que pensa...

Erick Siebel Conti (Servidor)

Que pena, mais um corajoso que fala o que pensa e é defenestrado... Herói é você, Mauro Marcelo!

Comentários encerrados em 21/07/2005.
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